Luís Guilherme cumpre segunda época de leão ao peito - Foto: IMAGO
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Luís Guilherme: «Quando ouves o hino da Champions, voltas aos 5 ou 6 anos de idade»

Atacante do Sporting falou sobre a adaptação e os objetivos de leão ao peito

Luís Guilherme, extremo de 20 anos, que cumpre a segunda época no Sporting, oriundo do West Ham, é o protagonista do mais recente episódio da BetanoMag. O brasileiro formado no Palmeiras abordou vários temas e defendeu que os leões estão no caminho certo, apesar dos dois resultados recentes (empates com Famalicão e Arouca para a Liga).

— Como foi a integração no Sporting e quais são os objetivos?
— Foi bom, foi positivo. Vim de um contexto que não me favoreceu muito, onde não tive muita sequência. Quando cheguei aqui, recebi todo o apoio da comissão e dos jogadores, senti-me em casa desde o meu primeiro dia e pude ajudar de alguma forma a voltar a jogar. Acho que foi positivo, sim. Espero poder ajudar cada vez mais e evoluir para ajudar o Sporting.

— Sente que esta é a época em que se vai destacar na equipa. Que metas individuais tem?
— Acredito que fiz uma boa pré-época e agora é trabalhar cada vez mais, esperar a oportunidade e agarrá-la da melhor forma. Estou a trabalhar para estar preparado quando a oportunidade vier. Não sou muito de colocar metas, vivo mais o dia a dia. Seja com golos, assistências ou disputando cada bola, vou dar a vida para que o Sporting possa vencer que é o que mais importa.

— Chegou ao futebol europeu pelo West Ham. O que mais o surpreendeu e o que aprendeu com essa experiência?

— No início foi a intensidade, completamente diferente da do Brasil. Os primeiros três meses foram muito difíceis para mim por tudo: não só pelo futebol, mas pelo país, pela língua e pela cultura. Sinceramente, achei que não ia ficar muito tempo ali, achei que no máximo ficaria seis meses. Tenho de agradecer a Deus, à minha esposa, que esteve comigo em todos os momentos. Foi importante para amadurecer como pessoa e como jogador. Agora estou mais forte mentalmente. Na Inglaterra o jogo era diferente do Brasil, no início atrapalha, mas com o tempo faz-nos amadurecer.

— A mudança para Portugal ajudou, em termos culturais?
— Sim, principalmente a língua e o tempo influenciam bastante. Sinto-me cada vez mais à vontade para mostrar o meu futebol. Trata-se de entender a estrutura da equipa e o que o treinador pede.

- O campeonato está de volta e o Sporting tem deslocação difícil a casa do SC Braga...
— É sempre um jogo difícil, ainda mais na casa deles, sabemos da força deles, mas acredito que vai ser um grande jogo, estamo-nos a preparar bem para poder fazer um grande jogo e podermos vencer. Sabemos que o jogo lá é sempre difícil, mas estamos cada vez mais preparados para poder vencer.

— O que é que o Sporting tem de fazer de diferente para conquistar os três pontos?
— Não é fazer diferente, é fazer melhor. Estamos no caminho certo, os dois últimos resultados não foram o que queríamos, mas acredito que estamos no caminho certo. Estamos a evoluir, fizemos uma boa pré-época, sabemos do nosso valor e do potencial que temos como equipa e a nível individual. As vitórias vão voltar, não tenho dúvidas.

— O Sporting terminou a época passada em segundo lugar. Este ano é para voltar a conquistar o título?
— Com certeza, pensamos nisso todos os dias, Estamos no caminho certo para poder conseguir voltar a colocar o Sporting no topo. Temos de ter paciência, temos jogadores novos, mas é bom podermos amadurecer o mais rápido possível e estarmos preparados.

— A luta pelo topo da classificação está renhida. É maior a pressão ou maior a motivação?
— Pensamos mais em nós do que nos outros. Pensamos em melhorar como equipa, individualmente, é isso que importa para podermos colocar o Sporting no topo.

— É esquerdino, mas joga nos dois lados do ataque. Em que corredor se sente melhor?
— Onde for preciso estou disposto a ajudar, independentemente se é por dentro, na direita ou na esquerda. Estou aqui para ajudar e vou dar a vida para que possamos vencer.

— Rui Borges foi importante na sua adaptação. O que é que o treinador lhe foi pedindo?
— O treinador deu-me confiança desde o primeiro dia. Nos primeiros dias já comecei a jogar e tive minutos, o que foi muito importante para a minha adaptação e até hoje passa-me confiança, espero retribuir o que fez por mim.

— Qual é o jogador que mais te desafia a elevar os níveis no treino?
— Todos me desafiam de forma positiva. Quando cheguei, olhava para os jogadores da minha posição — o Geny, o Trincão — para ver o que faziam e o que eu podia melhorar. É uma concorrência boa e uma disputa saudável. O Trincão é um 'cara' que me ajudou muito.

— Com quem tem mais ligação mais especial no balneário?
— Tenho mais intimidade com o Suárez, o Geny, o Pedro Lima, com quem já tinha jogado, e o Kaique.

— Já teve oportunidade de cumprir 90 minutos na Champions League. Qual o significado que teve?
— Jogar a Champions é um sonho que todo o jogador tem, já tive esse privilégio. Quando ouves o hino, voltas aos cinco ou seis anos de idade, quando sonhavas estar ali. É um prazer e uma alegria imensa.

— Também já jogou a Libertadores, pelo Palmeiras. Quais as diferenças?
— A Libertadores é mais faltosa, parece quase outro desporto, mas a velocidade e a intensidade são muito parecidas. Tive o privilégio de jogar as duas competições mais importantes.

— Até onde é que o Sporting pode chegar na Liga dos Campeões?
— O objetivo é vencer o próximo jogo, independentemente das metas que tivermos. Temos de pensar jogo a jogo para chegarmos o mais longe possível.

— O que muda na preparação para cada jogo consoante a competição?
— Para mim todos os jogos são importantes, independentemente de ser Liga, taça ou Champions. Queremos ser vencer, seja qual for o campo ou adversário.

— Já disse que se não fosse futebolista gostaria de ser professor de Educação Física. Que mensagem passa aos jovens em relação ao futebol?
— Faria um apelo para nunca desistirem dos seus sonhos — seja jogar futebol, ser médico ou qualquer outra coisa. O caminho não é fácil, mas com paciência, resiliência e confiança em Deus, tudo fica mais próximo. O importante é trabalhar para ter a consciência tranquila de que demos o nosso melhor.

— O Sporting tem grande historial de jogadores brasileiros que já passaram pelo clube. Há algum especial para si?
— Tabata. Jogou comigo no Palmeiras, é um dos que mais acompanhei aqui. É um jogador pelo qual tenho grande carinho.

— A seleção brasileira está em fase de transformação. O Sporting pode ser o seu passaporte para a canarinha?
— Penso na seleção brasileira, mas não como uma obrigação. O foco principal tem de estar no Sporting e em fazer o melhor trabalho aqui. Se estivermos a jogar bem, a seleção será uma consequência natural. Fiquei triste pela forma como a seleção foi eliminada no Mundial, mas é o futebol, agora é um novo ciclo e novos jogadores, talvez estejamos mais preparados para o próximo Mundial.

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