Joana Crisóstomo: «Combati confiante, solta e liberta. O bronze ficou perto»
No primeiro combate em Zagreb contra a bósnia Aleksandra Samardzic Fotografia Igor Kralj/Imago

Joana Crisóstomo: «Combati confiante, solta e liberta. O bronze ficou perto»

JUDO26.04.202421:59

Judoca da Universiade Lusófona acabou a uma vitória de subir ao pódio no Europeu de Zagreb e igualar o bronze que o irmão João conquistou em Lisboa-2021. Está a combater como há muito não fazia e enfrentou sempre adversárias de 'ranking' superior, mas sabe que ainda lhe falta algo para superar o 'furacão' Tsunoda, que lhe tirou mais uma medalha.

«Apesar de não ter sido o resultado que queria, o objetivo era chegar à medalha, gostei de me ver lutar e dos combates que fiz. É preciso sempre ver o lado positivo», afirmou Joana Crisóstomo a A BOLA depois de, esta sexta-feira, ter ficado a uma vitória de subir ao pódio dos -70 kg no Campeonato da Europa de judo, em Zagreb, ao perder, por ippon [imobilização], frente à espanhola Aí Tsunoda, 8.º do ranking mundial.

No entanto, num dia em que voltaram a estar em prova seis judocas nacionais, tal como acontecera na véspera quando Catarina Costa (-48 kg) ganhou o bronze, Joana (52.ª) tem razão para ver o copo meio cheio face à forma como combateu e foi ultrapassando algumas adversária. A um nível que não se via já há algum tempo e que trouxe à memória quando foi prata no Europeu júnior Porec-2020 e bronze no Luxemburgo-2021, assim como outras exibições no Circuito Europeu e até no Mundial.

Fotografia Alexandre Pona/A Bola

Mas gostou especificamente do quê? «Acho que foi a confiança ao entrar nos combates, disputá-los sempre com atletas que são muito boas e com quem já tinha perdido, o que psicologicamente poderia ter-me afetado. Hoje não afetou nada! Sentia-me superconfortável. Conseguir meter ataques, fazer projeções, ser inteligente quando tinha o tinha de ser... Sentir essas pequenas coisas positivas fizeram com que gostasse deste dia de competição, apesar de não ter conseguido a medalha», justifica a judoca da Universidade Lusófona, que na Croácia viveu a terceira presença num Euro sénior aos 22 anos.  

Fez recordar quando era júnior e a forma como combatia? «Sim, sim… Penso que, ainda que tenhamos sempre táticas, foi ter estado mais solta, fazer judo, mais liberta», explica. «Acreditei novamente em mim e isso trouxe-me a confiança nos combates».

E porque é que acha que perdeu essa confiança neste período anterior? «Às vezes, mesmo quando estamos a fazer as coisas bem, entramos numa espiral de azar e começamos a perder combates em que até nos sentimos superiores. Mental e psicologicamente isso afeta um bocado. A parte mais difícil para os atletas é conseguir sair um bocado dessa espiral, tentar acreditar e reerguermo-nos. Sabermos o nosso potencial para fazer mais e melhor».

Fotografia Carlos Ferreira/EJU

Neste momento só falta mesmo a confiança para derrotar a Aí Tsunoda ou é preciso mais do que isso? «Não falta só confiança. É uma atleta que conheço bastante bem, desde cadetes. Causou-me sempre muitos problemas e tirou-me também algumas medalhas desde nova».

«Não sinto que tenha qualquer tipo de complexo ou que me ache inferior, mas, por vezes, conseguimos fazer melhor com atletas muito fortes e noutras em que nosso judo também não encaixa. É um bocado por aí. Ela não encaixa com a maneira como me sinto bem a fazer judo. É uma oponente superrápida e explosiva, bastante metódica, tem muito judo para todos os lados… Torna-se um bocado complicado de fazer com ela», reconhece Crisóstomo, que nos restantes quatro confrontos na prova – face à bósnia Aleksandra Samardzic (32.ª), a belga Gabriella Willmes (31.ª), alemã Miriam Butkereit (6.ª), que perdeu, e a italiana Irene Pedroti (35.ª), teve sempre pela frente adversárias melhor rankiadas.    

Fotografia Alexandre Pona/A Bola

Em ano olímpico mas com dificuldades bastante reduzidas que estar nos Jogos Paris-2024, Joana ainda só tem planos traçados até ao Campeonato do Mundo de Abu Dhabi, em maio. Como vai ser até lá? «Ainda não tenho certezas de nada. Irei a um grand slam e ao Mundial, mas ainda é para ser acertado com a federação, que está a fazer um bom trabalho. Confiou sempre em mim, levou-me a bastantes provas e estágios e o fruto e a confiança disso ficou à vista», refere.

«A corrida aos Jogos é uma coisa que todos os atletas ambicionam e eu não estou fora, mas se tiver de acontecer, acontece. Neste momento, penso mais prova a prova, retirando sempre os pontos positivos de cada uma para ir melhorando. Com isto o caminho será naturalmente construído».

Mas para o próximo Europeu será para igualar a medalha do seu irmão [João, sete anos mais velho e bronze em Lisboa-2021]? Prometido? «Não vou prometer, mas era uma coisa que me daria imenso prazer. Esta até era também de bronze… Ficou perto», rematou.