Robert Pires trocou os relvados pelo cinema
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Luso-francês campeão do Mundo em 1998 troca relvados pelo cinema

Robert Pires fez a estreia como ator na longa-metragem Melpomène, realizada por Charlotte Dauphin

Robert Pires trocou os relvados pelo cinema. O antigo internacional francês, que se sagrou campeão do Mundo em 1998 por França, fez a sua estreia como ator na longa-metragem Melpomène, realizada por Charlotte Dauphin. Em entrevista ao L'Équipe, o antigo futebolista, de ascendência portuguesa — tem família em Massamá —, abordou as dificuldades desta nova experiência artística e admitiu o peso da responsabilidade.

O convite surgiu de forma inesperada. A preparadora de representação de Charlotte Dauphin, que reside no mesmo prédio de Pires, abordou o antigo jogador ao revelar que a realizadora procurava caras novas para o seu próximo projeto cinematográfico. «Disse-lhe que ia pensar, porque não é a minha profissão. No final, acabei por responder: 'Porque não?'», recordou.

Para assumir o papel, o antigo jogador do Arsenal realizou várias sessões de preparação, focadas no controlo da respiração, na ocupação do espaço cénico e na interação com os colegas de elenco. Segundo Pires, a exigência revelou-se superior ao esperado: «Encontrar a entoação adequada, falar no momento oportuno… não era nada fácil.»

Robert Pirès trocou os relvados pelo cinema
Robert Pirès trocou os relvados pelo cinema

No filme, o gaulês interpreta o primo da personagem de Charlotte Dauphin, que assume também o papel principal na obra. Esta caracterização forçou-o a distanciar-se da sua personalidade: «Por natureza, sou mais para o sorridente e alegre, e a Charlotte pediu-me que fosse o mais duro possível, que me mostrasse firme e tivesse um olhar um pouco sombrio.»

Ao partilhar cenas com duas atrizes, Pirès sentiu a pressão acrescida de evitar falhas que obrigassem a repetir as filmagens, estabelecendo um paralelismo direto com a sua antiga carreira desportiva. «Quando cometes um erro no futebol, normalmente um colega pode corrigi-lo. No cinema, se te equivocas, toda a gente tem de começar de novo. Por isso, não queria meter os pés pelas mãos», explicou.

Apesar da exigência, o balanço foi positivo, a ponto de o francês ter solicitado permanecer mais alguns dias no local das gravações para observar o trabalho da equipa técnica. «É importante olhar e aprender», sublinhou, deixando em aberto a possibilidade de voltar a representar no futuro.

Com o habitual sentido de humor, o campeão do Mundo de 1998 fez ainda uma comparação irónica entre a representação e os relvados, reagindo às brincadeiras dos colegas de elenco: «Provocar o adversário e cair no momento certo quando não tinha havido falta… isso sim, sabia fazer.»

A estreia em Melpomène abriu-lhe uma porta inesperada e permitiu-lhe conhecer por dentro uma profissão que, como o próprio admite, exige muito mais do que simplesmente estar diante de uma câmara.

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