A estreia de LeBron James pelos 76ers vista de perto: recorde, assobios e elogios
NOVA IORQUE — Nas suas anteriores 23 temporadas, LeBron James havia defrontado o campeão da Liga no dia de abertura da regular season seguinte apenas em três ocasiões e... perdido sempre. Bem diferente de quando foi ele a começar a caminhada na defesa do título (3 v-1 d).
Mas na última madrugada, no arranque do 81.º campeonato da NBA, o 22 vezes All-Star desfez a malapata e estragou o final da Noite dos Campeões — como os nova-iorquinos lhe chamaram — ao ajudar os 76'ers a bater os Knicks no Madison Square Garden por 100-106 (25-23, 33-31, 18-29, 24-23), numa partida emocionante até ao final, na qual os adeptos apenas começaram a deixar os lugares para ir embora nos derradeiros segundos.
Melhor: após ter sempre perdido na estreia pelas três equipas por onde passara — Cavaliers (contra os Kings, 106-92), Heat (Celtics, 88-80) e Lakers (Blazers, 128-119) —, agora que oficialmente já iniciou a 24.ª(!) temporada na Liga, ampliando o recorde que já era seu, aproveitou igualmente a oportunidade nos Sixers para quebrar a tendência a cerca de dois meses de celebrar o 42.º aniversário. E apenas pela 17.ª vez o campeão não começou a defender o cetro com uma vitória.
No final da cerimónia da entrega dos anéis — que são revolucionários não por poderem ser abertos, mas porque de dentro da metade superior sai uma miniatura semelhante ao Madison Square Garden —, a estrela e MVP das Finais contra os Spurs, Jalen Brunson (21 pts, 5 res, 3 ass), que agradeceu aos fãs terem esperado 53 anos pelo terceiro título, afirmou: «... Uma coisa que gostaria de dizer é que adoraríamos repetir a alegria que esta cidade teve neste verão».
Brunson apostara numas sapatilhas totalmente douradas para condizer com as letras e números dourados debruados a azul sobre o branco do novo equipamento dos Knicks para começar essa caminhada do bicampeonato numa liga que nas últimas oitos temporadas teve sempre vencedores diferentes. Algo inédito na sua história, onde já houve foi quem (Celtics) ganhasse o título oito vezes seguidas.
Foi mais um momento de loucura para um público que tinha como bilhete mais barato no mercado de revenda o valor de 1.865 dólares (1.660 euros) — e no máximo 25.750 dólares (23 mil euros). Valores bem acima dos 1.545 dólares (1.384 euros) que se teria de pagar para assistir a ambos os outros dois jogos da noite de abertura (Pistons-Celtics, 121-113; Spurs-Thunder, 104-116).
«Acho que a nossa defesa na segunda parte... Na primeira, até defendemos bem nos primeiros ataques, mas cedemos pontos em segundas oportunidades. Ressaltos ofensivos... Eles conseguiram lançamentos de três pontos porque não fechámos com o ressalto defensivo. Por isso, estava muito atento a esse aspeto: garantir o ressalto e limitar o adversário a apenas um lançamento», comentou King James, que no final da 1.ª parte não teve problemas em debater largos segundos com um adepto na segunda fila, não muito longe do cativo do realizador e produtor Spike Lee, que lhe mandara uma boca. «Mas gostei da forma como jogámos. Penso que jogámos excecionalmente bem, especialmente na defesa», reforçou.
Se na apresentação da equipa forasteira o público ainda se dividiu entre o aplauso e o apupo quando foi anunciado o nome de LeBron, durante o encontro, a qualquer oportunidade negativa, o extremo/poste dos 76ers foi vaiado.
Os adeptos — e, ao contrário do que acontecera em Brooklyn e Boston na pré-temporada, não se viam camisolas de James das várias equipas onde jogou mas sobretudo as novas dos Seixers — entoaram: «Não te queremos!», por ele estar a viver em Nova Iorque apesar de jogar em Filadélfia, e por ter revelado que pensou em jogar nos Knicks e terminar a carreira na Big Apple caso estes não tivessem ganho o campeonato.
Mas, já com a vitória no bolso, comentou: «Foi uma grande noite para os adeptos de Nova Iorque». «Obviamente, foram mais de 50 anos. Vivi uma situação semelhante, em que não conquistávamos um grande título em Cleveland há mais de 50 anos. Os adeptos nunca esquecerão este momento, nunca esquecerão esta campanha rumo ao título. Ficamos felizes por simplesmente podermos vir e jogar numa noite tão histórica, num local histórico, e praticar a modalidade que amamos», foi dizendo.
«Sinto-me muito melhor. Ainda estou a encontrar o meu ritmo. O que importa é ganhar. É apenas tentar criar jogadas para conquistar a vitória. Estou muito familiarizado com todos os cenários que este jogo já me apresentou. Sinto-me abençoado por ainda conseguir jogar a este nível e, também, por poder fazê-lo nesta arena», concluiu.
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