Treinador leonino rejeito a ideia de que a vitória em Braga foi uma resposta às críticas e sublinhou a exigência necessária para jogar no emblema verde e branco
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Espírito de equipa, falta de «bom senso» e Zalazar: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting analisou vitória por 3-1 em Braga

Rui Borges analisou, na sala de Imprensa do Municipal de Braga, o triunfo do Sporting frente aos arsenalistas por 3-1, em duelo da 8.ª jornada da Liga, que foi alcançado através de uma reviravolta na segunda parte.

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— Que análise faz ao jogo em Braga?

— A primeira parte foi algo equilibrada, mas tivemos várias situações para marcar. Muita demora na finalização, más decisões, mas boas aproximações. O SC Braga teve dois remates e foi feliz no golo. Foi um resultado bastante injusto ao intervalo, a haver alguém a ganhar teria de ser o Sporting. Na segunda parte, entrámos mal, com o SC Braga a ter duas situações claras de golo. Depois disso crescemos, melhorámos, aumentámos a intensidade dos duelos. Sabíamos que tínhamos de ser audazes, competitivos e fomos capazes. Pela nossa qualidade individual e coletiva chegámos à vitória. Todos foram importantes. Enalteço o espírito e a parte competitiva da equipa. Deixo também um agradecimento enorme a todos os adeptos, que foram muito importantes. Mesmo quando estávamos a perder, penso que também sentiram que era injusto. Um agradecimento forte a essa malta também.

— Os três jogadores que entraram aos 58' já faziam parte dos planos do jogo?

— São jogadores que nem sequer treinaram. Percebemos que não estavam a 100 por cento. Perante o adversário e a exigência do jogo, sabíamos que quem entrasse de início teria de estar a 100 por cento. E eles não estavam, porque foram às seleções. Poderia ter havido mais bom senso da outra parte, mas compete-nos gerir isso. Sabíamos que iriam dar o contributo independentemente do resultado. São importantes e não fugimos a isso, toda a equipa sabe. Pela sua qualidade, energia... Feliz pela atitude de todos, não só os que entraram.

— O que vai pesar mais na próxima semana de trabalho?

— Foi uma vitória, não me foco na parte da reviravolta. Foco-me naquilo em que não fomos tão bons na primeira parte. Fomos mais intensos, competitivos e ganhámos mais bolas. Podíamos ter sido mais audazes na primeira parte, hesitámos e deixámos o SC Braga crescer, mas mesmo dentro disso nunca foram uma equipa mandona sobre o Sporting. Vou focar-me no que fomos capazes tendo em conta a estratégia. Fomos conseguindo fazer melhor as coisas e agora é pensar no próximo jogo. Estratégia diferente, adversário diferente. Estou feliz pelo compromisso e pela entrega da equipa. Às vezes melhor, outras vezes não tão bem. Mas faz parte, perante uma grande equipa.

— Era esta a resposta que queria dar aos adeptos?

— Era a resposta que queríamos dar a nós mesmos. Vínhamos de dois empates e somos o Sporting. Aqui joga-se para ganhar. Uma equipa como o Sporting não pode estar dois jogos sem ganhar. A pressão é a mesma, seja com o SC Braga ou com o Lens. O objetivo é fazer o meu melhor para ajudar a equipa a ganhar.

— O Sporting tem sido criticado pelas quebras de rendimento a partir dos 60 minutos, mas hoje viu-se exatamente o contrário... Foi uma resposta aos críticos?

— Não é resposta a críticos nenhuns, é para nós. Não concordo que caímos em termos físicos frente a Famalicão e Arouca. Com o Arouca ficámos com dez jogadores, no Famalicão é um lance de jogo. Acho que com o Vitória de Guimarães foi o único jogo em que a equipa esteve abaixo das expectativas na segunda parte. De resto, temos sofrido golos por coisas muito específicas, comportamentos individuais. Preferia sofrer golos por falta de organização, porque era sinal que o meu trabalho era mal feito e tinha de melhorar. Mas preferia ter onde pegar para mim mesmo. Temos sofrido golos por coisas que não lembram a ninguém, mas a sorte e o azar dão trabalho... Sabíamos que era muito importante para seguirmos o nosso caminho e não deixarmos aumentar mais a distância. Queremos muito lutar pelo campeonato.

— Foi um jogo especial para Zalazar. Estará apto para o jogo em Lens?

— O Zalazar é um grande jogador, por isso é que viemos buscá-lo e pagámos o que pagámos. É um miúdo fantástico, trabalha muito e é diferenciado. Feliz por ter voltado e feito a diferença, triste porque saiu com um toque. Vamos perceber o que terá, mas muito feliz por tê-lo comigo, era um jogador que queria há muito tempo. Não sei se será baixa, mas acredito que, por mínimo que seja o desconforto, não dê para o jogo.

— O que disse ao intervalo para mudar a mentalidade da equipa?

— Eles próprios perceberam que a mentalidade estava lá. A exigência é que tinha de ser maior. Estávamos frustrados e tínhamos de passar isso para o campo. E eles fizeram isso. O espírito, a amizade e a entreajuda foram fantásticos. Foi uma grande demonstração do grupo que temos.

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