Benfica habitual com as dificuldades de sempre
E. Amadora-Benfica. Foto: IMAGO/Atlantico Press
Foto: IMAGO

O mister de A BOLA Benfica habitual com as dificuldades de sempre

NACIONAL30.01.202420:46

Álvaro Magalhães, antigo lateral do Benfica, analisa a vitória das águias frente ao Estrela da Amadora

Álvaro Magalhães, figura incontornável na lateral esquerda do Benfica. Foto: ANTONIO PEDRO SANTOS/ASF

Resultado indicia um passeio que não existiu

O lado direito do Benfica — de onde surgiu o golo do E. Amadora — mostrou-se sempre muito vulnerável. Di María constrói muito bem, mas, no momento defensivo, deixa Aursnes exposto a diversas situações de 1x2. O Benfica voltou às vitórias, mas denotou algumas dificuldades. Esta vitória por 4-1 indicia um passeio que, na minha observação, não existiu, em particular na primeira parte. Na altura, o Benfica mostrou os problemas de sempre. A estratégia do Estrela funcionou na perfeição, com a lição bem estudada quase até ao intervalo. Procurou baixar as linhas, fez desaparecer o espaço entre o meio-campo e a defesa, e aproveitaram as autoestradas, em particular pelo lado esquerdo (do Estrela), as tais situações complicadas para Aursnes, porque Di María não defende. Aproveitaram os espaços do Benfica para o ferir em contra-ataque. 

Por outro lado, o talento acaba por levar a melhor. O Estrela entrou melhor, Benfica foi uma equipa muito apática, e o Estrela acaba por marcar merecidamente primeiro, e passado uns minutos podia ter feito o segundo após um erro de Otamendi. Depois, o Benfica em apenas dois minutos, perto do intervalo, conseguiu inverter o marcador, acabando por fazer dois golos: Arthur com uma boa execução empata o jogo com um passe magistral do Di María, golo fantástico, e dois minutos depois o Benfica faz o segundo e vai para o intervalo com resultado a seu favor. Mas o Benfica esteve bastante adormecido na primeira parte, só deu sinais de vida após sofrer o primeiro golo.

Segunda parte contou outra história

Segundo tempo foi muito diferente. Com o resultado a seu favor, Benfica entrou com mais segurança, sendo que o Estrela, mesmo assim, ainda teve situações de perigo logo no início. Mas em vantagem, e com o resultado negativo para o Estrela, o Benfica acabou por controlar o jogo, dominou. Entra no segundo tempo com outra disponibilidade, com um resultado que à partida já ninguém esperaria que fosse mudar muito, e aos 71 minutos a expulsão acaba por prejudicar um pouco a estratégia do Estrela. O Benfica foi melhor no segundo tempo, também devido à expulsão, mas também já o tinha sido em igualdade. Jogaram a um ritmo baixo, mas com uma tranquilidade diferente porque estavam a ganhar. Fez substituições naturais, com jogadores que deram mais velocidade ao jogo, como é o caso do Neres. No fundo, o segundo tempo foi mais tranquilo e os golos apareceram com mais facilidade, mas o Estrela estava com menos um jogador.

Poucas ideias para o que esta equipa vale

Domínio total do Benfica no segundo tempo, com mais dois golos, mas Benfica, apesar de ter tido mais bola, revelou-se com poucas ideias em relação ao que esta equipa vale. O Benfica tem jogadores e plantel para ter um rendimento diferente e um comportamento diferente desde o início do jogo, não pode estar à espera de um falhanço do adversário ou de uma expulsão para tentar dar a volta ao resultado. Mas merece a vitoria. O Estrela acaba por também ter mérito no primeiro tempo, mas depois o Benfica acaba por ganhar bem.

Arthur Cabral destacou-se

Arthur Cabral destacou-se, foi o melhor jogador. Nota-se, pela observação que tenho feito, que está mais solto, parece ter perdido peso e está mais confiante. Está nos primeiros três golos, é um jogador que se nota que está com mais confiança e tranquilidade. O Arthur precisa de mais tempo de jogo para ganhar mais ritmo competitivo, não é chegar aos 79 e substituí-lo, e não lhe dar os minutos que precisa. Precisa de mais tempo para ganhar mais forma.

Vitória justa, mas não foi fácil. O Benfica joga muito devagar.