Emanuel Moreira agarrou a titularidade à 2.ª jornada e passou a ser um dos indiscutíveis de Petit no Santa Clara
Emanuel Moreira agarrou a titularidade à 2.ª jornada e passou a ser um dos indiscutíveis de Petit no Santa Clara
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'Nasceu' no Sporting e brilha em território insular: «Temos o objetivo bem claro»

Emanuel Moreira fez toda a formação em Alvalade, destacou-se no Feirense, na Liga 2, e rumou esta época ao Santa Clara, onde se impôs no centro da defesa. «Grupo forte» e «dinâmica de vitórias», destaca o esquerdino, que garante que a equipa está imune a deslumbramentos após o excelente início de campeonato

Titular e totalista nos últimos seis jogos realizados pelos açorianos na presente edição do campeonato, Emanuel Moreira, de 23 anos, é um dos responsáveis pelo sucesso alcançado pelo clube, mas distribui os louros pelo coletivo, apontando os «laços» criados na equipa como uma das bases para a boa fase. Depois de duas épocas na Liga 2, eis que o esquerdino está a responder às exigências do principal escalão do futebol português, assumindo, nesta entrevista exclusiva a A BOLA, que a nova etapa na carreira está a ser «desafiante».

— Chegou ao Santa Clara proveniente do Feirense, da Liga 2. Foi fácil a adaptação à elite nacional, uma realidade diferente?

— Foi desafiante, qualquer mudança na vida de alguém é um desafio. Mas tem sido um bom desafio, fui muito bem recebido no clube pelos meus colegas e equipa técnica e isso tornou a adaptação muito mais fácil. Estou muito feliz no Santa Clara e nos Açores.

— Quais as grandes diferenças entre as duas ligas? Foi necessário mudar a sua forma de jogar?

­— Penso que há algumas diferenças. O jogo é mais rápido, temos menos tempo para pensar, mas são cada vez menores. Não mudei necessariamente a minha forma de jogar, tive apenas adaptar-me à ideia de jogo do mister.

— Este início de época está dentro das suas expetativas, atendendo a que é o primeiro ano ao serviço do Santa Clara?

— Confio muito nas minhas capacidades, sabia que quando a oportunidade surgisse ia estar preparado. Agora é trabalhar para continuar a evoluir diariamente.

— Petit tem apostado em jovens e em jogadores sem experiência na Liga. Como é que o grupo sente e avalia essa confiança do treinador?

— O mister já demonstrou que não olha a idades na hora de lançar jogadores. Mas penso que há um equilíbrio muito grande entre a juventude e a experiência no nosso plantel e isso tem sido uma das chaves para o nosso sucesso. Temos um grupo muito bom.

— O que tem alicerçado a excelente campanha do clube neste início de temporada?

­— Logo na pré-época começámos a criar laços muito fortes enquanto grupo, penso que isso é um dos grandes pilares. Somos uma equipa que trabalha muito diariamente, sentimo-nos muito confiantes e isso nota-se nos jogos.

— O treinador não se cansa de elogiar a alegria com que os jogadores vão para os treinos e para os jogos. Também é um dos segredos?

— Claro! Como disse, o grupo é muito bom e a dinâmica de vitórias também nos ajuda nesse sentido. Com um grupo forte, estaremos sempre mais perto da vitória.

— Pensando em tudo aquilo que está a ser feito, até onde vai o limite dos sonhos do Santa Clara?

­— Nós temos bem claro qual é o objetivo, não nos vamos iludir. No entanto, estamos a fazer um grande arranque de campeonato, quer seja em termos de resultados, como também em exibições. A classificação traduz isso mesmo e enquanto for possível queremos continuar a lutar pelos lugares de cima. Sabemos que estamos só no início, que anda temos muito campeonato pela frente, mas temos muita confiança em nós e no trabalho que estamos a desenvolver.

Os duelos com o primo Diego Moreira

Diego Moreira, uma das estrelas do atual plantel do Milan, é primo de Emanuel Moreira

A família de Emanuel Moreira comporta vários futebolistas, como o tio Almani Moreira, que fez parte do plantel do Boavista que foi campeão nacional em 2000/01, o primo Eric Moreira, 20 anos, também defesa-central e que representa o Excelsior (Países Baixos), por empréstimo do Nottingham Forest, e o sobrinho Milton Barbosa, trinco, de 15 anos, que joga nos sub-17 do Famalicão. O elemento mais mediático do clã é o primo Diego Moreira, 22 anos, extremo internacional belga que joga no Milan.

Em 2021/22 o defesa cruzou-se nos relvados com o extremo em três dérbis entre o Sporting e o Benfica, que terminaram com um empate e duas vitórias para os encarnados. «Infelizmente ele levou a melhor nesses duelos. Durante os jogos éramos adversários, mas no final aproveitámos para falar de outras coisas externas ao futebol», recordou Emanuel Moreira.

Apesar da rivalidade em campo, a união familiar prevalece quando se encontram. E durante os momentos de convívio, há sempre uma bola nos pés? «Não, até porque devido à nossa vida profissional é difícil estarmos muitas vezes juntos. Quando estamos, queremos sempre aproveitar o tempo para conviver e desligar um pouco do futebol.»

Após 10 épocas de formação nos leões, Emanuel Moreira foca-se no presente, ao serviço dos açorianos: «O Sporting é um clube importante na minha carreira, porque foi o que me formou, mas neste momento o meu foco está no Santa Clara e em ajudar o clube a atingir os seus objetivos», concluiu, ele que foi uma vez internacional sub-19 luso.

Dupla com Pedro Pacheco: «Números falam por si»

No eixo da retaguarda do Santa Clara há uma dupla de aço: Emanuel Moreira e Pedro Pacheco. «Acho que os números falam por si. Somos a segunda melhor defesa da Liga e isso só é possível graças a um grande trabalho coletivo e, claro, a um grande entendimento entre mim e o Pedro [Pacheco]. Penso que temos características que se complementam muito bem», apontou o esquerdino, que se considera «um jogador rápido» e que gosta de «participar na construção, a partir de trás».

Sobre a decisão de assinar pelo Santa Clara, Emanuel Moreira foi claro e assumiu que resultou da ambição e do projeto apresentado e pelo forte interesse demonstrado na sua contratação.

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