Um Varandas sem graça

OPINIÃO05.02.201900:40

Frederico Varandas quis armar-se em engraçado através de uma estratégia de comunicação desajustada e até imprópria nos termos utilizados, mas acabou por não ter graça alguma, nem sequer imaginação, na medida em que se limitou a fazer eco de ideias que o presidente portista debitara, pelos mesmos dias, na revista do seu clube.  Simples coincidência, por certo, embora não seja de hoje, nem de ontem, esta estranha subserviência que Alvalade tem revelado em relação ao rival nortenho em matéria de política concertada para provocar ruído no bem estar do  inimigo comum, que é o Benfica.

Por motivos que me escapam, resolveu, ou alguém lhe sugeriu que o fizesse, turvar o ambiente em vésperas de dois dérbis, dirigindo um ataque sem nexo à figura do seu homólogo benfiquista em termos e modos que bem se dispensavam e que não dignificaram quem os subscreveu. Terá sido uma questão de estilo. Talvez, ou de falta dele.

Esta campanha de propaganda foi pensada para encontrar retorno na Comunicação Social, mas tudo começou a correr mal desde o  primeiro lançamento, na quinta-feira, em que a mensagem Frederico Varandas ataca Vieira apenas serviu para  incomodar os verdadeiros adeptos, mais preocupados  com a exibição apagada da equipa em Setúbal e consequente perda de dois pontos para os restantes candidatos ao título do que propriamente com os tiques de egocentrismo de quem ainda há pouco chegou ao teatro de operações na qualidade de mais alta figura da hierarquia  leonina.
 
Amais sábia resposta que Luís Filipe Vieira poderia ter dado a Varandas foi não dar resposta alguma. Ignorou-o, pura e simplesmente.  Não se deu ao trabalho  de reagir a linguagem deselegante, nem se deu ao cuidado de despender o seu precioso tempo a alimentar conversa com quem  prefere usar a palavra mais para agredir e ofender e menos para dialogar.

Vieira é de outra estirpe, na verdade. Travou  batalhas imensas para salvar a águia das cinzas,  pôs em marcha  um projeto ambicioso e de notável dimensão, preparou a instituição encarnada para os desafios do futuro e apresenta obra feita, grandiosa e apreciada.  

Varandas, pelos vistos, gosta mais de prometer, e a propósito dos 100 dias da sua sua presidência, uma semana antes do Natal do ano passado, esgotou-se em autoelogios, em traçar cenários e em dizer coisas tão fantásticas como José Peseiro não ser o treinador de que o leão precisava, porque, afirmou ele,  os adeptos acreditam que «o Sporting de Marcel Keizer pode ombrear com os rivais e ser campeão».

Opresidente leonino sentiu-se muito indignado com a reação de Vieira sobre o  desempenho de  Fábio Veríssimo enquanto videoárbitro no jogo da meia final da Taça da Liga,  frente ao FC Porto. O assunto não lhe dizia respeito, mas fica sempre bem defender os amigos, e foi o que fez, ao colocar-se ao lado de Pinto da Costa, com quem parece sentir-se confortável no seleto recato das tribunas de honra.


Vieira não disse nem mais nem menos do que o presidente portista sobre Artur Soares Dias, vítima de encontro provocado por determinado grupo de adeptos com as mais venturosas intenções e que, por acaso, além de ser o melhor árbitro português da atualidade, foi classificado com nota elevada neste último dérbi de Alvalade. E o que afirmou então PC?


«O senhor Artur Doares Dias não tem condições para arbitrar. Se é honesto, não pode apitar e não tem competência para isso.  Não se podem dar estes jogos a árbitros que não têm condições psicológicas para estes momentos. Artur Soares Dias não pode arbitrar mais jogos do FC Porto.»


É claro que Varandas, que tanto se afadigou em desancar Vieira, não se atreveria a idêntico procedimento em relação ao bom companheiro PC, mas, se calhar, convém escolher melhor as companhias  e informar-se sobre os terrenos que pisa. É que quando despediu Peseiro,  o Sporting estava a dois pontos do líder da classificação, agora… está a onze, a oito do segundo e a sete do terceiro.


Nota final - Bruno Fernandes, além de excelente praticante, é inteligente e pensa pela sua cabeça. Por isso foi certeiro nas declarações após o dérbi de anteontem: «O Sporting tem de começar a fazer as suas próprias contas e não as das outras equipas. Temos feito as contas àquilo que os outros podem fazer e temo-nos esquecido de fazer as nossas contas».


Para bom entendedor... Trata-se de um recado pertinente, dirigido a quem se preocupa mais com as discussões  na casa do vizinho em vez de cuidar, antes, dos seus próprios problemas.