Sudakov admite que pensou muito nos €27 milhões que custou
Heorhii Sudakov foi o porta-voz do plantel do Benfica na antevisão ao duelo com o Celtic, a contar para a Liga Europa. O internacional ucraniano, que chegou à Luz no verão de 2025 proveniente do Shakhtar Donetsk a troco de €27 milhões — tornando-se a contratação mais cara do clube —, falou do peso desse valor, admitindo que o lhe ocupou bastante a cabeça.
«Às vezes penso sobre isso, mas falei com o treinador e ele transmitiu-me muita calma. Pensei muito nisso na época passada, mas, neste momento, o dinheiro não interessa. Não interessa quanto custámos: temos de trabalhar e mostrar em campo. Não gosto de falar do passado, prefiro focar-me no que está a acontecer agora e no futuro», confessou o criativo de 24 anos, em resposta a A BOLA
A jogar num contexto com dinâmicas renovadas, Sudakov assume que se sente mais solto e sem amarras mentais, focado no processo de evolução diária: «Não gosto de comparar treinadores, todos foram importantes e aprendi com todos. No geral, talvez sinta agora mais liberdade, mas é algo que vem da minha cabeça. Talvez antes pensasse que tinha de fazer um pouco mais; passei por algumas lesões e fiquei um pouco zangado. Agora só quero trabalhar e melhorar todos os dias, taticamente, com e sem bola.»
Sobre o seu posicionamento em campo, o camisola 10 encarnado sublinhou a sua disponibilidade total em prol do coletivo: «Talvez a minha posição natural seja a 10, mas não me sinto desconfortável a jogar a 6 ou a 8. Na seleção também já joguei a extremo-esquerdo; para mim, o mais importante é jogar.»
O golo marcado no último encontro frente ao V. Guimarães serviu para libertar a pressão da seca de golos, algo que o próprio reconhece ser crucial para a sua posição. «Não marcava há dez meses e claro que é difícil. Na minha posição tenho de fazer números, os golos e as assistências são muito importantes. Espero marcar mais, embora prefira sempre ganhar a marcar 20 golos. Fiquei feliz por esse golo, passei algum tempo sem marcar, mas estava calmo porque sabia que iria acontecer. Espero que seja apenas o início», sublinhou.
O médio ucraniano não escondeu a responsabilidade que carrega na equipa e o estatuto que sente dentro do balneário: «Sinto que sou um jogador-chave desde o primeiro dia, sinto-o na equipa. Sei como os rapazes e o treinador acreditam em mim. Não encaro isso como uma pressão, está tudo bem. Trabalho sempre no duro, dentro e fora de campo. Quando jogamos pelo Benfica e o clube nos contrata por um valor alto, claro que podemos ser jogadores-chave.»
A perspetiva de competir ou partilhar o meio-campo com Echeverri foi outro dos temas abordados, com o internacional ucraniano a tecer rasgados elogios ao novo companheiro de equipa: «É um grande jogador, oferece muito à equipa e é um bom rapaz. Claro que podemos jogar juntos, mas essa é sempre uma decisão do treinador. Foi uma boa contratação.»
Em relação ao reencontro com o Celtic, adversário com quem já se cruzou no passado ao serviço do Shakhtar Donetsk, Sudakov perspetiva um duelo intenso e de alto nível na Liga Europa. «Parece um dérbi. Já joguei contra eles na Liga dos Campeões pelo Shakhtar. É especial, um grande jogo. Estamos a preparar-nos bem e vamos tentar fazer os adeptos felizes e desfrutar em campo», projetou.
Interrogado também sobre a recente passagem pela seleção da Ucrânia, o médio desvalorizou os condicionalismos físicos e sublinhou a diferença entre realidades: «Tive uma pequena lesão, mas estou feliz lá. Não se pode comparar a seleção com o Benfica, são sistemas, adeptos e contextos completamente diferentes.»
Apesar de se sentir numa fase ascendente da carreira, Sudakov deixa uma garantia de compromisso e humildade aos adeptos encarnados para o resto da temporada: «Todos os dias tento mostrar a melhor versão de mim. Sei que ainda não o fiz e que tenho de continuar a melhorar.»