Sporting: vitória ou adeus

OPINIÃO09.01.201900:16

Depois do descalabro em Tondela (1-2) onde o Sporting, como em Guimarães, voltou a ficar abaixo das expectativas (embora tenha criado oportunidades, algumas das quais desperdiçadas de forma infantil… a falta que faz Bas Dost!) Marcel Keizer não precisa de fazer muitas contas relativamente ao clássico de Alvalade. A situação é muito clara: os leões estão a oito pontos do FC Porto e só com uma vitória poderão dizer que ainda estão a lutar pelo título. Qualquer dos outros dois resultados (empate ou triunfo dos campeões) significará, em nossa opinião, baseada no bom senso e no histórico das últimas décadas, que o Sporting estará praticamente arredado do objetivo que afanosamente persegue desde maio de 2002: o título nacional. Acrescente-se que uma eventual vitória do FCP representaria um novo recorde nacional de vitórias seguidas para o clube - 19 ! - e a confirmação de Sérgio Conceição no gotha dos grandes treinadores portistas, um mês depois da qualificação para os oitavos-de-final da Champions com uma pontuação recorde. Enfim, um daqueles casos em que não há coincidências.


Por aquilo que se tem visto até ao momento, mora em Braga o adversário mais perigoso do líder. Além de estar dispensado do desgaste europeu, o SC Braga é a equipa que apresenta o futebol mais sólido e consistente a seguir ao FC Porto que tem sido, com clareza cristalina, a melhor equipa do campeonato. Há quem tente menorizar a campanha de Sérgio lembrando os consecutivos erros e omissões arbitrais que têm beneficiado o FCP nos últimos jogos. É um facto que têm. Negar isso seria uma patetice: as pessoas têm olhos na cara. Mas atentando no que os cavalões do FCP jogam (como disse com muita graça o Santos Neves) torna-se difícil atribuir apenas às malfeitorias e omissões do VAR e quejandos a impressionante sequência vitoriosa do líder. Talvez seja mais honesto admitir que o FCP compete muito melhor que os adversários diretos e está no lugar que está [acima de tudo] por mérito próprio. Por ser objetivamente melhor. Exatamente como era o Benfica de Jorge Jesus e até de Rui Vitória (fase inicial), ainda que protegido pelo «colinho» e outras redes de segurança.


Sporting e Benfica têm pontos em comum. Nenhum deles tem uma ideia de jogo suficientemente trabalhada e enraizada. É verdade que o futebol dos leões com Keizer tem sido bem mais apelativo que o do Benfica de Vitória… mas defendem ambos mal. O que é um pecado sem remissão no futebol de alta-competição. E parecem emocionalmente instáveis, voláteis, quando comparados com a fortaleza mental do coletivo portista (querem um exemplo? aquele impressionante assédio final à baliza do Belenenses no recente jogo do Jamor assim que Sérgio Conceição se deu conta que a qualificação para a final four estava em risco…). E há mais um ponto importante. Nem Sporting nem Benfica mostram a sanha competitiva - e a aversão epidérmica à derrota - que Sérgio Conceição reinstalou no Dragão (lembre-se o que ele disse no final do jogo que perdeu na Luz). Não sei se o Benfica, enredado em folhetins de mau gosto caucionados por Luís Filipe Vieira, ainda vai a tempo de salvar a época apregoada de «reconquista». O que sei é que o Sporting só vencendo o clássico evita que o jejum no campeonato se encaminhe para uns penosos 17 anos (2002-2019). O anterior chegou a 18 (1982-2000). Alvalade precisa de ver o melhor onze dos leões - com Bas Dost, evidentemente - para Marcel Keizer poder jogar olhos nos olhos com Sérgio e ganhar-lhe o clássico. A vitória dos leões é possível. O pior é o resto. Os Tondelas desta vida.