Mundiais: Taís promete «dar o melhor», Crisóstomo sai «contente»
Taís Pina e Joana Crisóstomo encaram os Mundiais de Baku com objetivos distintos, mas uma ambição comum: aproveitar a oportunidade e deixar uma marca numa competição que reúne a elite mundial. A mais jovem judoca da seleção portuguesa, de 21 anos, vai competir nos -70 kg, enquanto Crisóstomo, de 24, estreia-se na categoria de -63 kg.
Taís parte para a competição de quinta-feira com vontade de superar os resultados alcançados nas duas últimas participações. «Espero dar o meu melhor, claro, o meu máximo. Ter um melhor resultado do que os dois Mundiais passados, em que consegui o nono lugar, ganhei um combate e perdi a ronda seguinte», afirmou à Lusa. «Espero dar o melhor de mim, o máximo, com garra e estar sempre com a minha atitude.»
A judoca do Sport Algés e Dafundo chega a Baku depois de um início de ano que incluiu o quinto lugar no Grand Slam de Paris, mas também de uma paragem provocada por uma lesão numa mão, que condicionou a preparação e deixou Taís Pina fora de várias provas, mas não alterou a ambição para os Mundiais. E o desafio será exigente logo à entrada: sem estatuto de cabeça de série, a portuguesa vai defrontar na segunda ronda Madina Taimazova, sétima favorita e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
A atleta não pretende, contudo, abdicar do estilo ofensivo que a caracteriza, apesar de admitir que deve ter mais paciência. «É uma coisa que falo com o meu treinador, tenho que ter mais paciência. Claro que não é o meu estilo de judo, mas, a nível sénior, tenho que saber gerir bem o combate, também taticamente, porque pode custar-me uma medalha, por exemplo»
«Sentimento agridoce»
Antes de Taís Pina, Joana Crisóstomo já entrou em ação em Baku, nos primeiros Mundiais na categoria de -63 kg. A judoca da Universidade Lusófona venceu os dois primeiros combates, diante da australiana Saya Middleton e da bielorrussa Yana Makretskaya, ambos por ippon, antes de ser eliminada pela japonesa Haruka Kaju, nos oitavos.
«Foi com essa mentalidade que entrei nos dois combates, sempre a acreditar e confiante que tinha de andar para a frente. Depois, no terceiro combate, é um bocadinho agridoce, porque é uma atleta muito forte e muito experiente, e notei, claramente, a diferença no combate. Mas fico contente por ter conseguido lutar contra provavelmente a melhor atleta da categoria», afirmou.
As duas primeiras vitórias mostraram também a identidade de Crisóstomo. «Gosto muito de fazer um judo um bocadinho mais aberto, ou seja, posso sempre ser contra-atacada, mas eu gosto muito de projetar, gosto de fazer um judo bonito e tento sempre procurar isso. Então às vezes também perco por gostar tanto e de ser um judo mais aberto, mas acho que o facto de conseguir estar a projetar dá-me mais confiança», explicou.
A mudança para os -63 kg representa uma nova etapa na carreira. A judoca aproveitou a vitória no Open de Praga, em junho, para ganhar espaço no circuito internacional e acabou por receber a confiança da federação para competir nos Grand Slam de Lausana e Budapeste.
«Ao ter vencido o Open em Praga, numa nova categoria, porque comecei do zero, deu-me portas para que a federação apostasse em mim», contou. «Para já quero agradecer à federação, porque realmente eles viram ali uma brecha para eu conseguir entrar entre os 100 melhores e tentaram com que eu entrasse.»
A competição individual dos Mundiais de Baku prolonga-se até sábado e Portugal terá ainda em ação três medalhados olímpicos: Patrícia Sampaio, nos -78 kg, Jorge Fonseca, nos -100 kg, ambos na sexta-feita, e Rochele Nunes, nos +78 kg, no sábado.