O selecionador nacional, Francisco Neto - Foto: Estela Silva / Lusa
O selecionador nacional, Francisco Neto - Foto: Estela Silva / Lusa
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Novidades, ausências e o caso Jesus/Ronaldo: tudo o que disse Francisco Neto

Selecionador da equipa nacional feminina anunciou esta quinta-feira a lista de 26 convocadas para o play-off de acesso ao Mundial, frente à Irlanda do Norte

Francisco Neto, selecionador da equipa nacional feminina, justificou esta quinta-feira a escolha das 26 eleitas para os encontros com a Irlanda do Norte, relativos ao play-off de apuramento para o Mundial.

— Há algumas novidades. Francisca Castro, uma jogadora muito jovem, 18 anos, Carolina Tristão, de 17. Já sente que estão preparadas para a exigência da seleção principal?

— Sim. Temos também a Nair, que é uma estreia. São jogadoras que estão a fazer o seu percurso, que ainda agora estiveram brilhantemente no Campeonato do Mundo, e sentimos, pelo que produziram no Campeonato do Mundo, pelo enquadramento em espaço de clube e pelo nosso momento enquanto seleção, as necessidades que temos pelas posições, que seria um bom momento para trazê-las. São jogadoras de seleção com muita experiência nas camadas jovens e é o processo normal de todas as atletas. Não quer dizer que irão permanecer para sempre connosco. Vêm, vão ser observadas, vamos ter um cuidado especial, porque sabemos o tipo de jogadoras que são, mas acreditamos muito que nos podem aportar em treino e em jogo. Têm de trabalhar como toda a gente, para provar o seu valor.

— Que dificuldades espera desta Irlanda do Norte?

— É uma equipa que nunca esteve num campeonato do Mundo, mas já esteve em campeonato da Europa, tem vindo a crescer, jogámos contra ela há relativamente pouco tempo. Tem crescido nas suas opções, na competência e na qualidade. Serão dois jogos bastante competitivos, na dimensão física, intensidade, mas a equipa que estiver mais concentrada nos dois jogos será a que passará ao play-off seguinte. E nós queremos e temos essa obrigação de sermos altamente competitivos para podermos ganhar os dois jogos.

— Telma Encarnação vinha de uma lesão, na última convocatória ainda não estava a 100%. Quão importante é este regresso?

— Sim, é importante. É uma jogadora que sempre que esteve bem esteve connosco, sempre nos ajudou. Felizmente está a passar um bom momento no clube. Fez uma pré-época sem grandes lesões, sem grandes percalços. Está a ajudar o seu clube nos objetivos e por isso faz todo o sentido estar connosco. E estamos muito felizes por poder contar com a Telma.

— Nair mostrou grande potencial dentro da baliza, principalmente penáltis. Já pensou nisso?

— A Nair fez um campeonato do Mundo muito competitivo. Ficámos muito contentes com a prestação da Nair e agora será mais uma entre as três guarda-redes. É a primeira experiência dela em seleção A, terá o enquadramento dela, terá também o ajuste, porque jogar nas sub-20 é diferente, vamos ver como ela dá a resposta. E se der uma resposta positiva, porque não? Nesse momento partimos todos do mesmo ponto. Cabe-nos a nós, equipa técnica, estrutura, dar o máximo de enquadramento às nossas jogadoras para que no dia em que formos a jogo todas estejam aptas para ajudar Portugal.

— O primeiro jogo é fora, num relvado sintético e de dimensões reduzidas. Isso preocupa-o? E, se me permite, gostaria de saber a sua opinião acerca da situação entre o seu colega Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo, com quem há muito se cruza na Federação.

— Não vou comentar, estamos em espaço de seleção A, é um processo de seleção masculina, não me cabe a mim tecer comentários, desejo toda a sorte do mundo para a equipa logo, e que ganhem o jogo, que é o mais importante. Em relação às condições, são as condições que temos. Tivemos o cuidado de estar na Irlanda do Norte, analisar, perceber, sentir o que é o relvado, as dimensões. Iremos também a preparar o jogo em função desse espaço e das condições que temos. Quando representamos Portugal, seja em que relvado for, não pode ser desculpa, estejamos mais ou menos habituados, quando vestimos a camisola, não podemos ter medo dos desafios, será um desafio extra, mas acredito que não servirá de desculpa.

— Andreia Norton regressa. Como é que pretende conciliar estas jogadoras de perfil mais técnico com jogadoras com mais físico?

— A Andreia consegue dar as duas coisas. É das jogadoras mais técnicas, que melhor utiliza o corpo nos duelos. É muito importante nessa situação. Ainda ontem no jogo contra o Bayern, notou-se a sua capacidade de rodar, a sua capacidade de choque. Aporta-nos essa capacidade de drible e de condução. Estamos muito felizes por vê-la outra vez no relvado a ajudar o seu clube e, fruto disso, poder estar aqui a ajudar. Não queremos médias iguais, nunca o quisemos. Queremos médias diferenciadas que nos consigam aportar em função das nossas necessidades. Jogadoras mais de passes, jogadoras mais combativas, jogadoras mais técnicas, jogadoras mais de condução. Depois é o nosso trabalho, enquanto treinadores, perceber o que o jogo está a pedir. Felizmente temos médias que nos aportam coisas diferenciadas e ficamos muito contentes com o regresso da Andreia.

Desde a última convocatória, houve mudanças de clubes nas jogadoras. Quais os desafios?

— O grande desafio foi perceber o enquadramento das jogadoras sempre que há mudanças. Cabe-nos perceber qual o enquadramento das jogadoras. Para nós é muito importante perceber o que é que na Turquia o treinador do Galatasaray tem pedido às nossas jogadoras. Há processos que vamos aproveitar e há processos que não. Não são certos nem errados, podem ser diferentes e nós temos de perceber isso, para fazer rapidamente o enquadramento das jogadoras, avaliar e perceber se estão realmente aptas ou não para estarem na seleção.

— Pauleta saiu com algumas queixas do jogo do Benfica com o Bayern. Está em dúvida?
— A Pauleta sai do jogo relativamente cedo. Temos os departamentos médicos em comunicação, que é o procedimento normal, o departamento médico da seleção e o do Benfica. Para já, com as condições que temos, fará todo o sentido ela estar convocada, e depois será sempre reavaliada. Até à hora da convocatória, não havia impedimento de nenhuma jogadora. As jogadoras que jogaram ontem têm hoje uma reavaliação por parte dos seus clubes e os clubes depois informam a Federação se houver algum problema e nós tomamos a decisão.

— Regresso da Andreia Norton. Uma análise à jogadora.
— A Andreia tem vindo a crescer, até nos minutos de utilização. Tem feito sempre cerca de de 30 a 45 minutos, sempre com muita intensidade. Independentemente disso é uma jogadora que está apta para jogar 90 minutos, tendo em conta conversas que temos tido com o Benfica e que eu tenho tido diretamente com o treinador. Está completamente apta para jogar. Temos observado coisas muito positivas. Acima de tudo, voltámos a ver a alegria dela. Ainda ontem quando entrou, vimos o atrevimento da Andreia a querer ter bola, não ter medo, não se esconder do jogo, querer sair no drible mesmo às vezes podendo não tomar tão boas decisões, fruto da ânsia de querer fazer as coisas. É uma jogadora sempre muito ligada ao jogo, que traz coisas diferentes. Agora sabemos que tem ainda muita margem para crescer. Estamos no início da época e as coisas vão sorrir à Andreia de certeza.

— Diana Silva e Ana Capeta, por motivos diferentes, não podem constar desta convocatória. Como se prepara com soluções diferentes?
— Sim, há duas situações diferentes, a da Capeta, infelizmente, com infortúnio, uma lesão com alguma gravidade como é um cruzado, está a fazer o seu processo de recuperação. Já tive a oportunidade de estar com ela em Turim. Está animada, com força, tem todas as condições para poder fazer uma boa recuperação. A Diana por um motivo que muito nos alegra, desejamos-lhe todas as felicidades, que viva este momento com a sua família da melhor forma. São duas jogadoras muito importantes, se calhar as duas avançadas mais agressivas neste momento, mas temos um leque de avançadas que têm trabalhado connosco durante muito tempo. Terão de aproveitar uma oportunidade como esta. Os movimentos da Telma são diferentes dos da Capeta, os da Jéssica são diferentes dos da Diana. Temos de respeitar quem está à nossa volta. E cabe-nos desenvolver isto nas jogadoras para perceberem quem é a colega que lá está dentro, para que a fluidez não se perca. O nosso erro será se jogarmos achando que queremos jogar como se fosse outra. Normalmente temos sempre um plano A e um plano B e muitas vezes até durante o jogo fazemos essa alteração estrutural para poder ajudar a jogadora portuguesa dentro e criar desequilíbrios nos seus adversários.

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