Zalazar dá-se bens com os bons ares de Braga
Zalazar dá-se bens com os bons ares de Braga
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Banco sul-americano financiou pagamento do défice leonino… (crónica)

A prudência aconselhou Rui Borges a dar uma hora de descanso aos seus principais ativos. Quando os uruguaios e o colombiano entraram, o jogo virou e o SC Braga, que entrara bem no segundo tempo, despediu-se dos pontos, muito por obra e graça de Rodrigo Zalazar…

Quando, aos 58 minutos, a perder por 1-0, Rui Borges foi ao banco buscar as poupanças que tinha deixado no cofre, o jogo mudou, o Sporting apresentou-se com uma cara diferente, mais coerente, com maior agressividade e sempre pronto a aproveitar os espaços que um SC Braga cada vez mais desgastado ia concedendo, e acabou por ser com naturalidade que os três pontos foram para Alvalade.

Apesar de ter realizado três trocas diretas, Vagiannidis por Maxi, Anderson por Zalazar e Ioannidis por Suárez, e de não ter mexido na tática, Rui Borges dinamitou o jogo com a alteração das dinâmicas: Zalazar, a partir da meia-direita foi a cola entre setores que faltava aos leões; Maxi levou para campo o espírito guerreiro que convive mal com a derrota; e Suárez fez o que melhor sabe – um belo golo, além de ter estado envolvido noutros lances de perigo.

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Quem pensa que para mexer numa partida é preciso mudar sistemas e tirar coelhos táticos da cartola, o jogo da Pedreira foi uma grande lição. A tática é importante, a estratégia, também, mas é a dinâmica que, no fim do dia, faz a diferença.

Quase 2-0

Curiosamente, depois de uma metade inicial equilibrada, por vezes enfadonha, até, por demasiado previsível, que chegou ao fim com a vantagem minhota graças a um autogolo rocambolesco de Rui Silva (isento de culpas naquele lance, diga-se), quem entrou melhor no segundo tempo foram os arsenalistas.

Fazendo uma sintonia mais fina da primeira parte, pode dizer-se que o Sporting teve uma boa oportunidade, por Irankunda aos 19 minutos e aos 24 Vítor Carvalho desviou para a barra da baliza de Bernardo Fontes. Mas os dez minutos finais foram dos donos da casa que, antes do 1-0, aos 41 minutos, tinham feito dois avisos sérios ao Sporting, o primeiro salvo por Fresneda (37), que intercetou a bola de Gabriel Silva, isolado, e o segundo por Quaresma, contrariando Pau Vítor. Ora, este sinal mais da equipa de Carlos Vicens prolongou-se pelo início do segundo tempo, e aos 47 e 52 minutos estiveram muito perto de ampliar a vantagem, por Pau Vítor e Gabriel Silva. 

Foi então que o treinador do Sporting chamou as reservas de ouro sul-americano que tinha no banco, depois de viagens pelos quatro cantos do mundo, e foi a tempo de uma ‘remontada’ justa e inequívoca. Mas pagou um preço. Rodrigo Zalazar, que como ficou à vista de todos se dá particularmente bem com os ares da Pedreira, esteve em campo apenas 25 minutos, saindo lesionado, depois de ter sido o principal responsável pela reviravolta, marcando um e sendo o principal ator do outro golo. 

Demasiado respeito

As equipas iniciaram o jogo com sistemas diferentes, muitos encaixes previsíveis e demasiado conservadorismo posicional. Por exemplo, o Sporting que teoricamente devia estar em 4x2x3x1 ou 4x3x3 passou boa parte dos primeiros 45 minutos a jogar com cinco defesas, já que Altimira seguia Pau Vítor e ia colocar-se amiúde entre Quaresma e Inácio. Enquanto isso, Silas Anderson não era capaz de marcar o ritmo aos leões e o futebol passou a ser demasiado desgarrado, melhorando a qualidade cada vez que a bola chegava aos pés de Catamo. Foi uma espécie de não jogar nem deixar jogar, porque os leões faziam pressão alta à saída de bola dos minhotos, mas nunca caiam em cima de Bernardo Fontes, que, invariavelmente jogava comprido para Pau Victor.

Do outro lado, então, o meio-campo começou por ser praticamente inexistente, porque Altimira recuava para central, Doumbia não tinha jogo para apoiar Ioannidis e Anderson não teve a mais feliz das noites. Conclusão: também Rui Silva e Gonçalo Inácio passaram a tentar demasiadas vezes o futebol direto, solicitando a grande disponibilidade física do ponta-de-lança grego, o que teve como consequência uma qualidade do espetáculo que deixou a desejar.

Mas se o Sporting se mostrava incapaz de ter bola, o SC Braga, que não arriscava, como se viu, nas saídas, não tinha medo de ter bola quando se organizava a meio-campo. Aliás, foi assim que ganhou predomínio nos minutos finais da primeira parte e nos minutos iniciais da segunda.

Resposta pífia

À alteração qualitativa da equipa do Sporting, operada por Rui Borges, Carlos Vicens foi lento e pouco ambicioso na resposta. As primeiras mudanças deixaram praticamente tudo na mesma (troca por troca, sem alteração de dinâmica) e só aos 84 minutos, quando os leões tinham os três pontos no bolso, é que o técnico arsenalista juntou dois homens na frente, Fran Navarro e Wind, numa altura em que o jogo estava partido, com vantagem para a equipa de Alvalade.

Mas terá sido apenas por falta de audácia que o SC Braga perdeu com o Sporting? Talvez, mas não só. Sobretudo, Rui Borges, com trunfos escondidos na manga, apresentou argumentos que o adversário não foi capaz de acompanhar.  Depois de uma longa paragem, o recomeço da Liga teve sinais diferentes para os ‘Sporting’ de Braga e Portugal. Os da capital, que vinham de resultados (e exibições) que deixavam muitas dúvidas, podem ter encontrado, no Minho, o mapa da mina, tão claras foram as indicações (Irankunda incluído) dadas, quanto ao melhor encaixe, pelos jogadores; os arsenalistas, por seu turno, deverão pensar se vale a pena deixar tantas vezes Pau Vítor tão só e, sobretudo, se o talento, a arte e a capacidade finalizadora de Ricardo Horta não estão a ser subaproveitadas, ao jogar tão longe da zona de decisão…

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