Arsenal pensou em português e antigo selecionador nacional antes de contratar Arteta
A contratação de Mikel Arteta no final de 2019, na sequência do despedimento de Unai Emery, revelou-se um dos momentos mais marcantes da história moderna do Arsenal. Contudo, a aposta no técnico espanhol esteve longe de ser a primeira opção dos responsáveis do clube londrino, que chegaram a equacionar uma vasta lista de treinadores conceituados antes de avançarem para a sua contratação. A revelação foi feita no novo livro, intitulado Arsenal: The Inside Story of Arsenal's Rebirth Under Mikel Arteta, da autoria de Sam Dean, repórter do The Telegraph.
Inicialmente, a estrutura dos gunners planeava adiar a decisão de um sucessor definitivo e manter Freddie Ljungberg no comando interino até ao final da temporada. Contudo, acabaria por demonstrar rapidamente falta de preparação e de recursos para a função. Poucas semanas após assumir o cargo, o sueco chegou a apelar publicamente por reforços para a equipa técnica, tendo como adjunto Per Mertesacker, responsável pela formação que já acumulava tarefas com os escalões jovens.
Perante a insustentabilidade da solução interina, o diretor técnico Edu Gaspar assumiu a liderança de um processo urgente de recrutamento, apoiado pelo departamento de prospeção. Numa primeira fase, o nome de Arteta figurava entre as opções menos prioritárias. Sem qualquer experiência como treinador principal — somando apenas funções como adjunto no Manchester City —, o espanhol era visto como uma incógnita difícil de avaliar e comparar com treinadores já afirmados.
Na corrida ao banco do Emirates surgiram vários técnicos de primeiro plano no futebol mundial. Entre eles estavam Carlo Ancelotti, detentor de múltiplos títulos da Liga dos Campeões e com passagens por grandes clubes europeus, e Patrick Vieira, antigo capitão do Arsenal, ex-companheiro de equipa de Edu e que orientava então o Nice. O processo contou também com conversas sérias com Mauricio Pochettino, despedido do Tottenham semanas antes, além de Julian Nagelsmann e Massimiliano Allegri.
Outro nome forte que avançou consideravelmente nas etapas de avaliação foi o do antigo selecionador nacional Roberto Martínez, na altura timoneiro da Bélgica e com experiência na Premier League pelo Wigan e Everton. A lista inicial de opções de Edu Gaspar incluiu igualmente o português Vítor Pereira, que mais tarde viria a comandar equipas como Wolverhampton e Nottingham Forest.
A reviravolta a favor de Arteta começou a desenhar-se dentro de portas. Elementos da estrutura que trabalharam com o espanhol durante os seus tempos de jogador no clube — entre os quais o analista Ben Knapper, acompanhado por Jason Ayto e Mark Curtis das áreas de análise e recrutamento —, convenceram Edu Gaspar a entrevistar o técnico antes de qualquer exclusão. O conhecimento prévio da sua liderança e perfil tático enquanto futebolista acabou por ser decisivo para superar os concorrentes de renome e garantir o cargo.
A contratação de Mikel Arteta para o comando técnico do Arsenal nasceu de um processo criterioso conduzido por Edu Gaspar, no qual a química pessoal e a preparação minuciosa do técnico espanhol superaram a vasta experiência de outros concorrentes ao cargo. Com o aval da administração, a escolha ficou selada e Arteta assumiu o comando técnico do emblema londrino, iniciando uma caminha que já reconduziu o clube à conquista da Premier League, na época transata.
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