Bednarek voltou ao onze do FC Porto frente ao PSV. Foto Catarina Morais/Kapta+
Bednarek voltou ao onze do FC Porto frente ao PSV. Foto Catarina Morais/Kapta+

Coração azul em 15 minutos, razão do PSV no jogo todo (crónica)

'Pressing' final, ainda que com pouco discernimento, poderia ter dado outro resultado, mas a tendência foi sempre neerlandesa e a vitória é incontestável

O FC Porto somou a terceira derrota em três jogos da UEFA Champions League, num registo muito pouco habitual mas absolutamente explicado pelo que foram os 90 minutos do Dragão.

Foi um pouco estranho assistir aos primeiros minutos de um jogo desta competição e perceber que havia espaços para jogar, derivados de duas pressões pretensamente altas, e sobretudo estranho atestar um jogo partido, como tantas vezes sucede nas fases finais dos encontros mas raramente se vê logo de início.

Terá sido este o resultado de uma atitude mais ousada do PSV, que por mais expectável que fosse não deixou de representar algum atrevimento para quem jogava no campo de um histórico da competição. Resultado? Nos primeiros dez minutos houve um taco a taco muito vertiginoso. Depois, com uma facilidade que fez parecer a tendência natural, os neerlandeses tomaram conta das operações.

O PSV mostrou-se uma equipa muito assertiva e criteriosa nos movimentos e nas trocas de bola, alardeando uma confiança que raramente se vê, em pleno Dragão, numa equipa adversária do FC Porto. A pressão altíssima manteve-se e foi dando resultados, o que fez encolher os azuis e brancos e colocá-los mais à espreita de um lance ou outro de contra-ataque.

Os donos da casa até os conseguiram, sempre com arrancadas e tentativas de finalização de Pietuszewski, mas pertenceram aos homens dos Países Baixos as melhores e mais perigosas aproximações à área contrária. Sem oportunidades de golo iminente, mas sempre mais perto de poderem chegar a uma hipotética vantagem. Alberto facilitou e Kostic esteve quase a marcar, Diogo Costa negou o sucesso a um remate de Dest e chegou o descanso, não sem que se escutassem assobios nas bancadas do Dragão.

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Pressentia-se que tanta pressão e tanto afobamento poderia resultar, mais cedo ou mais tarde, numa quebra física do PSV. E foi com essa esperança que os dragões saíram para intervalo.

Os primeiros sinais da segunda parte indiciavam uma possível inversão na tendência do jogo, mas a sensação durou pouco. Continuava a haver energia entre os neerlandeses e a forma impositiva e confiante com que jogam levaram de novo a um ascendente relevante. Aos 58 minutos chegou o golo do PSV, que pareceu a coisa mais natural do Mundo e resultou de mais um bonito rendilhado de envolvimento entre vários jogadores.

Seguiu-se uma maré de substituições e o FC Porto chegou-se, claro, mais à frente. André Silva rendeu Samu e trouxe maior ligação entre setores, mais jogo solidário. Uma equipa mais colada aproximou-se da área neerlandesa, mas quase sempre sem perigo. A exceção foi um minuto louco, no qual bastaria aos dragões terem aproveitado uma de duas distrações da defesa de Eindhoven para tudo ser diferente nesta ressaca da terceira derrota em três jogos europeus.

A bola não entrava, a equipa sentia falta do frenesi habitual de Froholdt (que acabaria por sair sem brilho) , Inbeom Hwang aparecia a preencher espaços mas nem sempre a decidir bem, o tempo passava.

O previsível estoiro físico do PSV aconteceu bem mais tarde que o desejado pelos portistas, nos últimos dez minutos de jogo mais os cinco da compensação. E aí nem as substituições lhes valeram. Foi altura de sacudirem a bola como podiam e de o Porto acreditar, acreditar, tentar e tentar. Com muito coração mas com a razão que os minutos finais permitem ter — pouca, ao contrário da que norteou a exibição neerlandesa nesta noite europeia e justifica a vitória.

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