Um Benfica mais à Benfica
Toni fez 80 anos e só isso obrigaria a todos uma reflexão: o que é um Benfica à Benfica? Há uma ideia que vem desde há muito, talvez se tenha dissipado na modernidade do futebol - é só desse que aqui falo -, mas que vive no imaginário de todo o adepto encarnado que cresceu com o que os antepassados lhe foram passando.
Essa ideia, em termos futebolísticos, é de que o Benfica tem de jogar «p’rá frente». Dizia-me alguém durante o jogo com o Celtic que o Benfica dava sempre a sensação que vai sofrer um golo. A resposta não demorou: mas também dá sempre a impressão que vai marcar.
Ninguém duvida de que os adeptos encarnados tenham ficado encantados da vida com o título de Trapattoni, até porque acabou com o longo jejum de 11 anos sem um campeonato. Mas cumprindo ser Benfica pela vitória, essa versão não foi Benfica na plenitude.
Ainda sem ganhar absolutamente nada e com cinco pontos de atraso para o líder FC Porto diria que esta equipa de Marco Silva está muito mais perto de ser um Benfica à Benfica que aquela de Trap.
Os mesmos jogadores que Mourinho tinha estão hoje num patamar mais elevado. Todos melhoraram com Marco Silva e até a gestão do balneário parece agradar aos futebolistas. Isso vê-se pelo modo como o técnico aborda a questão Trubin/Samuel Soares, mas sobretudo pelas palavras de Jhon Durán sobre Pavlidis ser o titular e merecê-lo.
Os papéis parecem claros e assumidos no plantel, sabendo que as opções podem mudar.
Marco Silva está a recuperar uma identidade que não se via desde o primeiro ano de Schmidt, mas o técnico, e todo o país, sabe que o Benfica para ser o Benfica com que os adeptos sonham, tem não só de jogar um futebol ofensivo como vencer títulos. Se perguntarem a Toni, que esta semana fez 80 anos, talvez vos diga que, às vezes, nem isso chega…