«Tristeza enorme ver desaparecer um estádio de tantos atropelos aos grandes», diz Dino ‘Furacão’

Beira-Mar «Tristeza enorme ver desaparecer um estádio de tantos atropelos aos grandes», diz Dino ‘Furacão’

NACIONAL26.06.202018:02

Dino Barreto, um nome inconfundível do Beira-Mar, mais como Dino ‘Furacão’, um baiano, de 59 anos, dorido pela condenação e enterro do Mário Duarte. A demolição apunhalou imensas memórias. O avançado brasileiro, um notável dos aveirenses na 1ª Divisão entre 1990 e 1994, um dos homens mais rápidos do campeonato, fazendo parte de uma equipa que enchia o estádio e fazia Aveiro vibrar com imensos atropelos ao poderio dos grandes. Dino, que havia jogado no Santos, era uma das estrelas, tão bem municiado por Abdel Ghany e António Sousa.

«É uma tristeza enorme ver desaparecer um estádio com tanta história. Ali estava a vida do Beira-Mar, de Aveiro, de tantos jogadores, dos adeptos. Subidas, tantas vitórias, finais da Taça conquistadas. Por lá passou o Eusébio. É destruída parte dessa história.  Mas só material, aquilo que ali foi feito não será apagado. Eu, mesmo no Brasil, sinto bastante. Porque aquele estádio mexeu com muita gente, famílias que iam ao futebol, o comércio que lá se fazia. É uma perda realmente difícil», faz notar Dino, que começou por jogar na Madeira, ao serviço do Nacional. No Beira-Mar joga dos 30 aos 34 anos e disputa uma final da Taça. Contribui para um 6º lugar e dois 8ºs. Tudo isto com Vítor Urbano.

«Estou sempre dependente dos resultados, aplaudi este renascimento, sofri com os problemas. Aveiro está no meu coração, tive os meus filhos nas escolas, tantos convívios com amigos, que continuam presentes na minha vida. Estou sempre procurando quebrar distâncias pelas redes sociais. É bom ver o Beira-Mar de volta aos nacionais mas tem de chegar na divisão maior. Isto não chega!», avisa Dino, recuando ao início dos noventas.

«Aquele Beira-Mar era um grupo muito forte, dentro do campo todos lutavam pelos mesmos objetivos. Era um grupo maduro, a média era 30 anos mas parecíamos miúdos, corríamos e não dávamos tréguas na marcação. Foi um grupo que se fortaleceu com resultados», destaca, lembrando a intromissão na luta pelo título.

«Sempre incomodamos os grandes. Eu contra o Benfica marquei duas vezes e foram três jogos seguidos em Aveiro que eles não passaram. Perderam dois e empataram um. Há um campeonato que lhe foge. Mas era difícil para todos. Quando tínhamos a bola sabíamos jogar. Éramos fortes no contra-ataque e havia jogadores que assistiam com muita facilidade. Com o que tínhamos era montada a estratégia. Velocidade, saída rápida e voltar atrás, fechar e trabalhar. Era uma equipa forte e éramos muito falados por esses atropelos aos grandes», reconhece Dino Furacão, entrando na sua história particular no Mário Duarte.

«Os jogos que me marcam são muitos mas destaco um com o Boavista, muito importante na Taça de Portugal. Fiz um golo, chutei de longe bem forte, a bola desce e dá-se um golo fantástico. É um jogo importante na nossa trajetória para a final da Taça perdida contra o FC Porto. Nas vitórias sobre o Benfica marquei ou assisti sempre. Eles perderam um campeonato. Tenho dois golos ao Paços de Ferreira no mesmo jogo, que foram feitos a papel químico. Apanhei a bola no ar e disparei para onde a coruja dorme. Bem no ângulo, foram dois remates indefensáveis. Dois golos bonitos pela dificuldade de finalizar essas jogadas», rebobina Dino, trunfo maior de Vítor Urbano e Zoran Filipovic nas quatro épocas em Aveiro. Os plantéis eram fortíssimos.

«Não posso distinguir ninguém. Jogavam todos muito. Tínhamos internacionais brasileiros, búlgaros, egípcios, portugueses, campeões do mundo como o Sousa, pelo FC Porto, e o China, pelo Grémio. Não faltava qualidade e dedicação. As brincadeiras eram quase todas feitas com o Abdel Ghany», recorda, lembrando uma das grandes histórias do faraó de Aveiro.

«O Abdel Ghany foi morar num apartamento com dois quartos. Tinha um menino, o Ahmed, que ficava no outro quarto. O que se constava é que ele tinha quebrado a parede, feito um buraco para observar o filho dormindo.» Dino conclui com a imagem do jogador que mais o fascinou.

«O Sousa era um fora de série, era a elegância e a finura no trato de bola. Mas assisti ao aparecimento do Figo e Rui Costa, faziam o estilo de jogo que eu gosto. De cabeça em pé», conclui.

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