Rui Borges, treinador de 45 anos do Sporting
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Rui Borges com licença para ser arrogante

Com discurso mais assertivo e a assumir-se como líder, o transmontano só tem a ganhar. Mantendo a humildade que não deve perder mas sem medo de ser arrogante quando tiver de ser. E quando tem razão para ser, como nestas jornadas europeias em que se assume como Rui da… Europa. Este é o ‘Nunca mais é sábado’, espaço de opinião de Nuno Raposo

Três semanas podem ser muito tempo. Um mau resultado antes de uma data FIFA, como a última, fazem esse período parecer uma eternidade. Para o Sporting, não fosse o caso Cristiano Ronaldo pelo meio, teria sido ainda pior, a má fase esmiuçada até ao tutano, como se viu no dia do jogo com o SC Braga, as palavras de Rui Borges na véspera a serem dissecadas para lançar um desaire por muitos anunciado. Só que não.

Escrevi aqui neste espaço já durante a presente temporada que o treinador era o elo mais fraco em Alvalade, mais do que a estrutura. Escrevi aqui que não beneficiaria da paciência dos sportinguistas, escaldados desde a derrota na Taça de Portugal com o Torreense. Mas beneficia o treinador leonino da confiança que Frederico Varandas manifestou mais do que uma vez neste período em que alguns esfregaram as mãos à espera da queda do mirandelense... E beneficia por culpa própria, porque está a mostrar ser capaz de se assumir grande. Não pode é dar passo atrás...

Mais atrás na fita do tempo, escrevi aqui também, depois dessa derrota do Jamor, que seria preciso Rui Borges mudar, desde logo na forma como se assume ao grupo, como pega nas rédeas duma equipa da dimensão do Sporting. E neste regresso à competição noto alguns sinais de que o treinador se solta de amarras a que não tem razões para se prender.

Pode parecer um pormenor, mas o discurso de Rui Borges no balneário da Pedreira antes do 3-1 ao SC Braga mostra-nos que o técnico é ambicioso. «Não ganhamos há muito tempo, somos o Sporting e isto não pode ser, c...! Tem de doer aqui, é uma coisa fora do normal! Quero ganhar, gosto de ganhar, e quando cheguei aqui habituei-me a ganhar ainda mais… e dói ainda mais não ganhar! Não ganhamos há muitos dias, façam tudo para sair daqui com os três pontos!»

Não foi por acaso que os leões divulgaram esta palestra e não foi por acaso que em dois jogos se viu um Sporting diferente. Com dedo do treinador. A mudança tática dá mais consistência a uma defesa que beneficia do recuo de Altimira, que a jogar entre a dupla de centrais os mete mais confortáveis, como se jogassem num trio, forma que tão bem conhecem doutros tempos, também já com Rui Borges no ano do bicampeonato. E a atacar este leão mostra-se letal.

Rui Borges não tem medo de mudar. Mudou para o 3x4x3 em 2024/2025 quando percebeu que a equipa se sentia melhor assim; mudou para o seu 4x2x3x1 de marca e a equipa jogou bem; mudou para um 4x3x3 mais clássico e nota-se melhorias. Mudar só por mudar não vale nada, mas se com critério é sinal de inteligência.

Com discurso mais assertivo e a assumir-se como líder, o transmontano só tem a ganhar. Mantendo a humildade que não deve perder mas sem medo de ser arrogante quando tiver de ser. E quando tem razão para ser, como nestas jornadas europeias em que se assume como Rui da… Europa, pois são já oito vitórias na UEFA Champions League — e no Vitória de Guimarães tinham sido dez na Liga Conferência. Depois da magnífica campanha na Liga dos Campeões na temporada passada e com esta entrada em cena esta época, o leão assume uma dimensão europeia que nunca tinha tido, nem mesmo nos melhores tempos de Ruben Amorim…

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