De manhã na Academia, à tarde na faculdade: o regresso em grande de João Simões no Sporting
«À primeira negativa que tiveres, independentemente de estares no Sporting, vens para casa». O aviso de dona Mena, mãe de João Simões, era para ser levado a sério. Era 2018, tinha o jovem jogador 11 anos e estava a começar um sonho, primeiro passo numa carreira que cedo o levaria a profissional de topo mas que não o tirou dos estudos, que complementa com o futebol. De manhã na Academia e à tarde na faculdade, outras vezes acompanhando o estudos online, o médio leonino está de volta aos relvados e pronto para brilhar, como brilhou na Champions no 2-0 ao Lens.
Acima de tudo, João Simões é um profissional de futebol totalmente focado no Sporting. Titular na terça-feira na 2.º jornada da Liga dos Campeões, na vitória em França, voltou a jogar de início na equipa A depois de uma lesão que o afastou dos relvados durante cinco meses. Jogou sem dores pela primeira vez em muito tempo, mostrando ao que vem.
A 19 de fevereiro de 2025, no 0-0 em Dortmund no play-off da Champions, João Simões fraturou o quinto metatarso do pé direito. Não jogou mais nessa época. Na temporada passada nova intervenção cirúrgica ao mesmo problema que o não deixava jogar sem dores. Algo que só agora está a conseguir fazer. E se com dores o médio de 19 anos já era um caso sério, imagine-se sem elas… Com o Lens já foi uma amostra do que pode acrescentar ao meio-campo da equipa de Rui Borges…
O foco está no Sporting: nos jogos do Sporting, nos treinos do Sporting mas também no Curso de Ciências do Desporto, cuja matéria acompanha sempre que pode online e algumas vezes presencialmente, assim os afazeres profissionais o permitam.
Algarvio de Portimão, em 2018/2019 João Simões rumou ao Sporting. O aviso de Filomena Simões teve o efeito pretendido: em 2024/2025 terminou no 12.º ano com média de 15,07 valores e entrou no curso de Reabilitação Psicomotora — entretanto, já no 2.º ano, mudou para o mais desejado, Ciências do Desporto.
«Posso vir a ser preparador físico, treinador… Há várias profissões que posso vir a ser depois do futebol. Acho que é importante, porque nunca se sabe… O futebol é muito improvável. Hoje estamos bem e de um dia para o outro parece que o mundo acaba, como por exemplo quando há lesões. Há que ter essa perceção e saber das dificuldades no pós-futebol, porque é uma carreira muito curta», disse o jogador numa entrevista aos meios do clube no início do… ano letivo.
«Acabo o treino, e os meus colegas sabem, vou para as aulas, normalmente. Se os meus colegas de curso ficaram espantados por me ver ali? Sou um rapaz normal. Receberam-me da mesma forma que receberam os meus outros colegas, normalmente», disse ainda nesse entrevista.
Eis a nova rotina de João Simões, aluno de 16, 17 ou às vezes um 18 mas que por conta da alta competição passou a ser de 15 valores. Nada mau para este futebolista universitário, que não jogava na equipa A dos verdes e brancos desde 15 de abril (0-0 com o Arsenal) mas que depois de uma passagem pela equipa B voltou a ter minutos no 3-1 em Braga e foi titular no exame de Lens: aprovado com distinção.
Papel importante no novo esquema de Rui Borges
Para aquecer, foram 27 minutos na equipa B, lançado pelo treinador Tiago Fernandes ao minuto 63 na derrota (1-2) com o Lusitânia de Lourosa no dia 14 de setembro, na jornada 6 da Liga 2. Tinha jogado pela última vez na 2.ª mão dos quartos de final da Champions, quase marcou mesmo a acabar o jogo e quase o levava para prolongamento com o Arsenal em Londres, depois do 0-1 em Alvalade.
Seguiu-se uma ida para o banco na equipa A, no 2-2 com o Arouca e já depois da data FIFA para os jogos das seleções o regresso à equipa A, 6’ no 3-1 em Braga. Ganhou balanço para Lens, segundo jogo em que Rui Borges desenhou a equipa num 4x3x3 mais clássico, com Altimira na posição seis (e a central entre Quaresma e Gonçalo Inácio no processo defensivo) e com dois médios interiores. Simões jogou pela esquerda e neste esquema prepara-se para ser influente, o treinador conta com ele para ser utilizado muitas vezes — também se abre mais a porta da equipa a Pedro Lima, a ser utilizado na rotação.
Em França foram então 73 minutos em campo, o melhor do jogo para A BOLA e progressão fantástica na jogada do 1-0 de Luis Suárez aos 22’. João Simões promete…