João Moutinho deu todas as indicações aos companheiros (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO
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João Moutinho a dar o refrão daquela eterna ternura dos 40 (as notas do SC Braga)

Nem a idade faz esmorecer a paixão pelo jogo do camisola 8 que deveria ter a palavra 'manómetro' no apelido. Defesa muitas vezes acertada mas com Vitor Carvalho num plano a roçar o desastre e com o prémio limão. Huseinbasic deu indicações muito positivas
A figura: João Moutinho (7)

Apresenta 40 anos no passaporte civil e futebolístico, mas está longe — aliás, muito longe — de os aparentar. O refrão da célebre canção sobre uma idade já provecta para um atleta diz que a ternura dos quarenta «não tem conta nem medida». No caso do algarvio, porém, a regra falha: a medida é a de quem continua a encher o campo e a conta é a da incessante procura de pontos para a sua equipa. E, por falar em música, há instrumento métrico para a precisão dos compassos, denonimado ‘manómetro’. Por extravagante que soe, o camisola 8 bracarense bem podia assinar como João Filipe Iria dos Santos Manómetro Moutinho. Guarda no disco rígido todos os compêndios táticos; todavia, se fosse apenas isso, os adversários poderiam respirar mais descansados. A paixão pelo jogo continua intacta e não esmorece um milímetro ao som dos assobios que a bancada leonina lhe insiste em dirigir.

Bernardo Fontes (6) — Os trocadilhos são muitas vezes dispensáveis, mas há ocasiões em que se ajustam com precisão cirúrgica: Bernardo secou quase todas as Fontes de golo aos leões. É verdade que acabou por introduzir a bola na própria baliza no tento que deu vantagem aos verde e brancos; contudo, há que reconhecer que tentou ao máximo remediar a enorme perplexidade defensiva de Vítor Carvalho, que não afastou o esférico, ficou num impasse e deixou as redes à mercê do lance adverso.

Sergio Barcia (6) — Atuou como um autêntico assassino com silenciador perante a maioria das investidas ofensivas do opositor.

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Vítor Carvalho (4) — Um médio cada vez mais adaptado a defesa-central, ostentando uma saída de bola imune ao medo. Compreende-se a opção do técnico em colocá-lo nesta posição para dar fluidez ao processo ofensivo, mas vigora um axioma imemorial: a primeira missão de um defesa é… defender. E nessa vertente falhou redondamente. Primeiro, deixou Suárez livre de marcação e o colombiano não perdoou; no segundo golo leonino, ficou completamente desnorteado, tornando inevitável o autogolo de Fontes; no terceiro, ainda roçou na bola, mas sem evitar que as redes bracarenses voltassem a balançar. Prémio limão da partida.

Bajrami (6) — Teve trabalho a dobrar com Geny Catamo, em virtude de Gabriel Silva pouca ou nenhuma ajuda lhe ter prestado a fechar o corredor esquerdo. No segundo golo dos leões, confiou que Gabri Martínez cumpriria a sua missão sem se deixar ultrapassar no duelo individual, mas o espanhol facilitou e o adversário tirou partido para se colocar em vantagem.

Víctor Gómez (6) — Definitivamente, joga com sangue nos olhos e não dá um único lance por perdido. Deixou na retina um passe de régua e esquadro para Ricardo Horta no plano ofensivo. Irankunda só por uma vez conseguiu ser decisivo, muito por culpa da intransigência do lateral espanhol, que se afirma cada vez mais como uma referência na estrutura bracarense.

Gorby (5) — Demasiado posicional. Ficou a dúvida se esta inércia ofensiva se deveu a iniciativa própria ou a orientações rígidas do treinador. A verdade é que nunca se libertou das amarras táticas, algo que teria sido vital na fase final para a equipa pressionar mais alto e sufocar a primeira fase de construção do leão.

Gabriel Silva (5) — Ágil e buliçoso no ataque aos espaços em diagonais a rasgar a teia defensiva oposta, viu Fresneda negar-lhe o golo com uma mancha determinante (51’). No entanto, precisa de compreender com celeridade que, ao atuar neste sistema, não pode deixar o central descaído naquela faixa entregue à sua sorte perante um opositor tão atrevido e virtuoso como Geny Catamo.

Huseinbasic (6) — O bósnio tem sangue quente nas veias: fechou entrelinhas com rigor e auxiliou com eficácia na dinâmica de um terceiro médio. Embora o golo do SC Braga tenha surgido como autogolo de Rui Silva, teve a ousadia necessária para disparar à baliza num remate cheio de intenção. A nota só não é superior porque, no lance do empate do Sporting, limitou-se a acompanhar Irankunda… com os olhos.

Pau Víctor (5) — Atuou como um falso nove: fixando-se no centro do ataque, mas descaindo constantemente para as alas em busca de espaços. Esteve perto de dilatar a vantagem bracarense aos 51 minutos, valendo a intervenção do guarda-redes leonino. Desgastou-se bastante a solicitar jogo, embora a bola lhe tenha chegado com pouca frequência e, muitas vezes, aos repelões.

Ricardo Horta (5) — O capitão apenas por uma ocasião rasgou a defensiva com um toque de classe para isolar Pau Víctor; de resto, esteve consideravelmente mais apagado do que é habitual. Deambulou entre corredores à procura de influenciar o encontro, sem que se percebesse ao certo o seu raio de ação, e a equipa ressentiu-se bastante deste eclipse criativo.

Dorgeles (5) — Entrou ligado à corrente e ainda provocou um calafrio na estrutura leonina já durante o tempo de compensação, num lance individual que esteve perto de culminar em autogolo de Maxi Araújo.

Gabri Martínez (4) — A forma passiva como abordou o lance no segundo golo do adversário devia figurar num manual sobre como não defender. Posteriormente, tentou emendar o erro com arrancadas pelo flanco para desequilibrar, contudo revelou muito coração e manifesta falta de cabeça.

Jonas Wind (4) — Incomodou um pouco a defesa contrária. Mas só isso… Um pouco.

Tommy Marqués (5) — Entrou com energia, pressionando alto e recuperando algumas bolas em zonas adiantadas do terreno.

Fran Navarro (—) — Três piquezinhos sem impacto e… banho de água quente. Sem nota por escassez de tempo em campo.

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