Raphael Guzzo ajudou o Marítimo a regressar à elite nacional e esta época continua a brilhar no meio-campo dos insulares
Raphael Guzzo ajudou o Marítimo a regressar à elite nacional e esta época continua a brilhar no meio-campo dos insulares
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Formação Benfica, muito estrangeiro e brilho na Madeira: «FC Porto? São 11 contra 11»

Raphael Guzzo dá a receita para o Marítimo poder vencer o campeão nacional, no sábado. «Concentração e eficácia», projeta. No regresso do clube insular à Liga, objetivo é a permanência. Van der Gaag aproveita «espírito de união» que vem de 2025/26

Tudo fazer para garantir o sucesso do clube. O experiente médio dos insulares faz um balanço positivo deste início de temporada, em que os maritimistas somaram duas vitórias, dois empates e três derrotas nas sete jornadas já realizadas no campeonato. Nesta entrevista exclusiva a A BOLA, Guzzo assume que vê a equipa a crescer e deseja que essa evolução traga mais pontos.

— Que objetivos traçou para esta temporada?

— A nível coletivo, a manutenção. Não será uma temporada fácil, mas acredito no trabalho que estamos a desenvolver e queremos ser competitivos em todos os jogos. Individualmente, ser regular e disputar o maior número de partidas possível.

— Como avalia a prestação do Marítimo nestas sete jornadas já realizadas no campeonato?

­— Positiva. Somámos oito pontos e tivemos um bom início de campeonato. É verdade que atravessamos um período menos positivo em termos de resultados, mas sinto que a equipa tem vindo a crescer e que, em vários momentos, até melhorámos as nossas exibições. Agora, é continuar a trabalhar e procurar que a evolução da equipa se reflita nos resultados.

— E a nível individual, que balanço faz até ao momento?

— Ser o mais regular possível, que é uma das coisas mais difíceis de se conseguir no futebol. Este ano estou a jogar numa posição mais adiantada e procuro contribuir da melhor forma. Na minha carreira sempre coloquei os objetivos coletivos à frente dos individuais. Por isso, não gosto muito de avaliar as minhas próprias prestações. Há outras pessoas para o fazer.

Mira ao campeão: equipa muito forte, mas a nossa ambição é sempre a mesma, entrar em campo para ganhar

— Houve algum jogo que tenha ficado atravessado?

— Talvez com o Arouca. Penso que fizemos uma das nossas melhores exibições, sobretudo na primeira parte, em que tivemos oportunidades para sair para o intervalo em vantagem. Não concretizamos e perdemos. Mas o futebol também tem o outro lado. Ganhámos em Famalicão, mas o empate talvez tivesse sido o resultado mais justo.

— Van der Gaag manteve a aposta nos jogadores que conquistaram a subida. O que torna esse grupo especial?

­— Tudo começou com as bases que construímos. Tínhamos um grupo muito forte, sobretudo a nível humano, com jogadores experientes e um conjunto de capitães que foram fundamentais para criar aquele espírito de união. O Samu e o [Alexandre] Guedes, que já saíram, tiveram um papel muito importante dentro e fora de campo. O treinador conhece bem o grupo e sabe o que podemos dar.

— O Marítimo vai ser a primeira equipa a conseguir roubar pontos ao FC Porto nesta Liga?

— Isso só saberemos depois do jogo. Pela frente teremos uma equipa muito forte, mas a nossa ambição é sempre a mesma: entrar em campo para ganhar, independentemente do adversário. Será uma tarefa difícil, naturalmente, mas o futebol é 11 contra 11 e tudo pode acontecer. Da nossa parte, será fundamental manter a concentração e sermos eficazes nos momentos decisivos. O objetivo é chegar ao jogo nas melhores condições e fazer tudo para conquistar os três pontos.

«Enorme orgulho em jogar no Marítimo»

Raphael Guzzo cumpre a segunda época no leão do Almirante — Foto: Marítimo

— Aos 31 anos continua a demonstrar grande regularidade competitiva. O que o motiva?

— A paixão pelo futebol. Houve momentos difíceis na minha carreira que me fizeram dar ainda mais valor à oportunidade de continuar a jogar. A chegada ao Marítimo teve um peso enorme. Subimos e regressei à Liga, algo que desejava muito e que, numa determinada fase, parecia difícil de alcançar. Depois do que passei, poder continuar a jogar a este nível, num clube como o Marítimo, é uma motivação enorme.

— Como avalia o momento que está a viver?

­— De grande felicidade. Criei uma ligação muito especial com as pessoas do clube e com os adeptos, que sempre valorizaram o que fizemos na época passada e continuam a reconhecer o nosso trabalho. Representar o Marítimo é, sem dúvida, um enorme orgulho para mim. Posso dizer que estou a viver um dos melhores momentos da minha carreira. Sinto-me feliz, realizado e, acima de tudo, estou onde queria estar.

— Como é que os jogadores sentem a paixão dos adeptos?

— Quando digo que o Marítimo é um clube grande, não é apenas pela sua história. É, acima de tudo, pelos adeptos que tem. O jogo com o Benfica é um bom exemplo. O resultado não foi o desejado, mas o apoio que sentimos nas bancadas mostrou a força deste clube. Na época passada também o sentimos nos jogos fora de casa. Os adeptos foram essenciais para o que alcançámos e continuam a ser fundamentais nesta caminhada.

Revisão da matéria sobre experiências de carreira

Formado no Benfica, de quem guarda «gratidão», o percurso de Raphael Guzzo passou também por outros países, começando por Espanha, ao serviço do Reus: «O nível era muito elevado e, fruto também da minha imaturidade na altura, não consegui os objetivos que tinha traçado. Mas foi uma experiência que me fez crescer.»

No Brasil , pelo Goiás, foi diferente: «Tenho lá a minha família do lado brasileiro e sempre tive o desejo de jogar nesse campeonato tão competitivo. Viver aquela paixão pelo futebol foi uma experiência incrível.» Ao contrário do Azerbaijão, pelo Neftchi. «Foi, sem dúvida, a experiência mais difícil. Um período muito complicado em que até a vontade de treinar desapareceu», diz.

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