Sporting tinha a 'papinha' feita em Lens? O plano minucioso na Champions
No final da partida diante do Lens, João Simões não poupou nos elogios à preparação do encontro e explicou a influência de Rui Borges. «Só fiz o que o mister pediu e o que ele pede está bem, dá sempre a papinha toda feita. Depois nós lá dentro tentamos colocar em prática», revelou o médio no final do jogo. Pois bem, a receita estava estudada ao pormenor. E resultou.
Apesar da amostra do trabalho de Yannick Cahuzac ao comando do Lens ser curta — apenas dois jogos —, foi suficiente para a equipa técnica identificar padrões e desenhar uma estratégia ao pormenor, em que cada jogador sabia exatamente qual a sua missão.
Pois bem, então que ‘papinha’ foi esta na preparação deste jogo? Uma mensagem bem definida que A BOLA dá agora conta. Olhando para o plano defensivo e ofensivo.
ATRAIR PARA FERIR...
Ofensivamente, a prioridade passava por resistir à pressão alta dos franceses, que procuravam asfixiar a saída de jogo dos leões. A ideia era atrair o Lens, ter paciência e explorar a profundidade. Gonçalo Inácio e Altimira foram os escolhidos para lançar a verticalidade de Geny Catamo e Irankunda, enquanto Luis Suárez baixava frequentemente à direita para dar apoios, arrastar marcações e abrir corredores para as incursões de João Simões e Doumbia.
Os dois médios (Doumbia e Simões) tinham também a missão de quebrar linhas em progressão, obrigando os alas franceses a sair da sua zona e libertando espaço para os jogadores projetados pelos corredores. No último terço, o Sporting procurava explorar uma fragilidade identificada: os cruzamentos atrasados para uma área onde os centrais do Lens revelavam dificuldades.
FECHAR ESPAÇOS E GERIR O RITMO
A estratégia assentou muito no trabalho sem bola: Altimira recuou para junto dos centrais, repetindo uma solução já utilizada em Braga e garantindo superioridade numérica perante os ataques adversários. Por sua vez, Gonçalo Inácio e Maxi Araújo procuraram alternar na marcação individual a Thauvin, principal motor ofensivo francês, a quem era essencial retirar tempo e espaço para pensar.
Houve outra exigência: saber sofrer e controlar o ritmo de um adversário tecnicamente dotado, mas forte na intensidade física. O Sporting respondeu à altura: cometeu 12 faltas, contra oito do Lens, somou mais desarmes (14-10) e venceu mais duelos (51-47).
A disciplina tática e a crença no plano ajudaram a bloquear os franceses, que, convém lembrar, pela primeira vez na sua história, ficaram em branco num jogo caseiro da Liga dos Campeões. Por fim, a influência de Borges não se esgotou na estratégia inicial. Tal como já sucedera na Pedreira, diante do SC Braga voltou a mexer bem com trunfos que se tornaram decisivos no jogo: Derry e Silas, lançados na etapa final, participaram no lance que fechou no 2-0 de Doumbia. Um plano de recurso que acabou por ser perfeito...