Rodrigo Mora e André Villas-Boas (foto FC PORTO)
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Villas-Boas fala de Mourinho, Farioli e deixa uma certeza: «Mora pode ser de topo com Gasperini»

Presidente do FC Porto falou sobre a mudança do criativo para a Roma, elogiou o 'Special One' e também o treinador do FC Porto. Abordou também o tema da centralização dos direitos televisivos

Em entrevista ao Corriere Dello Sport, André Villas-Boas, fez uma ampla reflexão sobre o momento do futebol nacional e internacional, passando pela sua transição para a liderança diretiva, a análise a técnicos de renome e as reformas necessárias no desporto.

Questionado sobre as saudades dos bancos de suplentes — depois de um percurso onde conquistou sete troféus em cinco anos entre o FC Porto e o Zenit, incluindo uma Liga Europa —, o dirigente vincou o contraste entre as duas funções: «Como treinador estás mais vinculado à emoção e às estratégias, como presidente há apenas o sofrimento.»

No que diz respeito a figuras ligadas ao universo portista, o líder dos dragões elogiou José Mourinho e o seu momento competitivo. «O José continua entre os melhores do mundo, eu sempre soube disso. E agora treina o melhor clube do mundo. Pena que haja o Barcelona. Encontra-o num grande momento, como daquela vez que deixou o Inter. Mas estes são os desafios de que o Mou mais gosta», sublinhou. Já a propósito do confronto desportivo com o Benfica, considerou tratar-se de «um duelo que faz bem ao futebol português», lembrando: «De momento, porém, os campeões somos nós.»

O José [Mourinho] continua entre os melhores do mundo, eu sempre soube disso. E agora treina o melhor clube do mundo. Pena que haja o Barcelona. Encontra-o num grande momento, como daquela vez que deixou o Inter. Mas estes são os desafios de que o Mou mais gosta

Houve igualmente espaço para avaliar o trabalho de Francesco Farioli: «É muitíssimo bom, estamos mesmo felizes com ele. Trabalha sempre na intensidade, na pressão, na velocidade, leva os jogadores além dos limites. Os rapazes suam a camisola, como vocês dizem em Itália, e os adeptos gostam.»

O líder portista falou ainda sobre a mudança de Mora para a Roma: «Mora com Gasperini pode tornar-se num de topo no mundo. Era um ídolo dos adeptos e uma joia do nosso plantel, mas a grande competitividade interna fez com que tivesse mais minutos do que esperava. Decidimos, então, ouvir propostas, e a Roma mostrou-se realmente determinada em contratá-lo», historiou.

«Acho que é um dos jogadores com mais talento técnico que há. No futuro, com o trabalho tático de um mestre como o Gasperini, pode tornar-se um jogador de classe mundial. E fisicamente? Bem, não vai crescer até aos 1,83 metros. Se está a falar de ganhar músculo, diria que não: já tem qualidade suficiente nos pés. Mora encontrará o seu lugar e encantará Roma, disso tenho certeza. Ele tem uma personalidade incomum e habilidade técnica, e quer ter uma grande carreira», garantiu o líder portista.

Acho que é um dos jogadores com mais talento técnico que há. No futuro, com o trabalho tático de um mestre como o Gasperini, pode tornar-se um jogador de classe mundial

Villas-Boas apontou também aquelas que acha serem as lacunas estruturais e técnicas em Itália. «Por um lado, há a crise da seleção nacional, que tem uma relação direta com a formação de jogadores e de treinadores. Tiveram sempre uma grande escola de técnicos, mas penso que nestes anos a renovação estagnou um pouco. E os jovens e bons, como Farioli e De Zerbi, trabalham no estrangeiro. Por outro lado, há o grande tema dos estádios», alertou.

Mora com Gasperini pode tornar-se num de topo no mundo

Já quanto ao panorama português, para lá da mediatização do caso Ronaldo, o presidente portista colocou a tónica no crescimento organizativo e estrutural da Liga.

«Em 2028 chegará finalmente a centralização dos direitos televisivos. Temos equipas que não estão bem do ponto de vista infraestrutural e isso é um problema. Tecnologia, VAR, número de câmaras, formação, fora de jogo semiautomático: há muito por onde crescer. O campeonato tem também 18 equipas e são demasiadas. A França não está distante, embora os clubes de lá tenham mais dinheiro; vamos ver se em dez anos os apanhamos», concluiu.

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