FIFA vai alterar regra que beneficiou Ronaldo após polémica Balogun no Mundial
A FIFA vai proceder a alteração nos regulamentos disciplinares na sequência da polémica em torno da decisão de suspender o castigo automático de Folarin Balogun durante o Mundial 2026, e permitir que representasse os EUA frente à Bélgica.
Foi precisamente a federação belga (RBFA) que o anunciou, após ter abordado o organismo que tutela o futebol mundial sobre o assunto.
A decisão surge depois de várias críticas à FIFA, que retirou a suspensão automática de um jogo por cartão vermelho aplicada ao avançado norte-americano, expulso frente à Bósnia, permitindo-lhe disputar o encontro dos oitavos de final. O episódio ganhou maior dimensão política e institucional quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter pedido pessoalmente ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, a revisão do castigo, o que suscitou dúvidas quanto à independência dos processos disciplinares.
Após a reunião do Conselho da FIFA realizada esta quinta-feira em Zurique na Suíça, Pascale Van Damme, presidente da federação belga e membro do Conselho da FIFA, deu conta de que o organismo irá rever o Artigo 27 do Código Disciplinar, que prevê a suspensão da aplicação de uma sanção em circunstâncias excecionais. A proposta final de alteração será submetida para aprovação a 16 de dezembro, na próxima reunião do Conselho, em Doha.
Uma regra que beneficiou também Cristiano Ronaldo. Vale recordar que o capitão da Seleção foi expulso por agressão contra a República da Irlanda e cumpriu apenas um jogo de castigo, ficando livre para o Campeonato do Mundo. O internacional português fora expulso durante a fase de qualificação de Portugal e sancionado com três jogos de suspensão. Após cumprir o primeiro jogo de castigo, frente à Arménia, a FIFA suspendeu as restantes duas partidas, colocando o jogador num período probatório que se estendeu até ao Mundial.
«A confirmação da FIFA de que o Artigo 27 será alterado, na sequência do pedido que já tínhamos apresentado em julho, é um passo importante. A proposta de alteração, juntamente com uma explicação sobre as circunstâncias específicas do caso Balogun, será submetida em Doha», referiu Pascale Van Damme.
O organismo belga, que pediu a inclusão do caso Balogun na agenda do Conselho desta quinta-feira em nome da transparência, exigiu garantias de ausência de interferências externas em três pontos:
O presidente Donald Trump reconheceu publicamente ter intervindo no caso Balogun. Pode a FIFA garantir que não ocorreu qualquer tipo de ingerência, por parte de quem quer que seja, durante o processo disciplinar?
Quais foram as circunstâncias excecionais do caso Balogun e que critérios foram aplicados na utilização do artigo 27.º em casos semelhantes?
Pode a FIFA garantir que, no futuro, as federações-membro terão o direito de ser ouvidas no âmbito de todas as decisões tomadas pelos órgãos disciplinares da FIFA?
Em resposta à federação belga, a FIFA frisou que todas as decisões são tomadas de forma independente pelos seus órgãos jurídicos e confirmou que o processo de revisão do Artigo 27 já se encontra em curso.