«O João Pinto vê-me sem caneleiras e diz: 'Ó gajo, mas tu estás maluco?'»
José Carlos chegou à Invicta em 1989, proveniente do Flamengo, e não demorou a dar conta da fibra azul e branca num primeiro ano... difícil. João Pinto, o mítico capitão, apadrinhou-o de imediato.
— De certeza que tem aí algum episódio mais curioso para contar…
— Na verdade não há muita coisa para contar, porque era tudo muito centrado no nosso profissionalismo. Não havia muita brincadeira, a não ser no autocarro. Aquelas coisas normais. Mas, dentro de campo, era, trabalho, trabalho e mais trabalho. Quando cheguei, estive o primeiro ano quase todo sem jogar. Era um futebol diferente, tinha de aprender e adaptar-me. Eu vinha do Brasil e estava habituado a jogar sem botas altas ou caneleiras. Quando o João Pinto me viu sem caneleiras, disse-me logo: «Ó gajo, mas tu estás maluco?» Fomos para o campo e uma das primeiras coisas que ele fez foi dar-me uma porrada na perna. Foi para aprender…
— Ganhou logo uma 'tatuagem'.
— Foi mesmo para eu ficar identificado com a forma de trabalhar no FC Porto, que exigia e exige sempre muita disciplina. É lógico que os anos foram passando e muita coisa deve ter mudado, mas acho que essa mística do FC Porto não se perde.
«Não correu bem ao Paulinho McLaren»
Além dos muitos nomes de respeito que compunham o plantel do FC Porto em 1992/93, havia um jogador que, tal como José Carlos, vinha do Brasil. Paulinho César, conhecido pela alcunha 'McLaren', chegava às Antas com cartel de goleador no Santos, mas fez apenas 16 jogos de azul e branco. Marcou um golo. «Conheci o Paulinho no Porto, mas, infelizmente, ele não se adaptou. A adaptação dele não correu nada bem. Chegou como artilheiro do Brasileirão, mas não resultou. Esperava-se muito mais dele. McLaren? Acho que era por ter uma arrancada muito forte no Brasil», recorda José Carlos.