FC Porto: uma estreia na Champions para bloquear caminhos da baliza
Ao terceiro jogo na presente edição da Champions League, o FC Porto pode contar, pela primeira vez na prova milionária, com um dos mais influentes elementos do plantel às ordens de Francesco Farioli. Depois de ter cumprido dois jogos de castigo resultantes da expulsão (cartão vermelho direto) em Nottingham, na 2.ª mão dos quartos de final da Liga Europa 2025/26, Jan Bednarek está de volta às contas do treinador italiano e, frente ao PSV Eindhoven, na terça-feira, terá entrada direta no onze, reatando a dupla com o compatriota Jakub Kiwior.
Aos 30 anos, o xerife polaco fará a estreia na mais importante competição de clubes a nível mundial, depois de, na temporada transata, ter debutado nas provas europeias, já de dragão ao peito. Não obstante a vasta experiência acumulada em Inglaterra, o Southampton, que representou durante sete anos e meio, andou arredado das lides continentais, tal como o Aston Villa (meia época, em 2022/23), na altura ainda a lançar as bases do estatuto atual.
Em termos coletivos, a disponibilidade de Bednarek é uma notícia que os campeões nacionais saúdam. O arranque na Champions, com duas derrotas em outras tantas jornadas, ficou longe do desejável no reino do Dragão, e a ausência do patrão da linha recuada fez-se sentir, naturalmente. Contra o Manchester City (0-2 no Dragão), Nehuén Pérez assumiu a vaga do camisola 5; já na última quarta-feira, diante do Betis (3-2 em Sevilha), Rosario recuou para o eixo defensivo. O jogo não correu de feição ao dominicano — à imagem da restante equipa —, que sentiu dificuldades numa posição que, já se sabe, não é a de origem. Em simultâneo, o meio-campo portista ficou órfão de Pablo, ele que tem sido peça influente na casa das máquinas esta época.
Uma situação que poderá ser automaticamente retificada na terça-feira, graças a Bednarek. A defesa do FC Porto recupera a voz de comando e Rosario volta a poder assumir funções como médio-defensivo, numa época em que Alan Varela tem estado uns furos abaixo do nível exibido em campanhas anteriores.
Missão: estancar a baliza
Farioli espera, também, que o regresso de Bednarek às opções possa ajudar os campeões nacionais a estancarem os caminhos para a baliza à guarda de Diogo Costa. O FC Porto sofre golos há seis jogos consecutivos — Moreirense, Man. City, Casa Pia, Benfica, Marítimo e Betis —, num cenário substancialmente diferente daquele que se verificou em 2025/26. Na presente campanha, os dragões somam nove golos encaixados em 11 partidas disputadas, sendo que, na época transata, só ao 22.º encontro oficial (em meados de dezembro...) é que chegaram a esse número de tentos sofridos.
Importa também referir que, na temporada passada, o FC Porto nunca registou uma série tão extensa de desafios sem conseguir manter a baliza a zeros (seis). O período mais frágil surgiu entre março e abril, quando a formação orientada por Farioli sofreu em cinco jogos de forma consecutiva, contra SC Braga, Famalicão, Nottingham Forest, Estoril e novamente o Forest.
Os dados defensivos de 2025/26 foram, por si só, impressionantes e, esta época, a entrada da Champions no calendário trouxe, de forma quase automática, um elevar do grau de dificuldade — cinco golos sofridos em duas partidas. Ainda assim, os dragões procuram agora reencontrar a senda da solidez, que se transformou numa das imagens de marca do campeão nacional. No palco onde o mais pequeno erro costuma sair caro e à porta de um jogo importante, contar com Bednarek pode ser uma ajuda preciosa nessa missão. O xerife está a postos para o PSV.