Rooney arrasa balneário do United e atira-se a Bruno Fernandes: «São como bebés»
Wayne Rooney teceu duras críticas aos jogadores do Manchester United na sequência das recentes declarações públicas de Lisandro Martínez e Bruno Fernandes, acusando o plantel de ter atitudes «egoístas» e os jogadores de se comportarem «como bebés» perante o momento negativo da equipa.
A reação da antiga lenda dos red devils surge após a pesada derrota por 1-4 frente ao Como, a contar para a Champions League, na qual o capitão Bruno Fernandes colocou em causa a abordagem tática de Michael Carrick. Uma semana antes, também Lisandro Martínez havia criticado a estratégia de transferências da direção depois de uma exibição apagada diante do Atlético Madrid nas competições europeias.
Em declarações ao podcast The United Stand, Rooney considerou que as palavras do defesa argentino foram um «pesadelo absoluto» com capacidade para «destroçar o balneário» e que o comportamento do internacional português seguiu a mesma linha de fuga às responsabilidades individuais.
«Esse foi o início. Vimos isso agora com o Bruno e vamos assistir ao mesmo com mais jogadores, porque eles não querem assumir a responsabilidade», afirmou o antigo avançado. «Pode-se discutir se o Bruno tinha ou não razão no que disse, mas é preciso assumir a responsabilidade em campo. Têm de assumir a responsabilidade enquanto grupo.»
Rooney foi mais longe e apontou o dedo à mentalidade dominante no grupo: «Estes jogadores são egoístas. Não querem saber dos companheiros de equipa, não querem saber do treinador, da equipa técnica ou dos adeptos, apenas se preocupam consigo próprios. Se as coisas não lhes correm de feição, agem como bebés, atiram os brinquedos para fora do carrinho e sacodem a culpa para qualquer outra pessoa que não eles.»
Para o antigo internacional inglês, a tomada de posição de Bruno Fernandes serviu apenas para desviar as atenções do seu próprio rendimento: «Se ele olhar para si próprio ao espelho, se o Martinez e todos os outros olharem ao espelho, vão ver que quem está a olhar de volta são eles mesmos, e isso não é suficiente. Têm de mostrar mais.»
As críticas táticas de Bruno Fernandes
Após o desaire frente ao Como, Bruno Fernandes havia manifestado a sua discordância com a estratégia traçada pela equipa técnica: ««É uma decisão da equipa técnica não pressionar homem a homem e, por vezes, deixar espaço atrás e tentar recuperar a bola, esperar por eles. Mas quando dás espaço a estas equipas, elas ganham confiança», declarou o capitão, acrescentando: «Cabe ao treinador e à equipa técnica dizer isso [se a tática estava errada], não a mim. Por vezes, temos de ser mais corajosos sob pressão, assumir o risco de pressionar alto e deixá-los desconfortáveis. Como se viu com o Como, o defesa-central vinha marcar-me no meu próprio meio-campo. Tínhamos de fazer isso como equipa, mas não fomos capazes.»
Confrontado com as palavras do capitão na conferência de imprensa, Michael Carrick contrapôs e apontou o dedo à falta de entrega dos seus jogadores.
«Na verdade, fizemos uma pressão a meio-campo homem a homem na segunda parte e sofremos um golo na sequência disso», rebateu o técnico. «Há sempre uma nuance em qualquer sistema ou tática utilizada, mas se não se corre — se não se corre para a frente e não se corre para trás —, não se ganha.»
Com o Manchester United a preparar a deslocação deste fim de semana para defrontar o Bournemouth na Premier League, Rooney aconselhou o antigo colega de equipa a mudar de postura e a endurecer o discurso no balneário.
«Há certas coisas que se têm de fazer para proteger estes jogadores, mas ele tem de lutar por si próprio, porque estes jogadores vão afundá-lo e será ele a perder o emprego por causa disso», alertou Rooney, sugerindo que Carrick deixe claro que «acabou o tempo de ser o tipo simpático».
Divergências pelo sucessor
O ambiente de crispação no Manchester United extravasou o balneário e atingiu a estrutura diretiva de Old Trafford. De acordo com informações avançadas pelo Daily Mail Sport, existem crescentes divergências entre o diretor de futebol, Jason Wilcox, e o diretor de recrutamento, Christopher Vivell, em relação ao perfil do técnico que poderá suceder a Michael Carrick, caso seja afastado.
Na base do desentendimento está o nome preferido por Christopher Vivell. O responsável pelo recrutamento insiste fortemente na contratação de Julian Nagelsmann, técnico de 39 anos que se encontra livre no mercado após um Campeonato do Mundo desastroso ao comando da seleção da Alemanha. No entanto Wilcox, superior hierárquico de Vivell, tem uma visão distinta e dá prioridade a um perfil com provas dadas na Premier League. Nesse sentido, nomes como Eddie Howe, Fabian Hurzeler, Unai Emery e Antonio Conte integram a lista.
Carrick tem permanência assegurada no banco esta jornada, mais para a frente se verá. O calendário imediato do Manchester United reserva uma receção ao Bournemouth em Old Trafford este domingo, seguindo-se uma deslocação ao terreno do Chelsea e a visita da Roma no início do próximo mês. Antes da paragem de duas semanas para os compromissos internacionais em novembro, a equipa cumprirá ainda um último compromisso caseiro frente ao Aston Villa.
Artigos Relacionados: