Técnico italiano foi distinguido na cerimónia dos Dragões de Ouro 2026
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FC Porto: Farioli recorda o momento que foi «uma pedra na cara»

Treinador italiano detalha os desafios que a lesão grave sofrida por Samu em fevereiro ditou para o plantel azul e branco e de que forma os dragões conseguiram contornar essa baixa de peso

A lesão sofrida por Samu em fevereiro deste ano, em plena luta pelo título, representou um duro golpe para o FC Porto, mas não impediu os dragões de levantarem o troféu mais desejado em maio. Em entrevista ao site Opta Analyst, Francesco Farioli recordou o impacto do problema físico do internacional espanhol e detalhou de que forma a equipa superou a ausência prolongada do avançado, que só voltou à competição em setembro, frente ao Benfica.

«Foi uma pedra na cara para todos nós, jogadores e estrutura. O que foi realmente especial foi o facto de todos os jogadores terem sentido a responsabilidade de dar um passo em frente para dividirem a quota de golos que esperávamos do Samu», assinalou o treinador, exaltando a capacidade de reação do coletivo: «Tivemos de encontrar novas formas de atacar e criar oportunidades. Aumentámos os golos dos médios-ofensivos, contámos com a contribuição dos extremos e centrais e melhorámos nas bolas paradas. Todos ajudaram a minimizar essa lesão grave.»

A ausência do espanhol obrigou também a uma fina afinação tática perante os diferentes perfis do ataque. «O Samu é provavelmente o perfil mais completo. O Luuk de Jong, que esteve afastado durante praticamente toda a época, é um avançado de área, fantástico no jogo aéreo. O Moffi ataca melhor a profundidade e o Deniz Gul, sendo similar ao Samu, não tinha ainda a experiência para carregar o peso todo às costas. Tivemos de fazer pequenas adaptações. É preciso planear em função das características do 9, mas também dos extremos e médios-ofensivos», detalhou.

Comunicação «frontal» é essencial

Além das dinâmicas de jogo, Farioli abordou a filosofia de liderança que tenta colocar em prática, dando prioridade à transparência, mesmo que isso implique momentos de algum conflito.

«Tento estabelecer padrões muito claros e ter uma comunicação direta, aberta e justa com todos, embora por vezes isso possa criar conflitos. Quando o conflito surge, tento enfrentá-lo imediatamente. A minha curta experiência mostra que adiar essas conversas difíceis não ajuda nada. Acaba por se transformar numa espiral que não consegues controlar», frisou o técnico dos dragões.

Essa frontalidade é aplicada desde o primeiro contacto com reforços: «Mesmo que corra o risco de perder uma contratação, quero que o jogador saiba exatamente o que eu e o clube esperamos dele, dentro e fora do campo. Ter essa clareza ajuda bastante.»

Hoje, essa cultura de exigência está de tal forma enraizada no Olival que o próprio balneário encarrega-se de manter o rumo. «Qualquer desvio de comportamento ou falta de atitude ao nível exigido... na maior parte das vezes nem preciso de intervir. É um próprio colega de equipa que intervém para travar a situação. Trabalhar com um grupo tão maduro deixa-me genuinamente orgulhoso todos os dias», rematou Farioli.

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