De encantar a Europa ao terror no Man. United: regresso para esquecer
«Ele é como um Rembrandt, está a tornar-se A Ronda Noturna e podemos ver isso a acontecer diante dos nossos olhos.» Em fevereiro de 2020, Mino Raiola elogiava desta forma Matthijs de Ligt, então com 20 anos, que acabara de chegar à Juventus por 75 milhões de euros, proveniente do Ajax. Mais de seis anos depois, a comparação contrasta com o momento difícil que o neerlandês atravessou (e continua a atravessar).
Em Amesterdão, De Ligt tinha-se afirmado como um dos grandes talentos da sua geração. Capitão do Ajax de Erik ten Hag, ajudou a equipa a chegar às meias-finais da UEFA Champions League e conquistou um lugar entre os centrais mais cobiçados da Europa.
A Juventus ganhou a corrida entre os tubarões pela contratação, mas a passagem por Turim ficou aquém das expectativas. Apesar do investimento avultado, o defesa não conseguiu assumir o papel de líder que o clube esperava, acabando por sair ao fim de três temporadas (117 jogos), em 2022, rumo ao Bayern, por 67 milhões de euros, mais dez milhões em possíveis bónus.
Na Alemanha, também não conseguiu afirmar-se de forma duradoura como uma figura incontornável da defesa. Dois anos e 73 jogos depois, mudou-se para o Manchester United, numa nova tentativa de relançar a carreira.
A aventura em Inglaterra, contudo, tem sido marcada por dificuldades e, mais recentemente, por uma grave lesão nas costas, numa altura em que era titular absoluto da turma de Old Trafford, comandada por Ruben Amorim. De Ligt disputou o último encontro a 30 de novembro de 2025, diante do Crystal Palace, e acabou por ficar praticamente um ano afastado dos relvados, depois de um tratamento conservador não ter produzido os resultados esperados e de ter sido submetido a uma cirurgia.
Após regressar às opções frente ao Atlético Madrid, na semana passada, e de ter ficado no banco com o Leeds, voltou aos relvados (e à titularidade) diante do Como, na Liga dos Campeões. A exibição — naturalmente, dado à longa ausência — ficou longe de ser convincente.
No lance do golo que colocou temporariamente a equipa italiana a vencer por 2-0, Anastasios Douvikas ganhou vários metros ao central neerlandês, deixando-o mal posicionado e evidenciando as dificuldades sentidas durante a partida.
A falta de ritmo competitivo poderá ajudar a explicar alguns dos problemas, mas o regresso acabou por deixar mais dúvidas sobre a capacidade do defesa para recuperar a consistência de outros tempos.
Aos 27 anos, o neerlandês ainda tem tempo para inverter a tendência. Mas, depois de passagens pela Juventus e pelo Bayern sem o impacto esperado e de uma longa ausência por lesão, o antigo prodígio do Ajax enfrenta o desafio de provar que ainda pode corresponder às expectativas que o acompanharam desde muito jovem.
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