Rui Borges e os elogios de Frederico Varandas
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Sporting: a contestação, a confiança e os elogios de Varandas; e também Ronaldo, tudo o que disse Rui Borges

Treinador leonino fez a antevisão do jogo com o SC Braga, da jornada 8 do campeonato, que se joga esta sexta-feira às 20h15

O campeonato está de volta após três semanas de data FIFA para os jogos das seleções nacionais e nesta sexta-feira há logo uma deslocação do Sporting ao terreno do SC Braga. Jogo grande em que os leões não têm grande margem de erro, pois à entrada para a jornada 8 são já seis pontos de atraso para o líder FC Porto.

Rui Borges fez esta quinta-feira na Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, a antevisão do jogo no Minho (sexta-feira às 20h15), falou das dificuldades que o SC Braga pode criar, da condição dos internacionais (os que jogaram e os que não jogaram, como Gonçalo Inácio), da contestação e da confiança e elogios de Frederico Varandas. Mas falou também sobre Cristiano Ronaldo. Eis tudo o que disse o treinador dos verdes e brancos.

— Como foi a preparação para o jogo, em semanas de muitas ausências devido às seleções, e que análise faz ao SC Braga?

— Foi uma semana tranquila. Vamos para Braga sem treinar com o grupo todo mas são grandes jogadores e estão focados no que têm de fazer e preparados para a exigência do jogo. O SC Braga é grande equipa, muito agressiva na pressão alta, muito intensa e competitiva. É das melhores, se não mesmo a melhor, nos duelos ganhos em termos defensivos. É equipa que mais finaliza na transição ofensiva, no momento de ganhar a bola. Isso dita bem da qualidade dos jogadores mais ofensivos. Tem padrão de jogo muito específico, muito associativo, é das equipas com mais posse de bola no nosso campeonato e a que menos se consegue pressionar, porque fica difícil arranjar os momentos de pressão.

— O que é preciso fazer para contrariá-la?

— Temos de ser muito pacientes e organizados nesse momento que falei. É uma equipa forte no momento ofensivo, com muito bons finalizadores… O Horta, Pau Victor são diferenciados em termos técnicos e em qualquer momento podem fazer a diferença Têm cinco jogos em casa, cinco vitórias, zero golos sofridos. Perante isso, queremos ser Sporting, sermos fiéis à nossa identidade e queremos trazer os três pontos.

— Zalazar, Maxi e Suárez estão preparados para ir a jogo?

— Sim, mas há decisões que vão ser tomadas no dia do jogo. Ainda hoje não conseguimos treinar com o grupo todo... assim é mais difícil trabalhar em termos estratégicos, mostrar algumas coisas em campo... Vamos mais à parte do vídeo, como é óbvio. Mas é muito da sensação no próprio dia, de como estarão. Perceber na estratégia qual a melhor equipa numa fase inicial para jogar contra uma grande equipa também. Sinto os jogadores motivados, até porque quase todos fizeram boas exibições nas seleções. Vêm motivados nesse sentido e prontos para ajudar o Sporting a ser melhor.

— Houve pedidos do Sporting para esses jogadores serem menos utilizados?

— Fizemos tudo, enquanto estrutura e clube, o que estava ao nosso alcance para conseguirmos minimizar ao máximo o desgaste dos jogadores, sabendo que jogaríamos na sexta-feira. O que controlamos tentámos fazer da melhor forma para estarmos o mais frescos possível.

— Ioannidis jogou e marcou pela Grécia, pode aparecer na equipa?

— Tudo tem peso. Agora tem muito mais peso a gestão do esforço e o que é o excesso de carga que algum jogador possa ter. O Luis [Suárez] é um deles, claro. Vai ser algo muito do dia de jogo, perceber qual será o melhor onze para dar resposta perante um SC Braga com muita intensidade e qualidade.

— Por outro lado houve jogadores, como o Gonçalo Inácio, que não tiveram qualquer minuto nas seleções. No casom do central, que não passava por boa faze, Jorge Jesus até disse que com ele ia passara jogar melhor… Que cometário lhe merece?

— Não jogou… errou menos [risos]. De resto vai continuar a jogar, a ter a confiança do treinador. A jogar é que eles crescem, claramente. Em treino também, mas jogar proporciona outras coisas. É o capitão do Sporting, vai ter a confiança.

— O Ibrahima Ba está preparado para ir a jogo?

— Está a treinar normalmente, está convocado. A paragem para o Ba foi boa. De resto, ficámos com quatro jogadores para treinar, não está mau…

— Na época passada foram dois empates com o SC Braga, consentidos nas fases finais dos jogos, o que vai fazer de diferente?

— São épocas diferentes, jogos diferentes, jogadores diferentes… Obriga-nos dentro do nosso jogo a tentarmos ser o melhor possível e fazer um grande jogo. Sabemos também que vimos de dois empates que deixam alguma intranquilidade mas ao longo destes dias, apesar de não termos o grupo todo, fui sentindo a equipa muito motivada, tranquila e com muita vontade de dar grande resposta perante uma grande equipa e assim conseguir os três pontos. A pressão do Sporting, de qualquer equipa grande, é ganhar todos os jogos e vamos tentar fazer isso perante as dificuldades que vamos ter. Que sejamos sempre capazes de as anular.

— Ainda tendo em conta os jogos da época passada com o SC Braga, os golos sofridos no fim, já chamou os ‘Caça-fantasmas’?

— Antigamente chamávamos o padre [risos]. É natural que em algum momento possa mexer com a equipa e faz parte. O culpado será sempre o treinador e assumo sempre as responsabilidades. Mesmo nesta época, os jogos em que sofremos golos, o único que tem muito a ver com o que não fomos capazes de fazer foi a segunda parte com o Vitória de Guimarães, estivemos muito aquém, deixámos o adversário acreditar muito... Nos outros jogos fomos penalizados por ações individuais, que temos de melhorar, como é óbvio, mas nunca foram equipas que nos expusessem a toda a hora, sob pressão, tirando a segunda parte do Arouca, também porque estávamos a jogar com dez... Podíamos mudar mas a única parte que nos deixa mesmo chateados foi a segunda com o Vitória. Tirando isso fomos penalizados por pequenas coisas. Antigamente benziam-nos… É reagir, fazer o grupo acreditar e estar mais concentrados ainda em pequenas ações para não sermos penalizados em poucas coisas que nos tentam criar.

A contestação, a confiança e os elogios de Varandas

— O líder FC Porto tem seis pontos de vantagem, Frederico Varandas deu-lhe voto de confiança. Sente-se mais pressionado?

— A confiança do presidente vem desde o primeiro dia e é diária. Sinto-me bem e feliz no Sporting desde o primeiro dia, com o carinho de todos. É bem demonstrativo do que pensam do trabalho da equipa técnica. A confiança é diária. Estou supertranquilo. A pressão é a mesma desde o primeiro dia, estou pressionado desde esse dia. Percebo a grandeza, a exigência e trabalho todos os dias para ela. Às vezes conseguimos, noutras vezes não... A pressão é exatamente a mesma de quando estiver ganhar sempre.

— Mas no último jogo houve contestação e esse tal voto de confiança do presidente. É por isso este encontro mais importante agora e também pela desvantagem para o FC Porto?

— A contestação é natural em todo o mundo no futebol. A exigência do Sporting é enorme, sabemos bem o que representa estarmos à frente da equipa do Sporting e em alguns momentos vai existir essa contestação, lido bem com isso. Percebo-a, respeito-a e sigo muito focado no meu trabalho de dar a volta a momentos menos positivos que possam acontecer ao longo da minha carreira.

— Mas sente-se na obrigação de retribuir os elogios do presidente com vitórias?

— Lutamos sempre pelo nosso melhor, não é retribuir nada, é o meu trabalho: fazer o melhor pelo Sporting. A exigência é entrar para ganhar todos os jogos, não tem a ver com retribuição, até porque esse carinho e confiança do presidente acontece todos os dias, independentemente dos resultados e do futuro. Isto não é só carinho, tem a ver com competência da equipa técnica, a validação dessa competência. É bem demonstrativo desde o primeiro dia e às vezes nem é preciso falar. Mas é sempre bom sentir o apoio todo, principalmente do presidente. As críticas são naturais no futebol. Desde que comecei como treinador sabia o meu papel e o que quero no meu futuro. Com muita competência cheguei ao Sporting, hei-de continuar assim e a contestação faz parte, não me faz confusão.

— Em caso de derrota em Braga o Sporting até pode ficar a nove pontos do FC Porto…

— Estamos a lutar pelos três pontos e esse é o único foco.

Os amarelos e Cristiano ronaldo

— O Sporting é a equipa com mais amarelos, a diferença, por exemplo, para o FC Porto é devida a quê? Há nervosismo? Critérios diferentes?

— Não vou fazer comentários, deixo essas análises para vocês. Eu analiso a minha equipa e ela tem estado bem, tem sido intensa e competitiva. Mais amarelos, menos amarelos, se estão certos ou errados não vou comentar. Temos de respeitar e é a única forma de sabermos estar. Seguir focado no nosso trabalho, no que controlamos, e nisso a equipa tem estado bem nos níveis de intensidade e agressividade. Amarelos não ditam que agressividade é em demasia.

— Como sportinguista e aqui na academia Cristiano Ronaldo, como gostaria de o ver sair da Seleção?

— Não vou falar muito sobre isso, nem tenho essa capacidade, são sempre suposições. A grandeza dele não é só no Sporting, é a nível nacional, mundial… nem temos a noção do que significa o Ronaldo o para todos nós, foi uma sorte ter podido vê-lo a jogar. Desejo o melhor a ele e ao mister Jorge Jesus, pelo que representa para os treinadores mais novos. Vai despedir-se da forma que ele quiser ou entender. A admiração é enormíssima.

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