Ruben Amorim: «A idade não importa! Quem está melhor joga, tenha 18 ou 40 anos»
A viver os primeiros tempos no comando do AC Milan, numa época de exigência máxima na Serie A, Ruben Amorim concedeu uma extensa entrevista ao canal Sky Sports Italia para fazer o ponto de situação do projeto rossonero. O técnico português, que assumiu a liderança do gigante italiano com o objetivo de devolver o clube aos grandes títulos internos e europeus, abordou o método de trabalho, a relação com as estrelas do balneário e o critério de escolha na hora de formar o onze inicial.
E, entre as várias reflexões deixadas ao canal italiano, uma frase do treinador sobressaiu pela clareza e pelo pragmatismo com que gere os nomes consagrados e os jovens emergentes no plantel de San Siro: «A idade não importa, eu não diferencio jogadores por aí», atirou o técnico, sublinhando que no seu modelo de liderança o rendimento diário, a intensidade nos treinos e a resposta tática em campo se sobrepõem a qualquer estatuto, currículo ou data de nascimento.
As declarações de Amorim em Itália surgem focadas na realidade do futebol transalpino, mas o impacto da mensagem atravessa fronteiras e ecoa no conturbado momento do futebol português. Num período em que a gestão dos veteranos e a transição geracional no balneário da Seleção Nacional dominam todas as atenções — na sequência do diferendo entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo —, a posição vincada do ex-técnico do Sporting e do Manchester United oferece uma visão contundente.
Na entrevista, Amorim fez questão de enfatizar que o respeito pelo historial de um futebolista não pode colidir com as exigências do futebol moderno. Para o timoneiro do AC Milan, a capacidade de correr, cumprir papéis táticos rigorosos e manter a competitividade ao mais alto nível é o único bilhete de identidade válido para ter lugar na equipa.
«O que me interessa é o que o jogador entrega ao coletivo hoje. Se tem 18 ou 40 anos, para mim é exatamente igual. Quem demonstrar nos treinos que está em melhores condições para ajudar a equipa a ganhar vai jogar», sustentou, vincando a autonomia da equipa técnica na tomada de decisões.
O treinador abordou ainda a forma como constrói a relação de confiança com os atletas mais experientes, garantindo que a frontalidade é o pilar fundamental para evitar mal-entendidos e crispações no balneário: «Os jogadores maduros percebem perfeitamente quando as escolhas são feitas com base na honestidade e na coerência. Se a comunicação for direta desde o primeiro dia, o grupo aceita as opções e trabalha unido em prol do objetivo comum.»
Com o AC Milan em fase decisiva na luta pelos lugares cimeiros do calcio, o discurso de Ruben Amorim reforça a imagem de um líder inegociável nos seus princípios, cuja filosofia de meritocracia pura promete continuar a dar que falar, quer em San Siro, quer na reflexão mais ampla sobre o papel da veterania no futebol de elite.
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