«Acabarmos nos quatro primeiros lugares será uma proeza»

Roma «Acabarmos nos quatro primeiros lugares será uma proeza»

INTERNACIONAL25.08.202318:11

O treinador português da Roma, José Mourinho, esclareceu esta sexta-feira que o médio internacional luso Renato Sanches, chegado no corrente verão do Paris Saint-Germain (França) e a recuperar de lesão, só deverá voltar a ser opção após a paragem das ligas para as datas FIFAS dos jogos de seleções, na primeira quinzena de setembro, e apontou para um lugar entre o quinto e o oitavo na Serie A 2022/23 como objetivo da formação da capital onde também alinha o guardião Rui Patrício.

Renato Sanches lesionou-se durante o treino de quinta-feira e neste dia, na conferência de imprensa de antevisão do encontro da Serie A de sábado, diante do Verona, Mourinho esclareceu todas as dúvidas.

«Ele [Renato Sanches] vai voltar depois da pausa dos jogos das seleções. Com o historial médico que tem, pressionar para recuperá-lo muito cedo não é a direção certa. Voltar depois da interrupção vai dar-lhe tempo para recuperar da lesão, e o staff vai dar-lhe a condição», disse o técnico português aos jornalistas, nada apoquentado por, após um 2022/23 marcado por lesões do centrocampista, o infortúnio e a contrariedade lhe baterem de novo à porta.

«Não estou surpreendido. Se Renato não tivesse tido tantas lesões, teria sido titular no PSG e não teria vindo para a Roma. A mesma coisa sucedeu com o Dybala, na temporada passada: tinham muitas dúvidas sobre a condição dele, antes de vi. Tornámo-nos especialistas em trabalhar com jogadores com potencial, para lhes dar estabilidade e voltarem ao nível que tiveram. Esta é a nossa realidade, temos de estar calmos com baixas expectativas», disse ‘Mou’.

Quanto ao plantel, o técnico luso não escondeu que quer mais um defesa-central para atacar 2023/24, e que conta com o avançado norueguês Solbakken.

«Vamos ver se a Arábia [Saudita, proposta milionária de um clube do país] não chega para alguém: é um mercado aberto [até 20 de setembro podem inscrever jogadores] e tudo pode acontecer. O nosso plantel pode melhorar e, pior ainda, o risco existe, está presente. Só temos quatro defesas centrais, mas três laterais-direitos. Trabalhámos desde o início com Celik, Karsdorp e Kristensen, que também podem fazer a posição: se alguém chegar, ótimo; caso contrário, continuamos assim. Solbakken não esteve no último jogo mas sábado estará no banco: a época é longa e todos serão necessários», ajuntou.

Quanto à chegada de mais um avançado - apesar do  iraniano, Azmoun, já estar confirmado, Lukaku é cenário em aberto -, José Mourinho foi cauteloso.

 «É-me difícil falar de Azmoun, mas mais ainda de Lukaku: ainda é jogador do Chelsea. Há treinadores de clubes que escolhem jogadores e quem chega é a primeira escolha. Também os há em Itália, mas na Inglaterra... são todos. Estamos numa situação diferente e o que me foi proposto pelo [Tiago] Pinto [diretor-geral da Roma] foi o Azmoun. Não, como já li ou ouvi, ‘meu’ avançado, mas como um dos ‘meus avançados’. E para ser um dos ‘meus avançados’, se a condição for boa é um jogador que pode ajudar. Esteve muito bem no Zenit, provou ser um jogador muito bom, não foi tão feliz no Bayer Leverkusen. Quando Pinto me propôs Azmoun, disse-me que viria outro. Fico feliz se é um jogador de qualidade, seja Azmoun, Belotti ou outro. Estou quieto e à espera», confessou Mourinho, sem dramatizar a questão, mas a apontar para uma classificação entre o quinto e o oitavo posto na edição 2023/24 da Serie A.

«Se vier Lukaku também? Se formos nós a melhorar sozinhos... O problema é que outros também o fazem. O meu objetivo não pode ir mais longe do que querer ganhar o próximo jogo. Obviamente, Inter, Milan, Nápoles e Juventus disputam abertamente o título e devem terminar nos quatro primeiros lugares. O que a Lazio fez no último campeonato [segunda classificada] foi um feito. Há ainda uma Atalanta que investe muito, a Fiorentina a recusar €45 milhões por um jogador… e isso diz tudo», recordou o técnico português, de 60 anos.

«A Roma não está em condições [de recusar proposta análoga por um jogador], a Fiorentina fê-lo. O nosso papel é tentar lutar por uma posição entre o quinto e o oitavo lugares. Será uma proeza mais do que isso e conseguirmos terminar nos quatro primeiros», foi a meta que, cautelosamente, traçou… para já.