Rodrigo Mora tem sido um dos expoentes máximos do brilhante percurso dos sub-21 de Portugal — Foto: EPA/Luís Branca
Rodrigo Mora tem sido um dos expoentes máximos do brilhante percurso dos sub-21 de Portugal — Foto: EPA/Luís Branca
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O rolo compressor de Luís Freire que arrasou os livros de história dos Sub-21

Com o passaporte carimbado para o Europeu da categoria, a caminhada da seleção deixa um rasto de recordes assinaláveis: a melhor defesa de sempre e um ataque demolidor

A caminhada da Seleção Nacional Sub-21 rumo à fase final do Campeonato da Europa concluiu-se em tom de consagração. O triunfo por 2-0 diante da República Checa, em Leiria, encerrou com chave de ouro um percurso no qual o conjunto liderado por Luís Freire não se limitou a cumprir os objetivos: reescreveu, linha a linha, a história do futebol jovem em Portugal.

A garantia do primeiro lugar do grupo e a consequente qualificação direta — a quarta consecutiva e a sexta nas últimas sete edições da prova — assentaram numa solidez defensiva sem paralelo na história do futebol português. Em dez partidas disputadas no apuramento, a equipa das quinas foi buscar a bola ao fundo das suas redes em apenas duas ocasiões (ambas no desaire na Bulgária).

O registo de somente dois golos sofridos em dez encontros traduz-se numa média esmagadora de 0,20 golos concedidos por jogo, superando as anteriores marcas de 1992 e 1996 (onde se sofreram os mesmos dois golos, mas em menos desafios) e fixando a melhor média defensiva de sempre de Portugal numa fase de qualificação de Sub-21, para além de se ter sagrado a defesa mais avassaladora entre todas as seleções europeias em prova.

Esta solidão em campo dos guarda-redes portugueses ganha contornos ainda mais impressionantes no capitulo dos clean sheets: em nove dos dez encontros disputados, Portugal manteve a baliza inviolada. Luís Freire tornou-se mesmo o primeiro selecionador do escalão a arrancar o seu ciclo com cinco partidas sem sofrer qualquer golo (e com 21 marcados). Pelo caminho, a equipa encadeou sete desafios consecutivos a zero em apuramentos, igualando o topo histórico nacional da categoria.

Todavia, a máquina de Freire esteve longe de se cingir ao rigor tático. O caudal ofensivo foi igualmente devastador: 35 golos celebrados (uma média vertiginosa de 3,5 por jogo), registo apenas superado em todo o continente pela Espanha (47).

Na memória desta qualificação fica registada a estrondosa goleada por 11-0 em Gibraltar, que igualou o maior triunfo de sempre dos Sub-21 portugueses, logo a seguir à estreia em grande plano do técnico, batizada com um 5-0 ao Azerbaijão — a maior goleada de sempre no primeiro jogo de um selecionador do escalão.

A produção ofensiva revelou uma riqueza democrática assinalável, com 19 futebolistas a colocarem o seu nome na lista de marcadores — encabeçada por Rodrigo Mora (5 golos) e Gustavo Varela (4), acompanhados por nomes como Chermiti, Quenda, Roger Fernandes, Banjaqui ou Travassos.

Nos bastidores do golo, Carlos Forbs brilhou ao cotar-se como o segundo maior assistente de toda a qualificação europeia, com 5 passes decisivos.

Ao lançar 33 estreantes ao longo da caminhada, entre eles a pérola de 16 anos apelidade de «novo Yamal», Mezian Soares, o técnico Luís Freire constrói um pecúlio global arrebatador: somando o ensaio particular diante da Irlanda do Norte (4-0), o selecionador contabiliza 11 jogos, 9 vitórias, 1 empate, 1 derrota, 39 golos marcados, escassos 2 sofridos e 10 jogos sem sofrer golos. Números indiscutíveis de uma geração que parte para a fase final do Europeu com rótulo de candidata e futebol de gala.

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