Giacomo Agostini: «Miguel Oliveira é um piloto muito inteligente»
— Como está a acompanhar o Mundial de MotoGP deste ano? Mais competitivo?
— Sim, penso que sim. Mas o Campeonato do Mundo começa em Jerez. Porque antes, sabe, as motas, os pilotos estão na Ásia, a ambientar-se... O Marc Márquez não treinou muito no inverno porque teve aquele problema devido à queda no final do ano passado. Muita gente treinou e ele não pôde. Penso que agora o Marc, se não tiver outro problema — e espero e acredito que não — estará lá para discutir o título. Porque desta vez teve a possibilidade de parar por três semanas. É o campeão do Mundo, por isso, é o homem a bater, mas vai dar luta.
1971 - 500cc - Grand Prix d'Autriche - Salzburgring - #1 Giacomo Agostini #3 Eric Offenstadt #2 Christian Ravel #12 Jack Findlay #6 Gyula Marsovskzy #17 Kurt Ivan Carlsson #8 Theo Louwes #9 Billie Nelson #35 Karl Auer. pic.twitter.com/jZWnJ0LreH
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— E acredita que será novamente o principal candidato?
— Bem, penso que se ele estiver como no ano passado, se voltar a estar a 100 por cento é um piloto que é muito difícil de bater. Mas temos o [Marco] Bezzecchi que é muito rápido, tem uma mota fantástica, e também a Ducati é uma mota que pode entrar na discussão
🏆 Los pilotos más laureados de la historia de MotoGP - Desde la leyenda eterna de Giacomo Agostini hasta el presente dominante de Marc Márquez, estos son los nombres que han marcado una era en la categoría reina del motociclismo. #motogp #marcmarquez #valentinorossi #motosan pic.twitter.com/iZ27jAuwj9
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— O que se passa com o Pecco [Bagnaia, companheiro de equipa, na Ducatim de Marc Márquez]?
— O Pecco está num momento de... Como se diz? Desmoralização. Porque ele ganhou, é um campeão, e pode regressar. Penso que é tudo uma questão de cabeça. Pode acontecer que, de um momento para o outro, vejamos o Pecco como quando era campeão do Mundo. É possível.
— Ainda com a Ducati?
— Por que não? Depende. Este momento de mudança na cabeça depende dele. Claro que, se mudar no próximo ano, terá um estímulo maior. Não se pode dizer na Ducati sim ou não na Ducati, mas acredito que ainda este ano ele pode mudar.
Giacomo Agostini tiene 82 años... pero la victoria todavía corre por sus venas 😁
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¿Problemas con la moto? Sí... "pero si quieres ganar, no necesitas frenar mucho" 😆#GoodwoodDAZN 🏎️ pic.twitter.com/Eu9iLW0J95
— Este ano. Portugal perdeu o único piloto que tinha no MotoGP, o Miguel Oliveira. Foi para as Superbikes. Foi muito difícil para Portugal ter um piloto no MotoGP e não se sabe quando terá outro.
— É preciso trabalhar. O Presidente Jorge [Viegas, presidente da Federação Internacional de Motociclismo] precisa de trabalhar para formar as crianças com as motas e dar-lhes a possibilidade de treinarem.
— O que lhe parecia Miguel Oliveira como piloto?
— Bom, muito inteligente, bravo. Especialmente quando chovia também. Não me lembro onde, mas fez uma corrida fantástica, talvez em Portugal. Teve pouca sorte, talvez. Foi um grande piloto no MotoGP, mas se calhar havia outros um pouco mais rápidos do que ele, embora também tenha feito corridas muito rápidas.
— Hoje o MotoGP é muito diferente de quando competia. Há muito envolvimento, é mais profissional ou que requer muito dinheiro?
— Requer mais dinheiro. Temos muita tecnologia e, por isso, o piloto conta muito, mas não como antes, penso eu. Porque a tecnologia ajuda-te em muita coisa. Espero que um dia — e acredito nisso — devamos dar mais responsabilidade e mais valor ao piloto quando ganha. Não apenas à tecnologia, à eletrónica, a isto e àquilo, ao pneu, ao travão... Esse é o problema. Creio que no próximo ano o regulamento vai mudar, e espero que com o novo regulamento, com as novas motas, o piloto tenha mais valor quando ganha.
— Está preparado para que o Márquez iguale as suas marcas?
— Os recordes são feitos para serem batidos. Os meus não são fáceis, mas podem ser batidos. É normal que um piloto diga: ‘Bem, espero que os recordes continuem a ser meus’ [sorri]. Mas se um piloto os bater, é preciso fazer a festa e dar-lhe os parabéns.
Giacomo Agostini bendice a Marc Márquez: "Lo tiene todo para igualar mi récord" https://t.co/hWTvRtF14i
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— Qual foi o melhor piloto que viu?
— Mike Hailwood. Um piloto que corria comigo e que era muito, muito bom. Mike Hailwood, depois chegou o Valentino Rossi, o Márquez... Mas, no meu tempo, o Mike Hailwood era muito forte. [76 vitórias, 112 pódios, 9 títulos, 4 dos quais em 500 cc]
— E qual era o segredo para ganhar tantas vezes?
— Não sei. A minha família não tinha nada a ver com motas. Nada. E eu dizia sempre: ‘Ah, quero correr de mota’ e o meu pai e a minha mãe olhavam para mim... ‘Motas?!’ O meu pai um dia disse à minha mãe: ‘Mas de onde é que nasceu este?!’. Não tínhamos nada a ver com aquilo, não tínhamos uma oficina mecânica, não tínhamos nada. E eu dizia: ‘Eu quero correr de mota’. E eles: ‘Como queres correr?’ e eu insistia: ‘Sim, eu quero correr de mota’.
— Gostaria de ver uma mulher no MotoGP?
— Sim, mas é muito difícil. Muitas tentaram, mas é muito difícil. Porque é um ofício de macho, não de fêmea. Muito difícil. Muito difícil. Vimos que muitas tentaram... A Carrasco esteve mais perto. Boa, mas não é um Márquez, um Agostini, um Valentino Rossi. É possível que mude, o mundo está a mudar, não é?
Agora vê muitas mulheres que são presidentes de sociedades; Antes, no meu tempo, nenhuma! É possível. Mas este é um ofício em que tens de conhecer a mota, é uma coisa... sabes, a diferença entre o carro e a mota? O carro leva-te, o carro conduz-te. A mota... Tu montas a mota, tu conduze-la como um cavalo. Tu danças com a mota. É uma coisa que... Mas há raparigas que são muito fortes, sim. Estava a treinar um dia na Grécia e havia uma rapariga que andava fortíssimo, mas não estava ao nível dos campeões que temos agora.
Eu amo as mulheres, espero que um dia vejamos uma mulher que ganhe tudo. Eu serei o manager dela [risos]... Se for bonita! [risos]