Lenda do Benfica sobre Ronaldo: «Não temos de lhe dar razão, é um egolátrico»
António Simões, antigo internacional português e medalha de bronze no Mundial 1966, comentou toda esta polémica em torno de Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, e já tendo conhecimento do comunicado oficial do capitão da Seleção Nacional, em que explicou detalhadamente tudo o que aconteceu.
«É melhor encontrar-se forma de criar-se paz do que continuar com a guerra. Não faz sentido isto. Se há condições para que o Cristiano volte, seja bem-vindo, mas por todos, não alguns que se vão escondendo. Não temos de dar razão ao Cristiano Ronaldo, e acho que não tem, agora se ele reconhece que cometeu um erro. Então não tem de ser cristializado, vamos dar-lhe a oportunidade que ele tenha sobretudo um momento de despedida digno à altura e prestígio dele», começou por dizer, em declarações à margem da apresentação pública do relatório 'O apito e a confiança' do movimento UNUM - Benfica de Todos, no Lux Lisboa Park, esta terça-feira, em que a A BOLA esteve presente.
«Pede-se bom senso. Tolerância. Temos conflitos com todos. Se o Cristiano quer fazer, deem-lhe essa chance. Não estou aqui a defender Cristiano ou o Jesus, ou outra pessoa, estou a defender o bom senso. Que se encontrem, conversem e resolvam. Que bonito ficaria. Essa é a minha grande esperança que assim aconteça», afirmou, pedindo cabeça ao jogador do Al Nassr.
«Às vezes ficamos com a sensação de que é um egolátrico, que só pensa nele. Tive essa experiência no Campeonato do Mundo na África do Sul e tive a oportunidade de falar com ele. Já ali tive um pequeno sinal de que não vale a pena ser assim. Este jogador tem este trajeto todo, está maduro, é um homem, arranje forma de pensar que não é egolátrico. Não é só o golo, é o jogo. Essas coisas têm de fazer parte dele. Se ele percebe isto, temos uma festa lindíssima de despedida. Quer jogar? Vamos ver, aí pertence ao selecionador se tem ou não condições para isso», atirou, sendo questionado sobre se CR7 continua a ser uma mais-valia aos 41 anos.
«Tenho dúvidas se é uma mais-valia. Isso implica muito mais do que ser útil, atenção ao que se diz. Quando tem 41 anos tem de perceber que pode ser útil em determinado momento do jogo que pode ele implicar fazendo alguma intimidação ao seu grande nome... coisas que o selecionador deve saber gerir. Se ele quer jogar não é nenhum crime, mas tem de perceber que o querer jogar não é todo o jogo», apontou, abordando um possível castigo.
«Depende do critério. Tem de se olhar para o que se passou e há várias fórmas de castigo... Conversem primeiro, se tiverem de pedir desculpa um ao outro peçam. Que grande lição de civismo que dão a Portugal. Há um extremisto aqui de um lado e outro... querem-se encontrar a meio caminho? Se for só uma parte, não é possível», apontou, garantindo que não teve peso nos colegas.
«Quando olho para o jogo, não me parece que tenha havido mínimo afeto à equipa, nada, zero. A equipa jogou bem e ganhou. Não diz que Ronaldo esteja de estar fora, mas que pode ser útil já não sendo titular, jogar os 90 minutos. Ronaldo era o que tinha mais minutos com Martínez, não faz sentido. Depois dos mil golos, Cristiano Ronaldo vai jogar na Seleção até aos 49 anos», brincou, referindo-se ao Campeonato do Mundo na Arábia Saudita e comparando-o a Eusébio e Maradona.
«Não vou entrar nessa discussão, porque Jesus tem toda a legibilidade de meter o Ronaldo a aquecer um minuto ou 30, é o treinador. Porque é que tem de ter tratamento especial? Tem um estatuto diferente, mas não é jogador da equipa? Acabem com essas coisas, não alimentem isso. O que quis fazer, foi livre de o fazer, é o problema de quem o fez. Todos nós acabamos. Eu joguei com o Rei chamado Eusébio, convivi com Pelé e Maradona, nunca vi uma coisa destas à volta de um Rei. Um senhor com 41 anos a jogar futebol... não é melhor parar?», questionou.
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