Aldeia com 300 habitantes recebe V. Guimarães na festa da Taça: «É um prémio muito grande»
A ACDR Lamelas prepara-se para receber, no sábado (14 horas), o Vitória de Guimarães na festa da Taça de Portugal e no maior jogo da sua história. Depois de ter ficado isento na primeira eliminatória, a equipa da Divisão de Honra da Associação de Futebol (AF) de Viseu goleou, em casa, no Campo Padre José Tavares, o CD Santo António, dos Açores, por 4-1. Na terceira eliminatória, o sorteio ditou que a formação de Rui Gomes receberia o Vitória de Guimarães, um dos maiores clubes do futebol português.
Nunca o Lamelas, aldeia que pertence a Castro Daire e que tem cerca de 300 habitantes, tinha chegado tão longe na Taça de Portugal. Luís Morais, presidente do clube, em conversa com A BOLA, não escondeu que a receção aos vimaranenses será um marco histórico.
«Para o ano, a Associação Cultural Desportivo e Recreativo de Lamelas faz 50 anos em maio. Nunca tivemos um adversário deste nível, nem nada que se pareça. Estamos a falar talvez do quarto maior clube a nível nacional... quarto ou quinto. Recebemos isto com agrado, como é lógico. A nível desportivo será complicado, temos noção disso. São realidades totalmente diferentes. Mas é a festa da Taça e queremos que seja um dia memorável para as nossas gentes em Lamelas, que é uma aldeia muito pequenina com 300 habitantes. Esperamos que seja essencialmente uma festa e que corra tudo bem», começou por dizer o dirigente, ligado ao Lamelas desde os 15 anos, embora vá apenas para o quarto como presidente.
Mal se realizou o sorteio, a receção ao Vitória de Guimarães rapidamente se tornou um dos assuntos mais falados na aldeia e, claro, entre os jogadores.
«Logo no dia do sorteio, até no treino, já se falava entre os jogadores. É aquela emoçãozinha de jogar com o Vitória, é sempre uma coisa extra. É um prémio muito grande para os nossos atletas, que também merecem, e para os nossos sócios e simpatizantes. Receber o Vitória acaba por ser um prémio muito grande para toda a gente», acrescentou Luís Morais, apontando para o elevado nível de exigência e dificuldade que o Lamelas terá pela frente.
«Se nesta eliminatória jogássemos com um adversário mais modesto, teríamos mais hipóteses de passar. Sendo o Vitória será - para não dizer completamente impossível -, muito complicado. Olhando noutra perspetiva, o Vitória traz mais gente, vai ser um espetáculo diferente. Claro que gostaríamos de passar mais uma eliminatória. A nível financeiro, como o Vitória traz mais gente, será mais benéfico para nós», apontou, destacando a visibilidade que o encontro com o Vitória de Guimarães irá trazer a Lamelas e ao concelho de Castro Daire: «O nome do clube e de Lamelas vai ser muito falado, como é lógico, e é bom também para o concelho de Castro Daire.»
«Queríamos que o jogo fosse em Lamelas»
Desde o primeiro momento que o desejo de Luís Morais era que o encontro com o Vitória de Guimarães fosse realizado em casa do Lamelas, no Campo Padre José Tavares. A casa do Lamelas tem apenas uma bancada, que comporta cerca de 400 pessoas. Contudo, esse desejo não será uma realidade e o jogo será realizado a poucos quilómetros da aldeia de Lamelas, no Complexo Desportivo de Castro Daire.
«Queríamos que o jogo fosse em Lamelas. É diferente, apesar do Complexo Desportivo de Castro Daire ser aqui ao lado, era o nosso campo. Havia muitas dificuldades. A transmissão do jogo era outro inconveniente, não tínhamos condições para isso no nosso estádio. Por aí tinha de ser em Castro Daire ou noutro estádio. Aqui nem atrás das balizas teríamos espaço para meter bancadas. Só mesmo ao lado da bancada que nós temos. Sendo ao lado, isso iria obrigar-nos a fazer uma divisória qualquer, uma barreira, para separar o pessoal do Vitória e do Lamelas», lamentou.
«Objetivo é subir novamente aos nacionais»
Apesar do prémio de receber o Vitória para a Taça de Portugal, o objetivo principal do Lamelas passa por sagrar-se campeão distrital e subir aos nacionais, onde esteve apenas por uma ocasião.
Na temporada passada, foi por pouco que o clube não conseguiu a desejada subida. A luta pelos nacionais foi a dois e renhida até ao final, com o Castro Daire, que terminou a Divisão de Honra com 74 pontos, a levar a melhor contra o Lamelas (72 pontos). Esta época, o Lamelas já conquistou a Supertaça da AF Viseu ao derrotar o Castro Daire no desempate das grandes penalidades, após empate a duas bolas.
«O nosso objetivo é subir novamente aos campeonatos nacionais. Construímos a equipa para isso. Temos um bom plantel, muito equilibrado, e a intenção é voltar aos nacionais. Só lá estivemos uma vez», afirmou, recordando as dificuldades sentidas por um clube como o Lamelas.
«Isto dá muito trabalho, as pessoas por vezes não têm noção. Vou para o quarto ano na presidência. Já faço parte da mobília. Estive sempre ligado ao Lamelas, desde os 15 anos. Comecei lá a jogar futebol, depois fiquei como diretor, umas vezes mais ativo, outras menos. Há uns seis anos que estou mais ativo na direção. Nunca conheci outro clube, sempre o Lamelas. Este jogo com o Vitória será muito especial», completou.
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