Charlotte Dujardin esteve suspensa um ano. IMAGO
Charlotte Dujardin esteve suspensa um ano. IMAGO

Cavaleira envolvida em nova polémica por causa de maus tratos a cavalos

Charlotte Dujardin regressou de uma suspensão de um ano depois de ter chicoteado a égua com que deveria ter participado nos Jogos Olímpicos de Paris2024, evento do qual desistiu após o escândalo divulgado em vídeo

A tricampeã olímpica de dressage, Charlotte Dujardin, está no centro de uma nova controvérsia relacionada com o tratamento de cavalos, após surgirem queixas sobre a sua conduta durante o aquecimento de uma prova em Amesterdão.

A polémica reacendeu-se com a partilha de um vídeo de quase oito minutos nas redes sociais pela organização de bem-estar animal Collectif Pour Les Chevaux. As imagens criticam a forma como Dujardin montava a égua Alive and Kicking, destacando o uso de esporas e a manutenção de uma rédea curta e firme.

Segundo a organização, a égua exibia um «comportamento de conflito» através da boca e da cauda, em resposta à abordagem da cavaleira britânica, que foi acusada de práticas «antiéticas».

O vídeo foi gravado pela veterinária equina Eva van Avermaet, fundadora da referida organização há cinco anos. Em declarações ao The Times, Van Avermaet criticou duramente a conduta de Dujardin, mostrando-se surpreendida, especialmente por a atleta de 40 anos ter regressado recentemente de uma suspensão por um incidente semelhante.

«Nunca vi a Dujardin ser tão dura num aquecimento», afirmou Van Avermaet. «Depois do incidente com o chicote e da suspensão de um ano, seria de esperar que ela, mais do que ninguém, tivesse cuidado com a forma como trata o seu cavalo, especialmente em público».

A veterinária acrescentou que reportou a situação a um comissário do evento, mas não notou qualquer alteração na postura da cavaleira após a intervenção.

Confrontado pelo Daily Mail Sport, um representante de Dujardin remeteu para um comunicado da Federação Equestre Britânica (BEF). Segundo o The Times, a BEF não respondeu diretamente se aprovava a conduta da atleta em Amesterdão, mas afirmou ser impossível fazer uma avaliação precisa com base num clipe editado de um aquecimento de 45 minutos. «Não faremos concessões e nunca deixaremos de zelar pelo bem-estar do cavalo», garantiu a federação.

Recorde-se que esta não é a primeira vez que Dujardin enfrenta acusações desta natureza. A atleta regressou à competição em julho, após cumprir uma suspensão de um ano imposta pela Federação Equestre Internacional (FEI) por «conduta contrária aos princípios do bem-estar do cavalo». A sanção deveu-se a um vídeo, de há quatro anos, que a mostrava a chicotear excessivamente o cavalo de um aluno durante uma sessão de treino.

O escândalo anterior levou-a a desistir dos Jogos Olímpicos de Paris, com Dujardin a admitir um «erro de julgamento». Na sequência, perdeu patrocínios e o seu papel como embaixadora da organização de bem-estar animal Brooke.

Desde o seu regresso, Dujardin tem evitado a imprensa. No entanto, após a sua participação na Taça do Mundo de Londres, em dezembro, onde obteve o quinto lugar, confessou aos organizadores sentir-se «muito emocionada» com a receção do público.

«Voltar àquela arena, há algo tão especial em competir aqui, é incrivelmente especial», disse na altura. «Foi tão bom, deu-me um verdadeiro entusiasmo por estar de volta. Desfrutei imenso e na prova não poderia ter feito mais com ela [Alive and Kicking]. Ela deu o seu melhor».

A prova da Taça do Mundo em Amesterdão, onde o vídeo polémico foi gravado no mês passado, foi a competição seguinte de Dujardin, tendo terminado na sexta posição.