Golo de Mariano Gómez, que fez o 2-1 à entrada da última meia hora, tirou a esperança ao Torreense no reduto do Ferencváros
Golo de Mariano Gómez, que fez o 2-1 à entrada da última meia hora, tirou a esperança ao Torreense no reduto do Ferencváros

Goméz foi atrás Dele(s) e descobriu Pozo do Torreense em Budapeste (crónica)

Extremo espanhol respondeu ao golo de Yusuf e deu corpo à réplica dada pelo emblema do Oeste no reduto do Ferencváros. Houve verde intenso na etapa complementar e Linhas de Torres desabaram. Vitória justa dos húngaros... por números demasiado pesados

BUDAPESTE — A história foi parecida com a de há uma semana, em Leiria: o Torreense não se atemorizou com o poderio do Ferencvaros — tal como acontecera na receção ao Sunderland (1-2) — e bateu-se de igual para igual. Especialmente até aos 80 minutos. Porque se estar de forma inédita na segunda prova mais importante de clubes da UEFA é uma realidade, então que se aproveite... competindo. Afinal, dos fracos não reza, efetivamente, a história. E o Torreense está a dar corpo a esta ideia. Olhos nos olhos. Mesmo que tenha sofrido um desaire (demasiado) pesado para o que se passou no relvado do Groupama Arena. O triunfo dos magiares é absolutamente indiscutível, o 4-1 final altamente enganador. É o futebol, pois então...

A experiência internacional dos húngaros fez-se sentir, há individualidades acima da média no conjunto orientado por Balázs Borbély, mas o emblema do Oeste foi sério, soube interpretar a grande maioria dos momentos do jogo e, sempre que pôde, colocou a defensiva contrária em sentido. O domínio foi verde, como se esperava, mas enquanto esteve dentro do jogo a formação de Luís Tralhão nunca perdeu o norte. Organizou-se defensivamente, encontrou várias soluções para sair das zonas de pressão e acionar a transição ofensiva, com Manu Pozo e Musa Drammeh — sempre bem suportados por João Marques, pelo corredor central, e por Javi Vazquez, uma flecha à esquerda — a serem duas autênticas dores de cabeça para a defensiva dos da casa.

Quando Dele Yusuf inaugurou o marcador, aos 20 minutos, na sequência de um remate colocado, à entrada da área, terão pensado os adeptos do Ferencváros que seria uma tarde/noite tranquila. Puro engano. O Torreense reagiu de imediato e Manu Pozo aceitou o convite de Javi Vazquez para empatar a contenda.

O tento deu ainda mais confiança aos do Oeste e até ao descanso houve parada e resposta. O empate ao intervalo ajustava-se na perfeição e estava... tudo em aberto.

A reentrada dos húngaros deu a ideia de que os jogadores tinham sido apertados no balneário, mas nem essa intensidade fez tremer o último reduto do conjunto de Torres Vedras. A solidez mantinha-se.

Mas, como se sabe, as bolas paradas costumam ter um peso determinante em jogos deste género, pelo que a balança voltou a pender para um dos lados na sequência de um pontapé de canto: Birmancevic cruzou e Mariano Gómez (58') teve cabeça para voltar a deixar a Groupama Arena em êxtase.

Voltamos a entrar na cabeça dos húngaros: «Agora, sim, está decidido», poderão ter pensado. Acertaram, é um facto, mas não sem antes passarem por alguns calafrios. Especialmente quando João Marques teve tudo para faturar (65'), após jogada bem trabalhada entre Dany Jean e Musa Drammeh.

As Linhas de Torres só foram efetivamente abaixo ao minuto 80, quando um autogolo de Mohamed Ali Diadie definiu o vencedor. Perto do fim, Lisztes ainda deu mais um toque na (injusta) pintura de uma goleada que não traduz (de todo) a história do desafio.

O Torreense continuará o seu caminho. À atenção de Ararat, Celtic, Real Sociedad, Lech Poznan e Olympiakos: o underdog promete causar mais estragos...

O melhor em campo: Dele Yusuf (7)

O ponta de lança nigeriano foi sempre uma seta apontada à baliza de Lucas Paes e nunca deu descanso ao último reduto defensivo do Torreense. Já depois de ameaçar por duas vezes nos instantes iniciais, eis que aos 20 minutos molhou mesmo a sopa, num remate forte e colocado, à entrada da área, que levou a bola a entrar junto ao poste esquerdo. Além do tento que apontou, esteve sempre bastante ativo no centro do ataque, tanto na exploração da profundidade como nos apoios frontais.

A figura do Torreense: Manu Pozo (7)

A cumprir a terceira temporada no Oeste, o esquerdino tem demonstrado toda a sua qualidade e ontem, em Budapeste, voltou a estar a um nível muito elevado, mostrando-se à Europa do futebol. Daquela canhota saem, por norma, grandes doses de magia e foi do camisola 11 que nasceu a grande maioria dos lances de perigo do conjunto luso. O golo que apontou foi só mais um momento de pura classe.

As notas dos jogadores do Ferencvaros:

Radnóti (5), Oliver Nagy (5), Mariano Gómez (7), Zohoré (6), O'Dawda (6), Madarász (5), Ádám Nagy (6), Zachariassen (6), Birmancevic (7), Dele Yusuf (7), Corbu (5), Maiga (5), Joseph (6), Levi (—) e Lisztes (6).

As notas dos jogadores do Torreense:

Balázs Borbély (treinador do Ferencváros):

Não foi algo assim tão simples. Tivemos jogadores com menos minutos ultimamente e a nossa primeira parte não foi impecável. A pressão do adversário causou-nos demasiados problemas. Depois conseguimos assentar, fizemos o 2-1 de bola parada e esse momento deixou a equipa mais relaxada e com maior confiança.

Carlos Simões (treinador-adjunto do Torreense):

Trabalhámos muito e o resultado é enganador. Após o segundo golo deles ainda tivemos oportunidade de empatar, mas depois do 3-1 a equipa caiu. Dos três jogos este foi aquele em que criámos mais oportunidades de golo. O resultado é excessivo para o que foi o trabalho dos jogadores. Obrigado aos nossos adeptos.

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