«Sporting reduzia o contrato, mas disseram-me: ‘Foste mãe, és um tiro no escuro’»
Cinco meses depois de ter sido mãe, a atleta olímpica Cátia Azevedo viu o contrato com o Sporting terminar e ficou desempregada numa altura crucial da preparação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Após 18 anos a representar os leões, a recordista nacional dos 400 metros assume ter ficado desiludida pela forma como foi tratada pelo diretor técnico do atletismo leonino, que lhe tinha assegurado na última renovação que manteria até 2028 as mesmas condições contratuais, mas que agora falhou a palavra, como confessa em conversa com A BOLA.
«Não estava à espera de viver esta situação. Para começar, é fundamental que as pessoas percebam que eu não ia sair de um clube no qual estou há 18 anos, depois de ter sido mãe só porque sim. Isso não aconteceria se me tivessem dado as mesmas condições que eu tinha», começa por esclarecer, numa reação à posição do clube, que divulgou ter feito uma proposta pelos mesmos valores, mas que a mesma tinha sido rejeitada pela atleta de 32 anos.
«Numa primeira reunião que tive com o Paulo Reis e o Miguel Afonso, vice-presidente do clube, foi-me apresentada uma proposta de um ano com redução do valor, o que eu rejeitei logo», revela, defendendo que tal era inaceitável.
«Eu não fiz nada para ter uma redução. Dos 18 anos em que corri pelo clube, 16 foram com vitórias, resultados e representações ao alto nível», aponta.
Cátia Azevedo, que é casada com o também atleta do Sporting Tsanko Arnautov, entende que o passado e dedicação que teve ao clube não foi tido em consideração, além de que lhe tinha sido prometido por Paulo Reis, aquando da última renovação, a manutenção das condições por mais dois anos.
«Eu pedi estabilidade. Expus que precisava de dois anos porque não sei se num ano estarei nas condições a que sempre habituei o clube. Na renovação anterior, eu tinha pedido quatro anos de contrato para preparar o ciclo olímpico para LA, assinei por dois anos com o compromisso de manter as condições por mais dois. Vale o que vale, mas o Paulo Reis disse-me que se me acontecesse alguma coisa, eu teria as mesmas condições até 2028 e falhou a promessa», realça.
De resto, a intransigência e falta de empatia do responsável do atletismo do clube de Alvalade foi aquilo que mais a desiludiu.
«Ele disse-me: ‘foste mãe. És um tiro no escuro, não sei como virás’. Como eu tive uma lesão antes de ser mãe, ele disse que eu não dei nada ao clube nos últimos dois anos», acrescenta.
(em atualização)