90+alma é nova face do Benfica de Schmidt
O festejo de Arthur Cabral após marcar o golo que garantiu a passagem do Benfica à Liga Europa em Salzburgo (Foto: GEPA pictures/IMAGO)
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90+alma é nova face do Benfica de Schmidt

NACIONAL14.12.202320:55

Equipa já marcou, nesta época, mais golos decisivos no tempo de compensação do que em toda a temporada anterior; capacidade de decidir no último suspiro disfarça dificuldades

Quando  se pensa em equipas capazes de decidir muitos jogos no tempo de compensação vem sempre à memória a famosa história de Juanito no Real Madrid («90 minutos são muito longos no Santiago Bernabéu», dirigindo-se aos jogadores do Inter nas meias-finais da Taça UEFA, em 1986) ou o Fergie time do Manchester United (o primeiro título de Alex Ferguson nos red devils foi conquistado para lá dos 90’ num jogo com o Sheffield Wednesday, em 1993), dois eventos que  ajudaram a forjar uma cultura que se mantém viva nos dois gigantes do futebol europeu e que podia resumir-se no velho chavão do futebolês: Os jogos só acabam quando o árbitro apita

Ganhar partidas ou conquistar objetivos no último fôlego é também a nova face do Benfica de Roger Schmidt, algo que não se tinha visto na época passada. Em 2023/2024 as águias já apontaram mais golos decisivos no tempo de compensação (cinco) do que em toda a temporada anterior (três).

É uma característica que reforça as diferenças entre os dois períodos: em 2022/2023 os encarnados resolveram quase tudo de forma antecipada, nesta época as dificuldades têm sido maiores, sendo necessário recorrer a doses reforçadas de alma para superar o sofrimento. Para o adepto, ganhar à beira do abismo até pode saber melhor, mas para o treinador é revelador do que não funciona durante o tempo mais racional.

Cinco ‘heróis’

A principal característica dos golos apontados pelo Benfica no tempo extra em 23/24 é o seu caráter resolutivo. Musa fez o 3-1 aos 90+4’ diante do Gil Vicente (os galos fizeram o 3-2 depois disso), António Silva marcou o golo da vitória frente ao Estoril (1-0) aos 90+3’, João Neves empatou o dérbi com o Sporting aos 90+4’ (1-1) e Tengstedt ganhou-o aos 90+7’ (2-1) e Arthur Cabral garantiu a passagem à Liga Europa aos 90+2’, frente ao Salzburgo. O único golo na compensação que nada decidiu foi o 2-0 de Rafa na vitória em casa frente ao E. Amadora.

Em 22/23, o Benfica marcou oito golos para lá dos 90’ mas só três tiveram história: o 2-1 de João Mário em Vizela (90+11’, de penálti), o 6-1 de João Mário com o Maccabi Haifa que garantiu o 1.º lugar do grupo na Champions e o 2-2 de João Neves aos 90+4’ no dérbi com o Sporting que permitiu à equipa precisar apenas de um empate com o Santa Clara para ser campeão. 

Nunca há épocas iguais e a primeira metade da águia em 2023 /2024 está a ser feita em montanha russa. Pelo menos de falta de emoção ninguém se pode queixar .