Este é o terceiro Mundial para Taís     Fotografia Imago
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Taís Pina: «Não estou no pico de forma, mas vou com toda a garra»

Ainda com um dedo da mão que parece dois (ou três), olímpica do Algés consegui recuperar a tempo para conseguir estar no Campeonato do Mundo de Baku-2026 numa temporada em que esteve privada de poder competir em algumas provas, mas que agora já está a contar totalmente para a qualificação rumo aos Jogos Los Angeles-2028

Ainda uma das promessas do judo nacional — já tendo conquistado o duplo bronze nos Europeus de sub-23 em Potsdam 2023 e Chisinau 2025, além de ter alcançado a qualificação para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 ainda como júnior —, Taís Pina (-70 kg) é a única judoca da Seleção a entrar em ação esta quinta-feira, no quinto dia do 39.º Mundial em Baku-2026, no Azerbaijão.

Tal como aconteceu com Catarina Costa (-48 kg), Patrícia Sampaio (-78 kg) e Jorge Fonseca (-100 kg), também a judoca do Algés, de 21 anos, não pôde marcar presença, em abril, no Europeu de Tbilisi por ter sido operada. No seu caso, a intervenção cirúrgica foi ao dedo médio da mão esquerda, devido a uma fratura que se agravou num estágio realizado em Espanha.

Depois da estreia mundial sénior em Abu Dhabi 2024 e de ter voltado a repetir a presença no evento em Budapeste 2025, Taís (17.ª do ranking), que ficou isenta da ronda inaugural, terá pela frente na segunda eliminatória a russa Madina Taimazova (9.ª), 3.ª classificada precisamente no Europeu disputado na Geórgia.

Seleção Feminina

-48 kg Catarina Costa 8.º Mundial Académica

-63 kg Joana Crisóstomo 2.º Mundial U. Lusófona

-70 kg Taís Pina 3.º Mundial Algés

-78 kg Patrícia Sampaio 6.º Mundial Gualdim Pais

+78 kg Rochele Nunes 5.º Mundial Benfica

— Como é que se encara um terceiro Mundial aos 21 anos, uma competição onde ambiciona chegar ao pódio, e o que é que este campeonato significa para ti?

— Neste Mundial espero dar o meu melhor, pois os últimos dois não foram tão bem conseguidos. Em ambos ganhei o primeiro combate e perdi o segundo, por isso neste ambiciono dar o máximo, como tenho sempre em vista. Venho de um período pós-operatório devido a uma lesão, por ter fraturado um dedo, mas penso que as expectativas estão controladas.

— Essa lesão, que foi complicada e a impediu de ir ao Europeu em abril — outro dos momentos importantes da temporada —, obrigou a uma operação. Esteve com ferros no dedo, que ainda está algo inchado. Conseguiu ter tempo nessa recuperação para alcançar o nível que desejava para o Mundial?

— Claro que foi um bocado repentino, não estou tão bem como pretendia estar, mas, depois da intervenção cirúrgica, este ano já participei em duas provas antes do campeonato. Consegui resultados [7.ª no Grand Slam de Lausana e 5.ª no Grand Slam de Budapeste] que não foram os que gostaria, mas fiquei satisfeita e contente por ter podido voltar a competir e sentir que as coisas estão a evoluir passo a passo…

Seleção Masculina

-60 kg Bernardo Tralhão 1.º Mundial ACM

-66 kg Miguel Gago 2.º Mundial Académica

-73 kg Otari Kvantidze 3.º Mundial Sporting

-100 kg Jorge Fonseca 10.º Mundial Sporting

— Que está tudo a correr bem?

— Sim, mas claro que sei que não estou no meu pico de forma para o Mundial. Ainda assim, vou com toda a garra, como sempre.

— Durante o tempo em que esteve em recuperação, em que não podia fazer judo por estar com ferros no dedo, e mesmo depois, deu para evoluir em alguma coisa?

— Consegui. Logo no início, como não conseguia agarrar muito bem, tive oportunidade de treinar outras técnicas e encontrar outras soluções de combate. Procurei mudar um bocadinho o meu judo para saber que tenho outras formas de fazer certas técnicas, diferentes daquelas a que já estava habituada.

— E o que é que procurou mudar no seu judo?

— Sobretudo fazer mais técnicas à esquerda, que não é o meu forte e também não é o habitual.

— E essa mudança — ou melhor, a aprendizagem de outras técnicas que não utilizava nos combates — foi um ponto de partida a caminho dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028?

— Talvez… Fazer judo à esquerda não é o meu lado forte, por isso acho que serviu principalmente para me manter ativa enquanto não podia fazer as coisas de que gostava anteriormente. Foi uma forma que encontrei de continuar a fazer o trabalho necessário, só que de uma maneira um bocadinho diferente.

— Foi aos Jogos Olímpicos de Paris 2024 ainda júnior. Depois de Telma Monteiro, foi a única a consegui-lo. Disputar o Mundial é muito diferente de estar nos Jogos? Claro que existe a Aldeia Olímpica e outra grandeza em tudo, mas quando se entra no tapete, o ambiente no que se refere à parte da competição é diferente?

— Acho que só é diferente devido à grandeza dos Jogos. No fundo, é mais uma competição muito importante, onde também quero mostrar aquilo de que sou capaz.

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