Quem cai no conto do Vigário não consegue sair da crise (crónica)
«Cair no conto do vigário» é uma expressão secular que descreve quem é ludibriado e entrega o que tem a quem o enganou. Traduzindo para o que se passou na noite deste domingo, foi exatamente isso que aconteceu ao Famalicão, mas num sentido mais literal da expressão. A queda na lábia do ‘vigário’ materializou-se no momento em que os homens de Carlos Carvalhal deram espaço a João… Vigário, lateral-esquerdo da equipa de Agostinho Bento. O defesa entregou para a desmarcação de Miguel Moreno que, aproveitando uma sucessão de más decisões da defensiva minhota, rematou certeiro para o fundo das redes de Zlobin.
E por falar em vigário — cujo sinónimo é padre —, foi precisamente João um dos que abençoou o triunfo dos líderes da Série A da Liga 3. Desta forma, se os bolsos dos de Vila Nova de Famalicão já vinham desfalcados pela crise desportiva, ficaram agora ainda mais depauperados.
Não se pode, contudo, dizer que o Famalicão tenha ido ao engano ao Municipal das Laranjeiras. Carlos Carvalhal havia garantido, na conferência de imprensa de antevisão, estar ciente do valor do Paredes e da competência do trabalho desenvolvido pelo amigo Agostinho Bento. Porém, em campo, não pareceu.
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— sport tv (@sporttvportugal) October 18, 2026
Na primeira parte, os visitantes apresentaram-se amorfos, permitindo que o Paredes pressionasse a sua primeira fase de construção e deixasse campo aberto para rápidas transições. Do perigo criado pelo 5.º classificado da Liga em 2025/26 viu-se apenas metade: um remate de Beney para defesa fácil de Fábio Matos.
No segundo tempo ainda se ensaiou uma transfiguração dos famalicenses, mas o único arrepio real para a turma da casa surgiu num remate de Abubakar, aos 69 minutos. Com muito coração e cabeça do lado do Paredes e pouca racionalidade na formação de Carvalhal, o encontro arrastou-se até ao apito final sem alterações no marcador.
Já depois do jogo terminar, o volume dos protestos subiu de tom nas bancadas, com os adeptos a demonstrarem a sua indignação, isto num desfecho conturbado em que Gil Dias ainda perdeu a cabeça e acabou expulso.