Porque o destino não joga à bola

OPINIÃO14.08.202004:00

Já começou a corrida

E já começou a corrida das contratações, perdão, dos reforços, quero dizer, das aquisições e suas comissões. O vencedor proclamado e aclamado é o mesmo que a priori já estava anunciado. Aqui não houve nem haverá espaço para surpresas. Nem para milagres - sejam desportivos ou financeiros.  Ainda assim, talvez seja curial fazer recordar que o destino não joga à bola. E também, já agora, que o livre-arbítrio está para o árbitro livre como a obra prima do mestre está para a prima do mestre de obras.

A máscara sem rosto

Foi no seio da cultura ateniense que as máscaras foram usadas pela primeira vez. Sucedeu no quadro celebratório das festividades Dionísicas, isto é, em honra do Deus do vinho. Nessas festas tornou-se costume adquirido beber, cantar e dançar ostentando máscaras, as mais das vezes concebidas com folhas de parreira. E isto era assim porque, precisamente, se acreditava que, nessas especiais ocasiões, Dionísio estaria presente entre os mortais. Não se sabe, porém, se eram estes que aspiravam à imortalidade ou, ao invés, se seria aquele a desejar a precariedade da vida. Já no teatro clássico o uso das máscaras foi adoptado por uma dupla razão: i)  por um lado, para conferir aos actores a aparência que lhes exigia o papel a representar; ii) por outro, com o intuito particular de melhor fazer ressoar (per sonare, ou seja,«soar através de») as vozes daqueles. Aliás, a máscara teatral helénica caracterizava-se, tipicamente, por um estilo muito peculiar, decorrente do efeito que se pretendia espelhar em cena. Deste modo, para que todo o público pudesse assimilar a verdadeira natureza das diferentes personagens, as máscaras ostentavam, além de traços bem mais expressivos, vincadamente acentuados, uma exagerada desproporção de escala face à real medida dos rostos dos actores. Mas logo, muito rapidamente, como se fossem dotadas de autonomia, as máscaras converteram-se em instrumento sugestivo de ilusão quase fantasmagórica. Aliás, lembre-se, o vocábulo mascus, ou masca, significava «fantasma». Quer dizer, tais máscaras deixaram de ser um mero adereço cenográfico para se convolarem em efectivo símbolo de carácter enganoso. A palavra latina que designava tal tipo de máscara era Persona, que veio dar origem ao conceito de Pessoa.

No teatro da vida presente é importante ter noção de que só haverá futuro se tiver havido passado. Dito por outras palavras:  o homem não deixa de ser o que é e quem é por usar uma máscara. O perigo maior reside no território onde é o próprio rosto a esconder a verdadeira identidade.

Entrevista rápida

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- O que eu acho? Desta situação? O que há por achar quando um sujeito como você se atreve a fazer uma pergunta a um homem como eu?

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