2018 foi o ano de Bruno de Carvalho

OPINIÃO30.12.201823:01

No exercício de identificar a personalidade do ano, sigo o critério da Time que privilegia, sem mais, o impacto que cada candidato teve ao longo dos 12 meses. Por isso, indivíduos como Hitler, Estaline, Kohmeiny ou Trump tiveram honras de eleição, sem que isso derivasse das melhores razões. Por cá, no que respeita ao desporto, torna-se evidente que Bruno de Carvalho arrasou a concorrência. Em Fevereiro pedia meças ao Leonardo de Caprio no grito «I’m the king of the world»; seguiu-se a derrota em Madrid, um post surrealista e de repente o brunismo começou a ruir qual castelo de cartas, de mal a pior, das cenas tragicómicas após o jogo com o Paços de Ferreira, à verdadeira tragédia de Alcochete. Não tenho memória de ver um descalabro tão à velocidade da luz, de assistir a um desatino tão alucinado que, finalmente, conheceu fim na AG da Altice Arena, quando a maioria silenciosa de Alvalade abandonou o torpor, acordou do canto da sereia que lhe prometia grandeza e devolveu o Sporting ao trilho certo.


Para o País, o brunismo foi uma lição importante, que serviu de vacina contra males semelhantes, de génese populista, que podiam afetar outras áreas, à imagem do que aconteceu e acontece no estrangeiro. Por tudo isto, o ano de 2018 teve em Bruno de Carvalho o protagonista maior, pela marca indelével que deixou, pelas piores razões, na sociedade portuguesa.


Mas falar de 2018 sem abordar o cerco montado ao Benfica, que teve o auge na acusação do Ministério Público à SAD no caso e-toupeira, seria como ir a Roma e não ver o Papa. Os últimos dias, com a não pronúncia da SAD, foram de alívio para a nação benfiquista. Mas, quer como acusador, no caso do roubo e divulgação dos emails (uma prática que continua ininterrupta!!!), quer jogando à defesa em vários processos que seguem o seu curso, o Benfica terá caminhos cruzados com a justiça em 2019, sem esquecer o julgamento de Paulo Gonçalves, que não deixará de afetar a imagem do clube.


Uma palavra final para a violência, presente este ano em Alcochete e no ataque ao autocarro da casa do Benfica de Barcelos, como no ano de 2017 tinha feita aparição pública na batalha entre hooligans de Benfica e Sporting, que culminou com a morte de um adepto italiano. Faço votos que 2019 traga uma nova lei contra a violência no desporto e que o mínimo que dela se diga seja dura lex sed lex.