«Traição», «vergonha» e «sacrilégio»: Bruno Fernandes é a «vítima' do dia em Inglaterra
Bruno Fernandes está no centro da polémica em Inglaterra, depois de ter questionado publicamente a abordagem tática de Michael Carrick na pesada derrota do Manchester United frente ao Como (4-1), na UEFA Champions League. As declarações do capitão dos red devils motivaram uma onda de críticas por parte de antigos jogadores e comentadores, que consideram a atitude inaceitável.
Tudo começou após o encontro de quarta-feira, quando o internacional português, no final da partida em Itália, apontou a falta de pressão sobre o adversário como um dos problemas da equipa. «É uma decisão da equipa técnica não pressionar homem a homem. Mas, por vezes, quando damos demasiado a bola a estas equipas, elas ganham confiança. Cabe ao treinador e à equipa técnica analisar, não a mim. Apenas disse que, por vezes, temos de ser mais corajosos sob pressão, assumir o risco de pressionar alto e de os deixar desconfortáveis», afirmou, em declarações à TNT Sports.
As palavras não caíram bem junto de várias figuras do futebol inglês, que interpretaram a intervenção como uma crítica direta às decisões de Carrick.
Joe Cole foi um dos mais contundentes, considerando que o capitão do Manchester United ultrapassou os limites ao questionar publicamente o treinador. «Está a questionar as táticas. Não interessa se tem razão ou não. Isso é sacrilégio», afirmou o antigo internacional inglês, na TNT Sports.
«Já joguei com treinadores cujas táticas não me convenciam. Podes dizer isso a um amigo ou à tua mulher, mas não podes aparecer como capitão do clube e questionar o treinador. Se vais falar, sê frontal e assume o que dizes. Ele provavelmente pensa que é esperto, como se estivesse a dizer: 'Nós podíamos ter feito isto, mas depois cabe ao treinador'. Como quem diz: 'Eu não disse propriamente isso, mister'. Mas disseste o que disseste. Achaste que as táticas estavam erradas», acrescentou.
«Podes ir amanhã ao gabinete do treinador e dizer-lhe: 'Acho que esteve errado, mister'. Ter uma conversa cara a cara. Enquanto capitão do Manchester United, não podes vir a público questionar as táticas. Bruno esteve mesmo mal. Isso nunca teria acontecido com Sir Alex Ferguson.»
Kasper Schmeichel, antigo guarda-redes e filho de Peter Schmeichel, uma das figuras históricas do Manchester United, também considerou inoportunas as declarações do internacional português.
«Tendo em conta o que aconteceu na semana passada [lembrando as declarações de Lisandro Martínez] e tudo o que se passou, provavelmente não deveria dizer estas coisas, porque só vai agravar os problemas», afirmou à BBC.
«Com a experiência, aprendemos que estas questões têm de ficar dentro do clube. É um problema. O Michael Carrick não precisava disto, o clube não precisava disto. Está a expor todos os problemas do Manchester United.»
Stephen Warnock, antigo defesa do Liverpool, partilhou a mesma visão, sublinhando que os jogadores devem procurar soluções em conjunto, independentemente da opinião que tenham sobre o treinador.
«Gostes ou não do treinador, tens de te unir e dizer: 'Como é que corrigimos isto?'. Os jogadores mais experientes devem falar com o treinador e dizer-lhe que não concordaram com as táticas, que acham que a equipa não abordou bem o jogo, e perguntar como podem avançar. Quando começas a falar destas coisas em público, não acaba bem para ninguém», explicou.
Frank Leboeuf, antigo defesa-central do Chelsea, foi ainda mais longe na análise. «Assistimos a uma traição. Uma traição ao treinador, aos adeptos e ao clube por parte dos jogadores», afirmou, na ESPN.
«Podemos falar das táticas, talvez não tenham sido as melhores. Mas talvez Michael Carrick conheça demasiado bem os jogadores e saiba aquilo de que são incapazes. Talvez por isso tenha sido um pouco mais defensivo. Eles estão a deixar o treinador ficar mal. Não correm por ele, não correm pelo clube, não dão 100%», observou.
Sobre o português, foi particularmente duro: «Aquilo que vejo demasiadas vezes é batota, choro e reclamações. Sim, é um grande jogador, mas começa a correr e deixa de falar!»
Por fim, Gabriel Agbonlahor, antigo avançado do Aston Villa, questionou a capacidade de Bruno Fernandes para exercer a função de capitão numa fase tão complicada para o Manchester United.
«É uma vergonha. Ele destruiu o treinador. Digo isto há anos: agora, quando as coisas ficam difíceis no Manchester United, está a mostrar quem é. Como é que pode ser o capitão daquele clube?», questionou.
«Foi uma vergonha. Estava sempre a perder a bola e a levantar os braços. O Tielemans tentou cruzar e, como a bola não chegou a Bruno Fernandes, ele começou a levantar os braços e a apontar o dedo ao colega. Deve ser aquele jogador de quem os outros não gostam no balneário», acusou, elogiando, ainda, a decisão de Carrick de substituir o português aos 60 minutos.
«Quando foi substituído, pensei: 'Muito bem, Michael Carrick. Se vais acabar despedido, pelo menos vais fazê-lo à tua maneira'. Bruno merecia aquilo há semanas. Não tem feito nada. Perde a bola e depois descarrega nos colegas. Que péssimo companheiro de equipa», rematou.
Megulhado na crise, o Manchester United — que atravessa uma sequência de sete jogos sem vencer e vê aumentar as especulações em torno de possíveis sucessores de Michael Carrick — recebe o Bournemouth no domingo, antes de visitar o Chelsea na jornada seguinte.
Artigos Relacionados: