O emblema do Oeste joga esta quinta-feira em solo húngaro, na 3.ª jornada da fase de liga da UEFA Europa League

«O Torreense tem capacidade para tornar este desafio complicado para o Ferencváros»

Nuno Campos, treinador português que está atualmente nos romenos do Dínamo Bucareste, orientou os húngaros do ZTE, na época passada, e detalha em A BOLA o adversário de hoje do emblema do Oeste. «O ambiente nos jogos europeus em casa é muito forte», projeta

BUDAPESTE — Não há impossíveis no futebol. A história diz que o Ferencváros é uma equipa muitíssimo mais experiente do que o Torreense no que diz respeito a competições europeias, mas de Portugal chega um clube que está disposto a escrever história na Hungria.

A partir das 17h45 (hora de Portugal Continental) desta quinta-feira, Ferencvaros e Torreense medem forças na 3.ª jornada da fase de liga da UEFA Europa League e A BOLA está na capital húngara para contar-lhe tudo sobre este desafio. Mas para falar sobre o adversário da equipa lusa também temos um treinador português: Nuno Campos. Atualmente na Roménia, onde orienta o Dinamo Bucareste (atual líder do campeonato do seu país), o português falou em exclusivo ao nosso jornal. Afinal, Nuno Campos trabalhou na Hungria na temporada passada, onde liderou o ZTE e até ganhou duas vezes ao Ferencvaros!

«Esta é uma equipa diferente da da época passada. À semelhança do que já acontecia, nas competições europeias joga maioritariamente com estrangeiros, enquanto no campeonato utiliza mais jogadores húngaros, também por obrigação regulamentar. Isso acaba por tornar a equipa diferente e, na minha opinião, mais forte nas competições europeias. Com a mudança de treinador, também houve alterações na forma de jogar. Antes, o Ferencvaros jogava com três centrais e tinha um futebol mais direto. Agora utiliza um 4x2x3x1, procura ter mais bola e apresenta um jogo mais associativo. Defensivamente, também há diferenças. O treinador atual privilegia mais a organização coletiva e menos a marcação homem a homem, embora continue a querer uma equipa muito pressionante», explicou.

Profundo conhecedor do emblema da capital húngara, mesmo que agora trabalhe noutra realidade, Nuno Campos olha para o plantel do Ferencvaros e alerta para os maiores perigos: «É uma equipa com jogadores muito fortes no contra-ataque, sobretudo quando têm espaço. Destaco o [Dele] Yousuf, um jogador explosivo, potente e com boa capacidade técnica. É muito forte a atacar a profundidade, gosta de receber a bola no espaço e tem capacidade para aparecer em zonas de finalização, apesar de, com este treinador, jogar muitas vezes pela direita.»

Nuno Campos, que na está atualmente nos romenos do Dínamo Bucareste, orientou os húngaros do ZTE na época passada — Foto: D. R.

Além das questões estratégicas inerentes ao próprio jogo, Nuno Campos aflora também o aspeto psicológico. Neste caso, referente ao enorme fervor dos adeptos do Ferencvaros, que, por certo, lotaram os cerca de 22 mil lugares do Groupama Arena. «O ambiente nos jogos europeus em casa é muito forte. O estádio está quase sempre cheio e os adeptos apoiam muito a equipa, sobretudo nas bancadas atrás das balizas. É uma equipa claramente mais forte em casa do que fora, também pela intensidade que consegue colocar no jogo. Fisicamente é muito forte e competitiva nos duelos», aponta.

Os elogios ao potencial do clube magiar estão devidamente feitos, mas o treinador português não esquece que o Torreense também tem as suas armas para tentar inverter a lógica. E tudo pode acontecer, garante Nuno Campos: «Num jogo europeu em casa, espero um Ferencváros muito pressionante, a tentar condicionar o adversário desde o início e a não lhe dar espaço para jogar. É um ambiente muito bom para se disputar um jogo de futebol, mas que naturalmente favorece a equipa da casa. Mas também é importante destacar o Torreense, que tem estado muito bem e tem demonstrado qualidade. Acredito que vai criar dificuldades ao Ferencváros. Espero um jogo muito competitivo, porque o Torreense tem capacidade para tornar este desafio bastante complicado para o Ferencvaros.»

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