Taça de Portugal: último suspiro ainda chegou para encher balão (crónica)
A alegria de uns é a tristeza de outros. É assim o futebol. Especialmente na Taça de Portugal, competição que potencia grandes momentos de festa e onde a magia que lhe está associada faz com que os resultados sejam muitas vezes impossíveis de prever. Porque a teoria nem sempre tem paralelo na prática. Por isso é que, época após época, a expressão tomba-gigantes prolifera em vários estádios nacionais. Não foi, desta feita, o caso, mas podia muito bem ter sido...
É certo que o Rio Ave dominou grande parte do desafio, é factual que a formação orientada construiu as melhores situações de finalização, mas não é menos verdade que o Louletano bateu-se de igual para igual e quem não soubesse que frente a frente estavam uma equipa da Liga e outra da Liga 3... dificilmente diria que era essa a realidade.
De forma humilde, o conjunto orientado por Miguel Valença — jovem treinador, de apenas 36 anos, que já tem três subidas no currículo (Anadia, na época 2020/21, Amora, 2024/25, e Louletano, 2025/26, todas do Campeonato de Portugal à Liga 3) e que está lançado para voos mais altos ao longo da sua carreira — aceitou a supremacia do adversário e fez-se valer de uma superlativa organização defensiva para ir anulando todas as investidas da equipa de Vasco Seabra — chegou há pouco tempo a Vila do Conde e só sabe ganhar: dois jogos, duas vitórias (Nacional e Louletano).
A pressão do emblema da Caravela intensificou-se na etapa complementar, mas os algarvios mantiveram-se fiéis ao plano de jogo que tinha sido traçado e apenas podem lamentar-se do facto de não terem tido o sucesso que desejariam aquando das transições ofensivas.
O Rio Ave via o tempo a passar, mas não perdia o discernimento. A bola teimava em não entrar, mas as ideias estavam sempre claras. Até que, no último suspiro, o (inevitável) homem do balão teve fôlego para abrir os pulmões e disparar o sopro decisivo: de cabeça, ao segundo poste, Jalen Blesa (quem mais?) disse que sim e selou o apuramento dos nortenhos.