«Dois copos de vinho no bucho e mais um whisky, mas estamos em estágio»

Benfica 13-09-2019 15:58
Por Redação

Já os jornalistas tinham esgotado as perguntas na conferência de imprensa quando Bruno Lage decidiu explicar porque decidiu abdicar dos estágios nas véspera dos jogos em casa, estratégia apontada como causa para a derrota com o FC Porto, na Luz, na 3.ª jornada. «Vamos esclarecer isso», disse, clarificando de seguida:

 

«Já muitos poucos clubes fazem estágios quando jogam em casa, por diversas razões. Não temos de imitar ninguém, temos é de ir ao encontro do que é o conforto dos jogadores. Numa semana com competições europeias, jogamos sábado, quarta-feira e sábado. Os jogadores passam três, quatro noites em casa. Se a viagem for grande, como é o caso da Rússia, serão duas, três noites fora de casa. Entendemos que o repouso e a recuperação em casa é melhor, é mais fácil para eles para que as coisas aconteçam de forma natural. Preferimos que, na véspera dos jogos em casa, se mantenham no conforto do seu lar. Existe hora de recolher, às 19 horas os jogadores estão em casa, e em caso de necessidade, proporcionamos daqui refeição ao jogador e à família. Todos de véspera usam pulseira para controlo do sono. E damos a oportunidade de estar com a família, de dormir no seu colchão, com a sua almofada, e não tirar do padrão normal de conforto. (…) Em casa, descansam melhor do que fora. Fizemos esse teste nos primeiros 15 dias da pré-época. No jogo com o Paços de Ferreira, correu bem. Depois, num jogo em que as coisas não correram bem dentro de campo, colocam tudo em causa. Não resulta. A única coisa que deixámos de fazer foi jantar e dormir aqui, o resto tudo é igual.»

 

E prosseguiu: «Todos já ouvimos histórias de estágios, a SportTV até tem um programa porreiro com o mister Carlos Manuel em que os jogadores vão lá contar as histórias que viveram nos estágios. Há 10, 15, 20 anos, alguns treinadores até deixavam os jogadores beber um copo de vinho na véspera dos jogos. E às vezes os mais velhos traziam os mais novos e diziam “ele também bebe vinho… (pausa)”. Depois, vai uma chávena para um cafezinho, piscamos o olho a quem está do outro lado, e não vem o café, vem um licor. Já são dois copos de vinho no bucho e mais um whisky, mas estamos em estágio. Aqui há todos esses procedimentos que falei e a coisa é posta em causa. (…) Temos que colocar na balança o que foi o passado, o que foi o jogador há uns tempos e o que é o jogador hoje, ver a forma de trabalhar dos clubes e dar passos em frente para evoluir. Depois ganha-se e perde-se dentro de campo, não fora dele.»

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