José Carlos (à direita) com Jorge Costa na pré-época de 1994, em Sunderland - Foto: A BOLA
José Carlos (à direita) com Jorge Costa na pré-época de 1994, em Sunderland - Foto: A BOLA
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«Pinto da Costa disse-me para ir descansado para o Gil Vicente, que voltava»

Só depois de passar por Barcelos é que José Carlos ganhou lugar no FC Porto. Jorge Costa já era um líder com 21 anos; notícia da morte do 'Bicho' foi «um choque»

— Numa fase anterior desta entrevista mencionou Jorge Nuno Pinto da Costa. Que lembrança guarda do ex-presidente do FC Porto?

— Transmitiu-me uma mensagem marcante quando cheguei ao clube. Foi, talvez, a mais marcante que talvez teve para comigo. No primeiro ano [1989/90] não joguei quase nada e, no ano seguinte, fui emprestado ao Gil Vicente, que tinha acabado de subir pela primeira vez à Liga. Nessa altura, ele foi bem claro: «José Carlos, vai para o Gil Vicente descansado. Garanto-te que vais voltar ao FC Porto para seres um grande central.» Isso marcou-me. Disse-me para eu ir sem receio. Eu estava algo reticente, mas garantiu-me que eu não ia desvalorizar, que ia lá para jogar, fazer golos e voltar ao FC Porto. E foi assim mesmo. O presidente não podia ter acertado mais. Foi uma época muito proveitosa, fiz oito golos no Gil Vicente. Aprendi muito sobre o futebol português nesse ano, porque joguei sempre. Quando voltei ao FC Porto, tudo foi mais simples para mim.

— Falando especificamente do eixo defensivo, o FC Porto tinha, na sua altura, um quarteto de luxo: José Carlos, Aloísio, Fernando Couto e um jovem Jorge Costa. Qual deles era o seu parceiro de eleição?

— O Aloísio, com certeza. Na altura deu muita discussão, porque eu era titular, juntamente com o Aloísio, e o Jorge Costa e o Fernando Couto já jogavam na seleção portuguesa. Eram titulares! Havia uma pressão muito forte em cima de nós, principalmente em cima de mim, porque o Aloísio já tinha vindo do Barcelona com uma patente muito alta... Eu tive de trabalhar muito para agradar, principalmente ao Bobby Robson, que foi o treinador que me puxou e disse: «Se queres jogar, vais jogar. Só tens de treinar bem.» E assim foi. Fui titular durante um ano inteiro ao lado do Aloísio. E fizemos muitos golos, apesar de sermos defesas-centrais.

«Jorge Costa? O Emerson deu-me a notícia e não quis acreditar»

— Quando o Zé Carlos chegou ao FC Porto, o Jorge Costa era um menino de 20 ou 21 anos. Já havia sinais do capitão que ele viria a ser?

— Sim, já dava para perceber a capacidade de liderança dele. Mesmo nos treinos, quando não estava a jogar, ele era um… bem, era um Bicho, como toda a gente dizia! Deixava toda a gente na expectativa de que viria a ser um líder no FC Porto. Identificava-se muito com o clube, tinha um poder de liderança grande e era uma pessoa extrovertida, que brincava com toda a gente. Mas, na hora de ficar sério, era incrível. Eu era mais velho e posso dizer que aprendi muito com esses rapazes.

— Imagino que a notícia da morte do Jorge tenha sido dura.

— Foi um choque muito grande. Quem me ligou a contar, na altura, foi o Emerson. «Carlos, tu sabes o que aconteceu?», perguntou-me. Quando me disse que o Jorge Costa tinha falecido, eu não queria acreditar. Tão jovem… Deixou toda a gente estupefacta. Foi uma perda muito grande, não só como amigo, mas para o futebol. Ele estava muito ligado ao FC Porto, não só por ter sido jogador e capitão, mas também porque era diretor quando faleceu. Todos ficámos muito tristes, foi muito duro.

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