Francesco Farioli, treinador do FC Porto, lembrou os resultados locais dos dragões após a derrota frente ao PSV e defendeu que os azuis e brancos mereciam ter pontos na Champions

15 meses insuficientes, «primeiro lugar no campeonato» e «os adversários mais difíceis»: tudo o que disse Farioli

Treinador dos dragões considera que merecia mais do que os zero pontos que tem na Liga dos Campeões e alerta que têm em mãos uma equipa que ainda está num «percurso de evolução e progressão», agora numa «realidade totalmente diferente»

Francesco Farioli, técnico do FC Porto, fez a análise à derrota por 0-1, diante do PSV, a contar para a terceira jornada da fase liga da UEFA Champions League, na sala de imprensa do Estádio do Dragão.

— Diogo Costa admitiu que os adversários conhecem cada vez melhor a forma de jogar do FC Porto. Acha que foi isso que aconteceu nesta noite?

— A análise desta noite é bastante simples. Tivemos dois momentos no início do jogo em que poderíamos ter feito o 1-0. Depois disso — e como ontem expliquei exatamente como o jogo iria ser —, tivemos um jogo de duelos e de campo aberto contra uma equipa muito móvel e que, naturalmente, pode criar problemas. Na primeira parte, sentimos muitas dificuldades; foi provavelmente um dos jogos em que mais nos custou pressionar à frente como estamos habituados a fazer. No entanto, também tivemos momentos em que recuperámos a bola e, estando o adversário muito exposto, poderíamos ter marcado. Faz parte do jogo, mas não conseguimos concretizar. Na segunda parte, a dinâmica mudou completamente. Criámos o suficiente, em meu entender, para justificar um resultado diferente. Contudo, é a terceira vez, após um jogo da Liga dos Campeões, que digo que merecíamos mais do que zero pontos. Isso é algo que nos frustra a todos. O empenho esteve lá, mas a qualidade talvez não tenha sido a necessária. Sabemos que esta Liga dos Campeões é uma realidade totalmente diferente da Liga Europa. Há também que considerar que, após dois anos sem Liga dos Campeões, estamos de volta a esta competição. Se acreditamos que em 15 meses conseguiríamos fechar todo o nosso percurso de evolução e progressão, penso que estamos um pouco longe da realidade. Há 15 meses, a equipa regressava dos EUA após perder contra o Inter Miami e empatar contra uma equipa egípcia. Por isso, temos de ser coerentes em relação ao processo em que nos encontramos.  

— O FC Porto está em crise? Acha que este resultado de três derrotas na Liga dos Campeões fez com que os adeptos perdessem a fé no treinador? 

— É muito interessante falar em crise numa equipa que está em primeiro lugar no campeonato, com oito vitórias em oito jogos e um Clássico ganho há poucas semanas. É uma forma muito peculiar de formular a pergunta. Em relação à Liga dos Campeões, diria que queremos mais. Numa avaliação mais fria, é fácil imaginar que merecíamos ter, pelo menos, mais um par de pontos. Sem querer ser demasiado otimista, mais dois pontos estariam perfeitamente ao nosso alcance. Como não os conquistámos, há responsabilidades a assumir. Enquanto responsável, sei que há coisas que precisamos de fazer melhor. Mas, tal como disse antes, demos um salto enorme em termos de exigência nos últimos 15 meses. Acreditar que se consegue anular a distância para o topo da Europa em apenas 15 meses é um pensamento excessivamente otimista.   

— Como aborda os próximos meses na Liga dos Campeões? 

— Todos queremos fazer melhor. Viu-se o quanto os jogadores correram e se esforçaram. Tal como o Diogo Costa disse, há alguma ansiedade em querer obter resultados, porque todos querem somar pontos na Liga dos Campeões. Se analisarmos os nossos três primeiros jogos, defrontámos duas equipas do Pote 1 e uma do Pote 2. Em teoria, apanhámos os adversários mais difíceis, embora continuemos a ter jogos exigentes pela frente. O caminho ainda é longo e faltam cinco jogos. Para nos qualificarmos, temos de começar a subir esta montanha o quanto antes, e é isso que tentaremos fazer já no próximo jogo. Agora, o foco está em Barcelos, que é o nosso próximo compromisso.  

— O FC Porto segue numa série de sete jogos consecutivos a sofrer golos, a sua pior sequência desde que chegou ao clube. Como justifica esta fase e que diferenças encontra para a época passada?

— Há diferentes razões. Uma delas prende-se com a qualidade dos adversários, dado que o nível é mais elevado e é normal enfrentar dificuldades. Por outro lado, houve momentos no jogo em que sofremos golos em cenários que poderíamos ter evitado. Estamos longe de ser perfeitos e temos aspetos a trabalhar.   

— Qual foi o objetivo de alterar a primeira linha de pressão ao intervalo e de que forma o posicionamento do Pablo Rosario no meio-campo ajudou a equipa a ganhar mais duelos e a ser mais agressiva nessa zona?

— Na primeira parte, o adversário começou a dar muitos passos em frente com o central direito, o que nos obrigou a um ajuste, pois conseguiam com frequência ligar o guarda-redes ao central direito enquanto o Oskar saltava na pressão. Na segunda parte, ajustámos e passámos a pressionar por dentro, saltando com o Gabri Veiga no central e mantendo o Pablo Rosario junto ao Samu. Isso facilitou-nos muito o trabalho: permitiu-nos ganhar metros, recuperar bolas no meio-campo e, a partir daí, criar duas ou três grandes ocasiões de golo que infelizmente não concretizámos.

— Sente que a equipa acusou ansiedade no momento de fazer o empate? 

— Sinceramente, não sei. Tivemos duas ou três situações em que eles tiraram a bola em cima da linha de golo; poderíamos ficar aqui a noite toda a procurar razões. É preciso dar mérito ao adversário. Defenderam bem, o guarda-redes fez grandes defesas e cortaram um remate do Froholdt de forma muito destemida. O adversário também joga e, infelizmente, não fomos suficientemente esclarecidos para transformar essas oportunidades em golos.

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